terça-feira, outubro 27, 2026
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‘Mui amigo’

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Maycon_abrantes (13)“Eu e o Joselito (Magalhães) estamos trabalhando para vetar isso aí”. A promessa, feita pelo vice-prefeito Maycon Abrantes (PV), gerou a mais nova polêmica entre integrantes do Palácio 17 de Julho e boa parte dos vereadores de Volta Redonda. Deixou ‘p’ da vida, principalmente, os que compõem o famoso ‘Grupo dos 7’, aliado a Samuca. É que Maycon enviou um áudio – ao qual o aQui teve acesso – para seus amigos empresários tentando acalmá-los diante de um Projeto de Lei do vereador Luciano Mineirinho (PR) que, se for aprovado, obrigará a classe a contratar idosos acima de 60 anos.

 

O PL ainda vai ser discutido na Câmara de Volta Redonda, mas o vice-prefeito já prometeu ao meio empresarial, comandado por Joselito, dublê de presidente da Aciap e secretário de Desenvolvimento do governo Samuca, que fará de tudo para que o mesmo seja rejeitado em Plenário. Se não conseguir, prometeu que Samuca vetará o Projeto de Lei dos idosos. Um verdadeiro fogo amigo.

 

Resultado: Luciano Mineirinho, que é da base aliada de Samuca, está cuspindo maribondos. Compadre de Samuca, Mineirinho não ficou satisfeito ao saber que Maycon e Joselito estariam armando contra seu PL, que tem o objetivo de obrigar as empresas instaladas na cidade – ou que venham a se instalar – a contratar pessoas acima dos 60 anos. Tem mais. Empresas com mais de 500 funcionários, segundo ele, deveriam ter, no mínimo, 1,5% de seus funcionários com mais de 60 anos. Já empresas entre 50 e 500 empregados teriam que ter 2% do seu quadro composto por idosos.

 

A proposta não agradou aos empresários ligados a direção da Aciap-VR. E alguns teriam questionado a postura dos verdes. Para acalmá-los, o vice-prefeito Maycon entrou em ação. “Isso na verdade é um projeto de lei de autoria do vereador Luciano Mineirinho, que ele está tentando ver se passa na Câmara. Vai ser levado em votação ainda. Mas eu e o Joselito (secretário de Desenvolvimento, grifo nosso), já estamos trabalhando para tentar vetar isso aí. Seria mais uma imposição do Poder Público sobre a administração privada”, avaliou Maycon, no áudio ao qual o aQui teve acesso.

 

Além de citar que iria trabalhar contra o PL dos idosos, Maycon foi além. Destacou que, mesmo se o projeto fosse aprovado, iria tentar fazer com que Samuca o vetasse. “Esta-mos trabalhando para não ser aprovado, e se for aprovado (vamos trabalhar) o prefeito também vê se não sanciona, tá bom? Mas isso é um projeto de autoria do vereador, que será discutido na Câmara ainda, para depois vir para a sanção do prefeito”, completou Maycon, que teria chegado a ser questionado se o projeto era de autoria do Palácio 17 de Julho.

 

O áudio de Maycon foi enviado ao aQui por uma fonte – que obviamente pede que seu nome não seja revelado. Segundo ela, o áudio foi divulgado em um grupo no WhatsApp formado por empresários. O problema é que Mineirinho também faz parte do grupo. “Depois que isso foi divulgado, todo mundo passou adiante, de grupo em grupo. Foi constrangedor para o Mineirinho isso”, avaliou a fonte, mostrando ainda uma mensagem onde Mineirinho reclama de Maycon Abrantes dizendo que o mesmo poderia ter conversado com ele sobre o projeto antes de dizer que iria trabalhar contra o mesmo.

 

Quem ficou a favor de Maycon e Joselito, como não poderia deixar de ser, foi Maurinho Pereira, também dublê de empresário e ‘assessor especial’ de Samuca.  Em um áudio de pouco mais de um minuto, Maurinho disse que Maycon e Joselito estão certos em ser contra o projeto dos idosos, assim como ele também estará. “Nós também fazemos parte do governo e temos um entendimento totalmente diferente (do vereador)”, disparou, salientando que Luciano Mineirinho deveria ter procurado os empresários e o governo antes de divulgar o projeto de lei.

