terça-feira, julho 28, 2026
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Banco de prateleira

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Nubank compra banco de investimentos e negociação pode guardar informações reveladoras

Pollyanna Xavier

Quem passa por Porto Real dificilmente imagina que o pequeno município, de 23 mil habitantes, fundado por italianos, já abrigou um banco criado há mais de três décadas e que agora será incorporado por uma das maiores instituições financeiras digitais da América Latina. É que o Nubank anunciou, no início da semana, a compra do Banco Porto Real de Investimentos S/A – instituição criada em 1992 para atuar na concessão de crédito no mercado atacadista. Nunca houve, na verdade, um banco físico, para atendimento ao público. Seus ativos, porém, nunca deixaram de existir. A operação ainda depende da aprovação do Banco Central.

Embora pouco conhecido do grande público, o Banco Porto Real possui uma licença bancária que interessa ao Nubank. Na prática, a aquisição faz parte da estratégia da fintech para atender às exigências da Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Essa normativa reorganizou a forma como as instituições financeiras podem utilizar a nomenclatura ‘banco’.

No caso do Nubank, a instituição já havia sido notificada pelo Banco Central, em novembro de 2025, sobre a necessidade de adequação às novas regras. Agora, com a aquisição, o Nubank passa a incorporar uma licença bancária ao seu conglomerado, sem alterar a operação dos serviços oferecidos aos seus clientes. 

Por falar em clientes, o Nubank anunciou em 2026 ter ultrapassado 115 milhões de clientes brasileiros, tornando-se a maior instituição financeira privada do país em número de clientes. Também neste ano, a marca roxinha passou a integrar a Febraban (entidade que reúne os principais bancos brasileiros) e ainda anunciou R$ 45 bilhões em investimentos no mercado nacional. 

No caso da aquisição do Banco Porto Real, os valores envolvidos na negociação não foram divulgados. Segundo apurado pelo aQui, o Banco Porto Real é uma instituição de pequeno porte, que em março deste ano possuía cerca de R$ 6,2 milhões em ativos. O patrimônio líquido era de apenas R$ 6 milhões, o que prova que a ‘joia’ não está no tamanho do banco, mas na licença bancária que o Porto Real detém junto ao Banco Central.    

Em nota divulgada ao mercado, o Nubank reafirmou que todas as obrigações assumidas pelo Banco Porto Real de Investimentos serão mantidas conforme previsto no acordo de aquisição. Para os clientes da fintech, não haverá qualquer mudança no relacionamento. “A inclusão desta nova licença ao conglomerado prudencial da Nu Pagamentos S.A. não impõe exigências adicionais de capital ou liquidez, preservando sua solidez e resiliência financeira. Para os 115 milhões de clientes do Nubank no Brasil, nada muda: o aplicativo, os produtos, os serviços, a marca e o nome da instituição permanecem os mesmos”, informou a empresa. 

Confusão

A compra do Banco Porto Real pelo Nubank também resgata uma lembrança de muitos moradores do Sul Fluminense. Durante anos, Porto Real, Volta Redonda e outras cidades da região tiveram agências identificadas como Banco Porto Real. Em Volta Redonda, por exemplo, a agência ficava na Vila, e o imóvel acabou virando um templo da Igreja Universal. Com o passar do tempo, essas unidades foram encerradas e acabaram sendo confundidas com as antigas agências do Banco Real, incorporado depois ao Santander.

Apesar da semelhança dos nomes, o Banco Porto Real de Investimentos adquirido pelo Nubank é uma instituição voltada ao mercado corporativo, que atua no mercado de crédito para empresas, especialmente no segmento conhecido como atacado (wholesale banking) e não mantém atendimento ao público em agências. Essa característica ajuda a explicar por que, embora tenha permanecido ativo por mais de 30 anos, o banco acabou ficando praticamente desconhecido da maior parte da população.            

