Números da violência

Roberto Marinho

Como todos os aspectos da vida cotidiana, no mundo inteiro, o perfil da violência também mudou com a pandemia do coronavírus. Em Volta Redonda, não é diferente. Como apontam os números oficiais – em levantamento mensal divulgado pelo ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro) – desde que começou o isolamento social, em meados de março, a ocorrência de alguns tipos de crimes aumentou bastante, enquanto outros apresentaram queda, na comparação com o mesmo período de anos anteriores.
Na cidade do aço, os homicídios caíram na comparação entre janeiro e outubro de 2019 e 2020, embora não de forma substancial como seria de se esperar em meio a uma pandemia. Até outubro do ano passado, foram registrados 72 assassinatos na cidade, contra os 62 contabilizados no mesmo período deste ano. No entanto, a média mensal de homicídios em Volta Redonda está em seis casos por mês em 2020, apenas um caso a menos que a média mensal de 2019. E houve períodos, como entre maio e junho, que a média mensal chegou a dez casos, muito maior que o ano anterior. Ou seja, os assassinatos até caíram, mas não tanto quanto se esperaria em um período de pandemia e isolamento social, com menos eventos e pessoas nas ruas.
Prova disso também é o número de tentativas de assassinato, que aumentou na comparação entre 2019 e 2020: até outubro do ano passado, foram registradas 125 tentativas de homicídio, contra as 161 ocorridas no mesmo período deste ano, um aumento de 28%. Só em outubro passado foram 12 casos, três a mais que os registrados no mesmo mês do ano anterior.
Outro tipo de crime que aumentou bastante durante a pandemia foi o roubo a estabelecimentos comerciais, que passaram de 48 ocorrências entre janeiro e outubro de 2019, para 59 no mesmo período deste ano, um aumento de 22,8%. Além dos ladrões de lojas, quem andou trabalhando bastante também durante a pandemia foram os estelionatários. O número de casos passou de 490 para 736 no período analisado, um aumento de 50,2%. Só em outubro deste ano foram 105 registros, 45% a mais que o registrado no mesmo mês do ano passado, com 72 ocorrências. Os casos de extorsão também tiveram um aumento expressivo, passando de 10 registros até outubro de 2019, para 20 no mesmo período de 2020. Um aumento de 100%. Só em outubro deste ano, foram 4 casos, contra um só registrado no mesmo mês do ano passado.
A violência contra as mulheres também não deu trégua, e o número de estupros aumentou 10% na comparação entre 2019 e 2020. Foram 40 registros até outubro do ano passado, contra 44 ocorrências este ano. Outubro de 2020 teve quatro registros, um a mais que o mesmo mês do ano passado.
Sem gente, sem roubos
No entanto, a ausência de pessoas nas ruas trouxe reflexos diretos para algumas modalidades de crimes, como, por exemplo, o roubo a transeuntes, que caiu 47%, passando de 230 para 122 ocorrências, respectivamente, na comparação entre janeiro e outubro de 2019 e 2020. Os roubos de celular também caíram, de 116 para 68 casos (queda de 41,4%), no mesmo período.
Menos pessoas nas ruas também significa menos automóveis, e isso se refletiu no número de roubos de veículos registrados na cidade: entre janeiro e outubro de 2019 foram registrados 51 roubos, contra 34 no mesmo período deste ano, queda de aproximadamente 25%.
Em Barra Mansa, assassinatos aumentam em 2020
Assim como em Volta Redonda, a pandemia do coronavírus mudou a cara da violência em Barra Mansa. A ocorrência da maioria dos crimes diminuiu na comparação com 2019, com a exceção dos assassinatos: entre janeiro e outubro do ano passado, foram registrados 32 homicídios na cidade, contra 37 ocorridos no mesmo período de 2020. As tentativas de assassinato também aumentaram, passando de 102 para 123 no mesmo período, um crescimento de aproximadamente 20%.

Outro crime que aumentou – embora não violento – foi o estelionato. Até outubro de 2020, foram registrados em Barra Mansa 139 casos de estelionato, contra os 109 ocorridos no mesmo período do ano passado. O aumento foi de cerca de 27,5%, segundo as informações do ISP-RJ. Entre os crimes contra o patrimônio, também houve aumento no número de furto de veículos, que passaram de 57 em 2019, para 80 em 2020, crescimento de 40,4%. O roubo de veículos, no entanto, diminuiu bastante: foram 34 ocorrências entre janeiro e outubro de 2019, contra 16 no mesmo período deste ano, queda de pouco mais de 50%. Lembrando que roubo é quando há grave ameaça ou agressão à vítima, enquanto o furto ocorre sem a presença da vítima.
Também caíram os roubos a estabelecimentos comerciais – passando de 40 até outubro de 2019, para 18, no mesmo período deste ano – além do roubo de aparelhos celulares, que caíram de 20 para 14 ocorrências, na comparação entre os dois períodos, e roubos de carga, que diminuíram de 11 para oito ocorrências. Os estupros também tiveram queda, com 37 registros entre janeiro e outubro do ano passado e 30 no mesmo período deste ano. No entanto, na comparação somente do mês de outubro, em 2019 foram três registros, contra os quatro casos ocorridos em outubro de 2020.

 

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