Pesquisa aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados no Rio; Paes lidera com folga
Mateus Gusmão
Enquanto milhões de brasileiros voltam os olhos para a Copa do Mundo, o maior torneio de futebol do planeta, os políticos mantêm a atenção e o coração focados em outra peleja: as eleições de 4 de outubro. No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país, com cerca de 13 milhões de eleitores, a corrida pelos votos ganha importância estratégica nos partidos e candidatos. E, como manda o figurino, não faltam pesquisas para medir o humor do eleitorado e a temperatura da disputa.
É por essas e outras que o aQui publica nesta edição dados de uma nova pesquisa da Prefab Future, realizada entre os dias 1º e 4 de junho, com 2.200 entrevistas presenciais em todo o estado do Rio. O levantamento revela um cenário de forte equilíbrio na disputa presidencial, indefinição para o Senado e liderança do ex-prefeito Eduardo Paes na corrida pelo governo do Estado. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, a pesquisa possui margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Lula e Flávio empatados
Se dependesse apenas dos eleitores fluminenses, a disputa pela presidência da República terminaria empatada e o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) teriam que dividir a principal cadeira do Palácio do Planalto. O levantamento aponta empate técnico e numérico entre os dois: Lula (31,9%) e Flávio Bolsonaro (31,8%). Os dois concentram praticamente dois terços das intenções de voto.
Os demais pré-candidatos à presidência aparecem muito distantes dos líderes da pesquisa: o ex-governador de Minas, Romeu Zema (Novo), registra 2,1%; Renan Santos (Missão), 1,9%; Aécio Neves (PSDB), 1,7%; o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa (DC), 1,5%; o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), 1,3%; Cabo Daciolo (PRD), 1,3%; e Augusto Cury 1,2%. Os indecisos somam 13,0% e os votos brancos e nulos chegam a 12,3%.
Outro ponto analisado pelo levantamento é a rejeição dos candidatos. Detalhe: o Instituto Prefab Future utiliza um modelo de rejeição única, diferente da maior parte dos institutos de pesquisa. Nesse formato, o eleitor é obrigado a escolher apenas um candidato em quem jamais votaria. Segundo os técnicos do órgão, o método permite medir com maior precisão o tamanho real da rejeição enfrentada pelos candidatos, evitando a superposição de respostas que costuma ocorrer nos modelos de rejeição múltipla.
Neste cenário, a pesquisa indica que o presidente Lula continua sendo o candidato mais rejeitado pelos eleitores fluminenses, com 43,7%, mas o índice apresenta tendência de queda em relação aos levantamentos anteriores. Já Flávio Bolsonaro registra 33,3% de rejeição e mostra trajetória oposta, acumulando crescimento ao longo dos últimos meses.
Segundo a série histórica da Prefab Future, Lula estaria apresentando crescimento no estado, enquanto Flávio Bolsonaro registraria perda de terreno em comparação aos levantamentos anteriores. “A pesquisa também mostra aumento da rejeição ao senador e redução gradual da rejeição ao presidente”, diz o instituto em nota.
Paes segue na liderança
Se os fluminenses estão divididos entre votar em Lula ou Flávio Bolsonaro para presidente, o mesmo não ocorre quando o voto é para o governo do Estado. O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), segue na liderança e com ampla vantagem para o segundo colocado. Paes tem 35,8% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece o presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), com 8,0%, seguido de perto pelo ex-governador Garotinho (Rep), com 7,8%. Wilson Witzel (DC), que acaba de se lançar pré-candidato, registra 3,7%, enquanto os demais candidatos não ultrapassam 3%.
Eduardo Paes também lidera quando o quesito é rejeição. O ex-prefeito do Rio tem rejeição de 18,5% dos eleitores do Rio de Janeiro. Os ex-governadores Garotinho e Wilson Witzel, por sua vez, têm 16,5% e 15,1%, respectivamente. Cyro Garcia, do PSTU, tem 4,3% de rejeição e o atual presidente da Alerj está com 3,5%.
Eleitores indecisos sobre Senado
Das disputas analisadas pelo Prefab, a do Senado Federal é a que está mais aberta. Este ano, os eleitores irão votar em dois candidatos a senador. Com a saída do ex-governador Cláudio Castro da disputa, a deputada federal Benedita da Silva (PT) assumiu a liderança com 12,1%, seguida por Marcelo Crivella (9,5%) e Márcio Canella (9,2%). Pedro Paulo aparece com 5,6% e Waguinho com 5,2%. O dado que mais chama atenção é o elevado nível de indefinição do eleitorado. Na pesquisa estimulada, 30,9% ainda não sabem em quem votar.
Para o marqueteiro e fundador da Prefab Future, Mário Marques, o equilíbrio entre Lula e Flávio produz reflexos diretos nas disputas ao governo do Rio e ao Senado. “Tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”, opina Marques.
Segundo ele, o desempenho presidencial acaba influenciando a capacidade de crescimento das candidaturas associadas a cada campo político. “Quando a candidatura presidencial não consegue abrir vantagem no principal estado onde sua força deveria ser mais evidente, os candidatos que dependem dessa transferência também encontram mais dificuldades para avançar”, avalia.
Maioria não sabe avaliar governador-desembargador
A pesquisa também avaliou a imagem do governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto. O principal resultado é o desconhecimento da população sobre sua gestão. Segundo o levantamento, 55,5% dos entrevistados afirmam não saber avaliar o governo. Entre aqueles que têm opinião formada, 38% aprovam a administração e 6,5% desaprovam.
De acordo com a Prefab Future, o elevado índice de desconhecimento reflete o pouco tempo de Couto à frente do Palácio Guanabara e sugere que o desafio imediato do governador interino é ampliar seu nível de conhecimento junto ao eleitorado fluminense.