A verdade é que o banco comprado pelo Nubank foi fundado no distrito de Porto Real, no dia 14 de abril de 1992, antes mesmo de sua emancipação da cidade de Resende, em 1995. Porto Real, hoje, é reconhecida como a primeira colônia italiana no Brasil e o banco, considerado pelo mercado um daqueles chamados ‘bancos de prateleira’, que sobreviveu durante décadas justamente por manter uma licença bancária ativa, concedida pelo Banco Central. 

Segundo apurado pelo aQui, tanto a Prefeitura de Porto Real quanto a Junta Comercial do Estado do Rio (Jucerja) mantêm registros de que o Banco Porto Real de Investimento continua ativo. Um fato, porém, chamou a atenção da reportagem. Em 14 de julho do ano passado, o Banco Central publicou o Comunicado número 43.497 informando que havia recebido um pedido de autorização para mudança do controle societário da instituição. O aQui teve acesso ao documento. 

O comunicado informa que o controle direto passou a ser exercido pela LPGR Participações S.A (leia-se Luiz Eduardo Tarquinio Monteiro da Costa), tendo como controlador final o empresário Luiz Phillippe Gomes Rubini, cujo nome não é desconhecido do noticiário econômico. Rubini é ex-sócio do Grupo Fictor, que chegou a controlar as granjas da Rica, empresa tema de uma série de reportagens publicadas pelo aQui entre dezembro do ano passado e março deste ano (quase todas as filiais já fecharam, grifo nosso). Luiz Phillippe também ganhou destaque ao tentar comprar o Banco Master e semanas depois ajuizar uma ação de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. 

Em março deste ano, o empresário teve, ainda, o nome associado à Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro. Até o momento, não há qualquer informação pública que relacione essa investigação à aquisição ou à posterior venda do Banco Porto Real ao Nubank. Ainda de acordo com o apurado pelo aQui, a mudança no controle do Banco Porto Real de Investimentos, registrada em documento oficial do Banco Central, revela que a instituição mudou de dono apenas um ano antes de ser vendida ao Nubank. 

Coincidência? Talvez. Mas também é possível que a aquisição tenha ocorrido de olho no valor estratégico da licença bancária. Não há elementos que permitam ao aQui afirmar isso. O fato é que a cronologia chama atenção. Seja como for, o endereço do Banco Porto Real de Investimentos S.A. continua na cidade de Porto Real.

A sede administrativa funciona em uma rua simples do bairro Imperial Center, em uma área predominantemente residencial, onde há mais casas do que comércios. Tudo indica que o imóvel – uma sala – abriga apenas a estrutura administrativa da instituição. 

Na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), o Banco Porto Real de Investimentos está registrado como banco de investimento. Isso significa que pode realizar operações financeiras voltadas ao mercado corporativo, mas não está autorizado a captar recursos por meio de contas correntes, nem a atuar diretamente no financiamento de empreendimentos imobiliários. Traduzindo para o bom português: o Banco Porto Real de Investimentos nunca pôde funcionar como um banco tradicional. Não podia abrir contas correntes para pessoas físicas, receber salários, manter depósitos à vista ou oferecer os serviços que o consumidor encontra em uma agência bancária convencional. Ainda assim, possuía uma licença bancária emitida pelo Banco Central. E é justamente essa licença que o Nubank foi buscar em Porto Real. Instigante. 

Stellantis vai investir R$ 30 bilhões no Brasil 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na quarta, 22, de uma reunião com o CEO e diretor-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, na qual foi apresentado um plano de investimentos R$ 30 bilhões no Brasil, entre 2025 e 2030, em novos produtos, tecnologias e ampliação da geração de empregos, tanto nas fábricas quanto na cadeia de fornecedores. Também foi anunciada a contratação de 2 mil novos empregados como resultado dos investimentos e da ampliação da produção no Brasil. Na planta de Porto Real serão gerados cerca de 500 novos empregos – 1,5 mil serão abertas em Betim (MG) – impulsionados pela produção do modelo Avenger, que será fabricado pela primeira vez no estado do Rio. Tem mais. A ampliação da capacidade industrial inclui a implantação do segundo turno na unidade do Rio de Janeiro e do terceiro turno na fábrica de Betim. 