 

Maurinho Pereira foi além. Bradou que Mineirinho, como vereador, faz parte do Fórum Empresarial e deu a entender que o vereador nunca poderia ter tido tanta liberdade. “Como ele lança um ‘troço’ contra as empresas e não comunica ninguém? Me desculpa o vereador, que gosto muito e tenho muito respeito. Porém ele é que falhou, não o vice-prefeito. O vice está certo, pois é um empresário sério e responsável com a classe empresarial, que é quem produz”, acrescentou o ex-candidato a prefeito nas eleições vencidas por Samuca. “O Maycon está certíssimo”, concluiu Maurinho.

 

O aQui, é claro, fez questão de procurar Luciano Mineirinho, que tem um escritório de contabilidade em Volta Redonda – e dos bons – para saber sua opinião sobre a pendenga com os integrantes do Palácio 17 de Julho. O parlamentar confirmou que ouviu os áudios e garante ter procurado Maycon para tratar do tema. “Fui falar com o vice-prefeito sobre isso. De fato, fiquei chateado com o áudio. Acho que ele não pode se meter nisso, ele tem muito trabalho na vice prefeitura e na Smac para realizar ao invés de se preocupar com a Câmara”, disparou Mineirinho, ressaltando que Samuca havia tomado conhecimento do caso. “Nós ainda não conversamos sobre o tema”, afirmou.

 

Entretanto, Mineirinho revelou que pediu à Câmara de Volta Redonda para que seu projeto seja arquivado. “Mas não por causa disso. Pedi o arquivamento porque fui alertado por três advogados que a proposta seria inconstitucional, portanto não teria sentido o PL continuar tramitando”, argumentou. “Mas já estamos preparando outro projeto para incentivar a contratação de pessoas com 60 anos ou mais na iniciativa privada. A ideia do projeto não morreu. Vamos buscar um caminho, seja dando incentivos para as empresas ou de outra forma, para estimular essas contratações”, concluiu. Então tá!

 

 

Tem que resolver

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Quando estava prestes a completar 45 dias de mandato, em meados de fevereiro, o prefeito Samuca Silva (PV) fez uma visita de surpresa à Escola Municipal Palmares, no Padre Josimo. Queria saber das demandas da unidade escolar e conversar com os pais dos alunos e profissionais da Educação. A visita foi, até prova em contrário, em resposta a uma notícia divulgada pelo aQui na edição 1032 (de 11 de fevereiro) sobre o abandono da escola. Em poucos minutos, Samuca descobriu que o aQui estava certo. E que na unidade existiam vários problemas estruturais. O número de goteiras era tão grande que o telhado parecia uma peneira. As grades estavam quebradas, os banheiros em péssimas condições. Nem luz tinha, entre outros. Como se estivesse em campanha, prometeu que iria mandar arrumar tudo.

 

Não mandou. Ou não foi obedecido. Por isso, cerca de dez mães de alunos da escola foram à Câmara na noite de segunda, 30, para fazer um protesto silencioso cobrando providências para que o Palácio 17 de Julho se digne a reformar uma simples escola. E que a criançada não corra mais riscos desnecessários. Na quinta, 1º, o presidente da Câmara, Sidney Dinho, chamou a secretária de Educação, Rita de Cássia, duas mães dos estudantes e os vereadores Luciano Mineirinho e José Augusto para debaterem o que fazer.

 

Dinho lembrou que o problema da escola se arrasta desde a gestão do ex-prefeito Neto. “A gente sabe que foi feito um grande projeto de reforma da escola, pena que custaria milhões. Mas, pelo o que eu entendi, o que as mães desejam é que sejam feitos apenas os pequenos reparos para que os alunos possam estudar direito, com qualidade”, destacou. “Elas estão batalhando pelo básico”, completou, agradecendo a presença da secretária de Educação.

