Por Mateus Gusmão
Um duplo homicídio registrado na sexta, 24, chocou os voltaredondenses. Parecia ter
ocorrido na Baixada Fluminense, cujas cidades convivem com altos índices de violência. Em
plena luz do dia, no Núcleo Santa Luzia, na Água Limpa, criminosos dispararam mais de 40
vezes contra um Voyage em que estavam Vitor da Soledade Silva Costa, 28, e Júlio César da Costa Manoelino, 58. Que morreram. O carro em que eles estavam foi interceptado na Rua Eloy Pereira Pimentel, e os assassinos teriam descido de um carro preto, feito os
disparos e fugido. Os assassinatos de Vitor e Júlio César só aumentam uma triste estatística, que está virando coisa comum em Volta Redonda, a da insegurança.
Em março, até o fechamento desta edição, dez mortes violentas já tinham sido registradas na cidade do aço. Algumas, chocantes. Como o caso do triplo homicídio de 2
de março, quando os corpos de Gabriel Toledo, 30; Hygor Martins, 26; e Priscila Cristel de Souza, 35, foram encontrados no Santa Rita do Zarur, com muitas marcas de tiros.
Uma das vítimas estaria até com as mãos amarradas. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio, em janeiro, Volta Redonda registrou quatro homicídios. Em
fevereiro, seis. A maioria, ligada ao tráfico de drogas. O aQui conversou com um agente da Polícia Civil, que, sob anonimato, revelou que briga entre facções criminosas seria o principal motivo das ocorrências. “Há uma guerra entre facções pelo controle de pontos de
venda de drogas. Não da forma que ocorre no Rio de Janeiro, como vemos na TV, mas a disputa por território existe em Volta Redonda e provoca muitas mortes”, disse.
“Há assassinatos que acontecem também – como já tivemos em Volta Redonda – que estão
ligados ao tráfico, mas não à disputa por território. É o caso de um criminoso achar que alguém estaria passando informações para a Polícia ou um grupo rival, alguém que comprou droga e não pagou, entre outros”, acrescentou o policial, ressaltando que a
maioria dos homicídios está ligada à criminalidade. “São crimes difíceis de coibir, essas pessoas se colocam em risco. Vale destacar que não vemos na cidade casos de latrocínio
(roubo seguido de morte) ou de bala perdida”, ponderou.
‘BM terá mais 12 PMs’
Em Barra Mansa, a situação não é diferente. Como o aQui revelou com exclusividade na
edição 1344, traficantes de Angra dos Reis estariam tocando o terror na cidade.
A informação foi divulgada pelo próprio prefeito Rodrigo Drable. Ele tem razão. Segundo dados do ISP, em janeiro e fevereiro deste ano ocorreram 19 assassinatos na cidade. Um
aumento de quase 300% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando ocorreram seis homicídios. “Temos uma migração constante, entre algumas regiões (bairros),
de bandidos ligados ao CV (Comando Vermelho) que vêm do Rio e de Resende para a nossa cidade e praticam crimes aqui (em Barra Mansa)”, acrescentou o titular da Ordem Pública local, capitão Abreu. Abreu destacou ainda que a migração mais comum seria a de
bandidos de Angra dos Reis, que fogem para Barra Mansa e passam a atuar na cidade quando as forças de segurança do Estado aumentam a repressão nas cidades do litoral sul
fluminense. “Também temos criminosos do Terceiro Comando que migram de Angra, de Volta Redonda. É um problema para a nossa cidade”, completou.
A boa notícia é que, segundo o prefeito Rodrigo Drable, o governo do Estado vai deslocar 12 PMs para reforçar o policiamento ostensivo na cidade. A promessa foi obtida por ele junto ao governador Cláudio Castro. “Ele nos prometeu mais 12 policiais militares”, disse ao
aQui. E a medida, segundo uma fonte do aQui, não tem nada a ver com o projeto ‘Segurança Presente’, onde o município fica encarregado de bancar os custos com a presença dos PMs na cidade. “Eles vão aumentar o efetivo da companhia da PM em
Barra Mansa”, disparou.
Janeiro: 4 homicídios
Fevereiro: 6 homicídios
Março: 10 homicídios
Proeis em Volta Redonda
Na segunda, 27, a prefeitura de Volta Redonda
divulgou que está em busca de mais policiais militares
para atender a secretaria de Ordem Pública (Semop),
que quer aumentar o número de PMs do Proeis
(Programa Estadual de Integração na Segurança) na
cidade do aço. Quatro viaturas já teriam sido até
licitadas, e a previsão é de que cheguem em maio,
utilizando 80 policiais que ainda serão capacitados.
Com isso, além do Retiro e Aterrado, outras quatro
regiões ganharão reforço de policiamento, entre elas
as áreas do Jardim Amália, Roma, São Geraldo,
Barreira Cravo e Santo Agostinho. “Nos veículos,
estarão a bordo dois policiais militares e um guarda
municipal”, explicou Luiz Henrique, titular da pasta.
O prefeito Neto, por sua vez, disse que o objetivo
é fazer de Volta Redonda uma cidade referência para
outras na segurança pública. “Estamos levando o
Proeis, junto com a nossa Guarda Municipal, a todos
os bairros possíveis e ampliando o número de
viaturas. Nós vamos fazer da nossa cidade um lugar
que todos sonhamos viver um dia, com muita
segurança”, destacou. Que assim seja…