 

Prateados no comando

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Da experiência ao crédito, faces do empreendedorismo e consumo ‘50+’ no Brasil

Walter Barros

Claire Lauxen, 57, eleva os joelhos, trava os pés e sobe pela corda. Conhecido como ‘rope climb’, o exercício de Crossfit praticado por ela há quatro anos é uma síntese da escalada da volta-redondense de coração (ela é gaúcha), que resolveu empreender e encarar novos desafios após os 50 anos. Claire não está sozinha. Ela faz parte da geração ‘prateada’, ou ‘50+’, que movimenta quase R$ 2 trilhões por ano no Brasil, permanecendo economicamente ativa por mais tempo e impulsionando o crédito e o consumo no país.

Claire integra a parte empoderada dos ‘prateados’, compostos por ‘Baby Boomers’ e pela ‘Geração X’. Eles respondem por 20% da renda no país, de acordo com dados elencados no livro ‘Brasil velho: bomba fiscal ou vetor de inovação e desenvolvimento?’, de Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo a pesquisadora, essa parte dos ‘50+’ é escolarizada e quer se manter economicamente ativa depois da aposentadoria. Foi o que aconteceu com a ex-gerente bancária, que aproveitou as antigas regras previdenciárias e um programa de demissão voluntária para aposentar-se no final de 2019, após 31 anos de trabalho. 

Ela conta que os efeitos da ausência da convivência com colegas de trabalho e clientes se intensificaram na pandemia, durante o lockdown. “Foi um baque, eu não sabia o que fazer. Fiquei cuidando de casa, não tinha mais ajudante e nem mais assunto para conversar. Com a menopausa, foi um pacote completo: aposentadoria, pandemia, cabelo prateado e a baixa hormonal”, relembra. 

A virada de chave na vida da gaúcha começou quando ela decidiu acompanhar o marido, Iuri Masid, 57, empresário do setor de piso líquido epóxi e resinas especiais, em visitas a clientes. “Uma dessas visitas foi a um laticínio em Paty do Alferes, e eu gostei demais dos produtos. Na terceira ou quarta vez que eu fui até lá, já estava levando encomendas. E, em uma conversa, o dono da fábrica contou que fornecia para lojistas de outras cidades. Nessa hora me deu um brilho nos olhos, é bem mais fácil vender doce de leite do que vender consórcio”, brinca.

Claire também enxergou a oportunidade de transformar em negócio uma garagem ociosa da família: “É uma área que não tem loja de conveniência, não tem padaria, mas onde o pessoal aqui em Volta Redonda caminha, na Beira-Rio”, revela. O planejamento começou em junho do ano passado, quatro meses antes da inauguração. “Chamei uma arquiteta, a gente fez um orçamento. Quando comecei a ver o peso de fazer investimento, contratar contador, achar uma pessoa de marketing para ter conta nas redes sociais, porque eu não tinha essa habilidade, de estragar mercadoria, fui aprendendo muito, até que os negócios começaram a andar. Hoje, estou mais calma, mas disse várias vezes ao Iuri que achava que não daria certo. Mas, com medo ou não, eu fui; era uma questão de honra”, conta.

A empresária que acreditava não ter aptidão para o negócio testemunhou o crescimento de sua loja em poucos meses: contratou um funcionário e implantou canais de compra por delivery dos cerca de 30 produtos do comércio de laticínios e frios ‘Rei do Queijo’. Da experiência como bancária, Claire herdou o gosto por conhecer pessoas e ouvir suas histórias, sem imaginar o valor que a experiência traria para seu empreendimento. Algo que Marlety Gubel conhece como poucos. “Hoje, para você ter ideia, no Brasil, de cada dez startups, oito têm pessoas de 50 anos ou mais em seus quadros. Por quê? Elas são de sucesso. E a coisa do intergeracional, você tem capacidades ou habilidades que são diferentes. No mínimo, o que você tem é que, às vezes, não pode ir tão rápido como gostaria. Então, o pessoal com mais experiência acaba administrando isso de uma outra maneira. E aí você não tem uma coisa de conflito, isso da idade, do etarismo. Na verdade, são habilidades que se complementam”, explica a conselheira em marketing e negócios ‘50+’.