 

Mãe de uma aluna do 5º ano, Viviane Soares endossou as palavras de Dinho. “Não estamos pedindo uma obra de milhões. Queremos pelo menos o básico. Os alunos não estão podendo nem usar os parquinhos, a quadra está cheia de goteiras, caiu o forro do banheiro, entre outros problemas. Queremos esses reparos”, destacou Vi-viane, ressaltando que quando o prefeito Sa-muca esteve na escola, ele prometeu a reforma. “Eu ouvi isso dos lábios dele”, completou.

 

Pega na saia justa, a secretária de Educação, Rita de Cássia, saiu pela tangente e disse que tudo que estava ao alcance da sua pasta já teria sido feito. E prometeu, como Samuca, que as pequenas reformas serão repassadas para a secretaria de Obras executar. “Estarei amanhã (ontem, sexta) na escola, junto com uma engenheira da secretaria de Obras. Vamos ver os problemas e o que podemos fazer de imediato para melhorar o local”, destacou, ressaltando que o gabinete dela estaria de portas abertas para receber as demais reivindicações das mães. Que assim seja!

 

Lista verde

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O que era para ser a prova de que existiriam ‘funcionários-fantasmas’ no Palácio 17 de Julho acabou se tornando motivo de chacota. Mais um, por sinal, pois o caso do falso cônsul do Qatar ainda é comentado na prefeitura de Volta Redonda. O mico da vez foi a divulgação da lista dos servidores públicos que não fizeram o recadastramento obrigatório exigido pelo governo Samuca. E ela era extensa – mais de 2 mil, abrangendo vários dos atuais secretários, assessores especiais e até o vice-prefeito Maycon Abrantes. Até nomes de pessoas que já morreram ou nunca trabalharam na prefeitura estavam lá para quem quisesse conferir. Médicos conhecidos também, assim como voltarredondenses já exonerados, como o arquiteto Ronaldo Alves.

 

O detalhe é que no próprio decreto assinado por Samuca, publicado na terça, 16, há um artigo que garantia aos secretários e assessores fazer o recadastramento até ontem, sexta, 19. Ou seja, estavam dentro do prazo e seus nomes não deveriam ser divulgados. Nem poderiam ter seus salários bloqueados, como os que não fizeram o recadastramento dentro do prazo determinado. Além de Maycon, o assessor especial Rafael Capobiango, os secretários de Desenvolvimento e de Educação, Joselito Magalhães e Rita de Cássia, respectivamente e o coordenador de comunicação, Adriano Lizarelli, aparecem na lista verde. Sérgio Donda, exonerado há cerca de dois meses, também está na lista.

 

A precipitação na divulgação da lista dos que poderiam ser fantasmas rendeu muitas críticas a Samuca, tanto da parte de quem teve o nome tornado público – com matrícula e CPF –, quanto de pessoas que nem se lembram mais de terem ligação com a prefeitura. É o caso de uma médica que, em contato com o aQui,  garantiu que seu relacionamento com o município deve-se à época em que fez residência no Hospital São João Batista. “A matrícula que aparece na lista é de quando fui residente, identificamos esse problema quando fiz o recadastramento”, destacou, ressaltando que muitos dos seus colegas que aparecem na lista avaliam entrar na Justiça contra a prefeitura. “A prefeitura não pode divulgar nossos nomes, matrículas e CPF. Quem quiser usar nossos nomes agora já pode”, completou, indignada.

 

Pelo decreto, a prefeitura suspendeu o pagamento dos servidores públicos que não fizeram o recadastramento no período estabelecido – de 19 de março a 10 de maio.  O nome, a matrícula e o CPF daqueles que tiveram os vencimentos suspensos estão disponíveis no site da prefeitura: (www.volta redonda.rj.gov.br). Foram recadastrados dentro do prazo 11.782 funcionários (9.267 ativos e 2.515 inativos). “Fizemos o recadastramento de forma que não atrapalhasse o andamento da máquina pública. Os servidores tinham o dia e o local agendados previamente pelo site da prefeitura. Os funcionários levaram, em média, dez minutos para se recadastrarem, com biometria e fotografia. Estamos fazendo gestão. O maior gasto mensal da prefeitura é a folha de pagamento. Isso é uma importante ação para reduzir custos”, justificou Samuca.

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