Com passagens pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo e pelo Banco Mundial, Marlety experimentou uma mudança de carreira que a conduziria para a geração ‘prateada’. “Eu cansei um pouco de ficar no setor público, apesar de ter tido uma carreira rápida, e fui trabalhar em marketing para multinacionais. Fiz uma carreira bem grande entre diretora de marketing e diretora de unidade de negócios. Um certo dia – porque a vida corporativa tem uma pressão muito grande, principalmente quando se sobe a determinados níveis de hierarquia -, eu falei ‘não, agora eu quero uma outra coisa para a minha vida’”, relata.

Os novos voos de Marlety Gubel se misturam com as transformações vivenciadas pela geração ‘prateada’ no Brasil, já que ela foi uma das precursoras da elaboração de projetos de vendas multicanal no país. “O primeiro foi em 2010, para a Procter & Gamble, uma coisa muito inicial. Como eu falei, não tinha ainda a venda no celular. Mas eu já tinha feito uma estratégia multicanal, e era isso que eu vendia para o mercado  Acho que havia umas 40 pessoas envolvidas nesse teste de mercado, porque compreendia, pelo menos, três canais: vendas diretas, tipo Avon e Natura; venda inicial de alguma coisa on-line; e a venda dentro das lojas, principalmente farmácias, de redes variadas”, lembra. Segundo ela, um dos fatores primordiais para o sucesso das vendas foi agregar a experiência da geração prateada aos canais, atraindo a atenção de estrangeiros para o projeto. “Peguei mulheres de venda direta, porque era um produto de cosmético, que tinham experiência em uma outra forma de abordagem ao consumidor, os passos de venda por canais, elas variam. Especialmente quando você coloca uma mulher no varejo, dentro de uma farmácia; aquilo lá vendia dez vezes mais do que uma vendedora bonitinha e tradicional. E também já eram ‘50+’”, comenta. 

Mercado prateado

Enquanto empreendem, os ‘50+’ também consomem. Nesse caso, Marlety Gubel explica que, “exponencialmente, um consumidor que antes crescia, trabalhava, se casava, tinha filhos, basicamente, se aposentava com 50 e morria com 60. Hoje, ele vai até 100 anos”. A CEO e fundadora do hub de soluções e negócios ‘Total Commerce 50+’ também salienta que, no ambiente digital, o ticket médio de compras dos prateados é três vezes mais alto do que o do pessoal mais jovem, e destaca o avanço de alguns bancos em direção aos prateados. Esse é o caso do Banco Mercantil, que lançou, em março deste ano, uma central de atendimento dedicada aos clientes ‘50+’, utilizando uma célula especializada de colaboradores prateados que representam 18% da operação. “A aposta na representatividade mostrou resultado: profissionais com vivências, repertórios e ritmo semelhantes aos dos clientes passaram a oferecer um atendimento mais empático, claro e resolutivo”, explica Fabiano Schneider, diretor-executivo de Performance e Atendimento da instituição financeira.

Focado em escuta ativa e linguagem simples, o call center elevou em 18% a taxa de resolução em primeira chamada. Satisfação que pode ajudar a impulsionar ainda mais os números do banco mineiro especializado no público ‘50+’, que encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 254 milhões, em um crescimento de 26% na comparação com o mesmo período de 2024. “Seguiremos evoluindo com disciplina e visão de longo prazo, fortalecendo nossa posição como o melhor ecossistema financeiro para o público ‘50+’”, avalia o CEO do Banco Mercantil, Gustavo Araújo. De acordo com o balanço, a adesão ‘prateada’ aos canais digitais representou 85% das novas operações do banco, cuja carteira de crédito chegou a R$ 21,6 bilhões, imprimindo um aumento de 31% no comparativo com o terceiro trimestre de 2024. Já a carteira de crédito consignado alcançou R$ 14,7 bilhões, uma alta de 44% em 12 meses. Nesse período, a instituição registrou originação de crédito consignado de R$ 4,4 bilhões, traduzindo um crescimento de 26% em relação ao período anterior. Os ‘50+’ também protagonizaram alta anual de 34% nas receitas de prestação de serviços, que alcançaram R$ 235 milhões. 

O foco ‘prateado’ do Banco Mercantil não é à toa. Em junho, os ‘50+’ superaram 62 milhões de pessoas no país, segundo o Contador Populacional ‘50+ SeniorLab’, que se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que a cada 20,2 segundos uma nova pessoa completa 50 anos no Brasil. Em 2025, a pesquisa ‘Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções’ também lançou luz sobre o consumo e a economia prateada no país, responsável por movimentar R$ 1,8 trilhão em 2024. Equivalente a 24% do consumo privado nacional, esse volume deve chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044, representando 35% do consumo domiciliar total. “Eles compram com frequência, porque têm mais dinheiro. As pessoas nunca fizeram tanto esporte, nunca viajaram tanto, nunca o bem-estar foi tão importante. Então, tem toda uma movimentação do varejo e das indústrias de consumo, que já deveria ter começado”, fundamenta Marlety Gubel.

Conduzido pelo Data8, hub de pesquisa, inteligência de mercado e inovação sobre a revolução da longevidade, o estudo vai na mesma direção, revelando que os ‘50+’ movimentaram R$ 247 bilhões em produtos e serviços de saúde em 2024, montante que deve saltar para R$ 559 bilhões em 2044. A pesquisa também mostra uma virada comportamental: a saúde preventiva já faz parte da rotina dessa ‘geração prateada’: 63% realizam check-ups anuais, 46% seguem uma dieta balanceada, 43% controlam o peso corporal e 39% praticam atividades físicas regularmente. 

Lívia Hollerbach, uma das coordenadoras da pesquisa, explica que, após a pandemia, quase sete em cada 10 pessoas passaram a priorizar mais a saúde no cotidiano, reforçando que longevidade e autocuidado se tornaram ativos centrais para esse grupo. Esse também é o caso de Marlety Gubel, corredora, e de Claire Lauxen, que, antes mesmo de empreender, já se deixava ser arrastada para o Crossfit pelo filho Guilhermo, 23. “Eu me descobri lá, tem gente com 20 anos, eles me abraçam, me dão força”, comemora.

Outro lado da prata

Claire Lauxen não depende economicamente de seu empreendimento, mas nem tudo que reluz é ouro para a geração ‘prateada’. Que o diga a pensionista Vera Marli, 75, que vende loterias de capitalização para reforçar a renda da família, atividade que começou há 20 anos, quando ficou viúva. De acordo com a moradora de Resende, que vive com o casal de filhos, os bilhetes que ela comercializa valem muito, ainda que não estejam premiados. “A pensão me ajuda bem, mas não chega a um salário, por causa dos empréstimos que fiz. A venda dos bilhetes me ajuda muito”.

O endividamento de Vera começou por empréstimos consignados com objetivo de abrir uma lanchonete em 2020, empreendimento que acabou quebrando logo no início da pandemia. Ela também não é caso isolado nesse outro lado da prata no Brasil, ofuscado pela necessidade de se manter economicamente ativa para sobreviver. “Eu só não junto porque eu compro as coisas para comer, né? Tem que comprar comida, comprar as coisas”, desabafa. 

A vendedora de bilhetes representa a face de um Brasil despreparado para a geração ‘50+’, na avaliação do empresário Ricardo Meireles, 45, autor da pesquisa ‘Empreendedores 50+: O Futuro do Brasil’. “O ambiente de negócios está marcado por alta carga tributária, burocracia, insegurança jurídica e baixa previsibilidade, fatores que reduzem a competitividade e interesse de quem produz e investe. A idade até 50, 60, 70 deixou de ser um limite para a produtividade, mas o Brasil ainda desperdiça o seu potencial ao criar cada vez mais obstáculos para quem deseja continuar produzindo, investindo e empreendendo. Em uma sociedade que envelhece rapidamente, revisar isso é urgente”, argumenta o publisher da consultoria Empreendabilidade. 

Mórris Litvak, fundador da Maturi, empresa que atua desde 2015 pela inclusão produtiva de pessoas ‘50+’, diz que o empreendedorismo prateado no país é promissor, mas ainda enfrenta desafios importantes. “Muitas pessoas chegam ao empreendedorismo por necessidade, após uma demissão ou dificuldades de recolocação, e nem sempre contam com acesso a crédito, capacitação, orientação em gestão ou domínio das ferramentas digitais”. 

Para quem pretende empreender, a recomendação de Litvak é começar pequeno, validar a ideia, conversar com potenciais clientes e entender se existe demanda real antes de investir mais. “Empreender exige planejamento, disciplina, boa gestão financeira e disposição para aprender, especialmente sobre tecnologia, vendas e gestão. É um caminho que oferece muitas oportunidades, mas não deve ser romantizado”, emenda. 

Por outro lado, o representante da Maturi vê barreiras para os prateados na digitalização da economia, de maneira geral. “Muitas pessoas não cresceram em um ambiente digital, mas isso não significa falta de capacidade. Significa apenas que tiveram trajetórias diferentes. Quando o aprendizado é prático, respeitoso e conectado à realidade das pessoas, a evolução acontece rapidamente. A tecnologia pode ser uma grande aliada dos empreendedores ‘50+’, seja para vender, divulgar o negócio, organizar a gestão ou ampliar sua rede de clientes. O desafio é tornar essa transformação verdadeiramente inclusiva”, defende.

Cléa Klouri, cofundadora do Data8 e uma das coordenadoras da pesquisa ‘Mercado Prateado’, acrescenta que o empreendedorismo ‘50+’ também é uma resposta à falta de oportunidade no mercado formal de trabalho no país. “O desafio agora é converter essa transformação em desenvolvimento econômico. Isso significa investir em prevenção, aprendizagem ao longo da vida, combate ao etarismo e políticas que mantenham as pessoas produtivas, saudáveis e economicamente ativas por mais tempo”, completa.

Cenário se definindo

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Candidatura de Paes é homologada, Ruas perde vice e Garotinho entra no páreo

Mateus Gusmão 

Faltando pouco mais de dois meses para os fluminenses escolherem o próximo governador do estado do Rio, o cenário político começa a ganhar contornos mais definidos. Trata-se de uma das principais eleições da história recente do Rio, que atualmente está nas mãos de um governador interino, o desembargador Ricardo Couto. Durante a semana, o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi confirmado como candidato do PSD ao Palácio Guanabara. O ex-governador Anthony Garotinho venceu a queda de braço interna no Republicanos contra André Português e deverá ser oficializado como candidato. Já o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), sofreu um revés e perdeu o candidato a vice de sua chapa.

No primeiro dia das convenções partidárias, na segunda, 20, o PSD oficializou a candidatura de Eduardo Paes ao governo do estado do Rio. Na convenção, também foram confirmados os nomes de Jane Reis (irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis) como candidata a vice-governadora pelo MDB, do deputado federal Pedro Paulo como postulante ao Senado, além dos candidatos a deputado estadual e federal. “Esta convenção representa a esperança do início de um novo ciclo de desenvolvimento para o estado do Rio. Ela reúne um grupo de pessoas que não pensa igual, mas que tem uma mesma missão: recuperar nosso estado e devolver a ele o lugar que merece no nosso país”, disse Paes.

Segundo o ex-prefeito, mais do que a definição de uma candidatura, a convenção do PSD representa um compromisso com a reconstrução do Estado do Rio. “Este grupo que está aqui comigo é formado por homens e mulheres corajosos, que têm capacidade de comando e gestão para melhorar a qualidade de vida do nosso povo, na capital, na Baixada e no interior. Este é um grupo que não tem medo de ameaça. Que tem serenidade, firmeza e coragem para enfrentar os criminosos que amedrontam nossas famílias e tiram a tranquilidade da população”, completou.

Eduardo Paes foi além. Disse que seu grupo forma uma frente ampla que busca construir consensos com quem pensa diferente. “O Estado do Rio tem pressa, e nós estamos prontos para dar início a esse urgente processo de transformação. Quero firmar, desde já, um compromisso com nossos municípios e com nossos prefeitos. O Estado do Rio vai deixar de virar as costas para as prefeituras e voltar a ser parceiro de quem está na ponta”, pontuou Paes.

Garotinho vence queda de braço

O ex-governador Anthony Garotinho, cada vez mais blogueiro, venceu a queda de braço com o ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português. Os dois disputavam a indicação interna do Republicanos, e a escolha feita pela Comissão Executiva Estadual do partido, em reunião na sexta, 18, ainda precisará ser ratificada na convenção estadual da legenda, amanhã, sábado, 25.
“O Republicanos sairá ainda maior dessa disputa no Rio de Janeiro. Estamos trabalhando muito para que nosso posicionamento de defesa inconteste dos fluminenses se espalhe por todo o estado”, afirmou o presidente estadual da legenda, Luiz Carlos Gomes.

Ruas sem vice

Principal nome da direita na disputa pelo Governo do Estado, o deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj e pré-candidato ao Palácio Guanabara, sofreu um grande revés durante a semana. Indicado pelo PP como candidato a vice-governador na chapa de Ruas, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, desistiu da candidatura. A desistência foi anunciada pelo deputado federal Doutor Luizinho, presidente do diretório fluminense da sigla, afirmando que a decisão teve caráter estritamente pessoal.

“O PP-RJ ressalta que Rogério Lisboa mantém profunda admiração, respeito e amizade por Douglas Ruas, reconhecendo sua trajetória pública, sua capacidade de liderança e sua dedicação ao Estado do Rio de Janeiro”, disse Doutor Luizinho (PP-RJ), em nota oficial. Ainda não se sabe, entretanto, se a saída representa o desembarque do Progressistas da candidatura de Ruas. Quem viver verá!

Sem medo de ameaças  

Na segunda, 20, ao ter sua candidatura confirmada na convenção do PSD, Eduardo Paes foi taxativo. “Nosso grupo não tem medo de ameaças”, disparou ao lado de Jane Reis, candidata a vice-governadora, e do deputado federal Pedro Paulo, postulante ao Senado. “Este grupo que está aqui comigo é de homens e mulheres corajosos, que têm a capacidade de comando e gestão para melhorar a qualidade de vida do nosso povo – na capital, na Baixada e no interior. Este é um grupo que não tem medo de ameaça. Que tem serenidade, firmeza e coragem para enfrentar os criminosos que amedrontam nossas famílias e tiram a tranquilidade da população. Nós formamos uma frente ampla, sem coloração ideológica, que sabe dialogar, que constrói consensos com quem pensa diferente. O estado do Rio tem pressa, e nós estamos prontos para dar início a esse urgente processo de transformação. Quero firmar desde já um compromisso com nossos municípios, com nossos prefeitos. O estado do Rio vai deixar de virar as costas para as prefeituras e voltar a ser parceiro de quem está na ponta”, detalhou Eduardo Paes.

“É um momento histórico e marcante: o projeto de resgate do Rio de Janeiro. Essa nossa aliança é um compromisso desse governo com todas as mulheres, com a Baixada Fluminense, com o interior, com os 92 municípios do estado do Rio. Vamos mostrar que nós temos o único nome capaz de fazer as mudanças de verdade que o estado do Rio precisa. Juntos, faremos o melhor e maior governo do estado do Rio”, comentou Jane Reis.

“O Rio de Janeiro tem pressa para que possamos virar a página da maior crise da sua história. Essa aliança foi construída em favor do Rio de Janeiro. Temos uma chapa diversa, com mulheres, pretos, com pessoas com deficiência. Uma chapa que representa a força da cidade, a pujança da Baixada Fluminense e a força do interior. Uma chapa representativa que vai para a rua com gana para que possamos fazer representar com nossos deputados estaduais as mudanças necessárias na Assembleia Legislativa e com os deputados federais em Brasília para ajudar o nosso estado”, pontuou Pedro Paulo, candidato ao senado.

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