Barradas no baile

Volta Redonda não elegeu nenhuma mulher para a Câmara de Vereadores

Por Pollyanna  Xavier

            Elas queriam reinar no Palácio 17 de Julho e revolucionar o Poder Legislativo, mas não conseguiram nem uma coisa, nem outra. Apesar da força do gênero, as mulheres ficaram de fora da política voltarredondense. Nenhuma das 185 candidatas à Câmara da cidade do aço conseguiu ser eleita. O mesmo aconteceu com as quatro candidatas à prefeitura: Juliana Carvalho (Psol), Cida Diogo (PT), Dayse Penna (PROS) e Mônica Teixeira (PSTU) nem chegaram perto da vitória. Juliana, a mais votada das quatro, obteve 3.588 votos, representando apenas 2,40% da totalidade dos votos válidos para prefeito. A baixa feminina nas eleições 2020, curiosamente, só aconteceu em Volta Redonda. Na região, várias cidades elegeram pelo menos uma mulher para o Parlamento local. 

            Dos municípios vizinhos, o que mais elegeu mulheres para a Câmara foi Barra Mansa. Lá, dos 19 vereadores eleitos, quatro são mulheres. Rayane Braga (PSL), Cristina Magno (PP), Luciana Alves (DC) e a professora Fernanda Carneiro (PT) formam a bancada feminina do legislativo barramansense. Atrás de Barra Mansa aparecem Resende e Barra do Piraí, que elegeram, cada uma, duas mulheres para a Câmara. Porto Real, Quatis e Pinheiral elegeram, cada, pelo menos uma vereadora. Em Porto Real, cidade com pouco mais de 15 mil eleitores, a candidata Fernandinha (PDT) foi reeleita com 426 votos. Ela é mulher do atual prefeito, Ailton Marques, que não conseguiu se reeleger e perdeu a disputa para o deputado federal Alexandre Serfiotis. 

            Em Volta Redonda, a ex-vereadora América Tereza (PSC) foi a que mais teve votos entre as mulheres, mas apesar do desempenho positivo acabou ficando como suplente. Ela obteve 1.259 votos, quase o dobro do vereador Paulinho AP (DEM), que conseguiu uma cadeira com apenas 753 votos. América foi vereadora por cinco mandatos, chegou a ser prefeita por três dias, em agosto de 2018, mas, na dança das cadeiras deste ano, acabou perdendo o assento. No Facebook, América se manifestou. “Eu fui a mulher mais votada na cidade, mas isso não foi o suficiente”, lamentou.

Outra que também não conseguiu permanecer sentada foi a vereadora Rosana Bergone (PRTB). Ela obteve 762 votos e vai ter que passar a cadeira no dia 31 de dezembro. Bergone foi vereadora por um único mandato e é autora de 13 leis municipais, três delas voltadas para os direitos da mulher. Uma delas é a Lei 5.553, que cria o programa Creche Solidária, que disponibiliza vagas em creches para filhos de mulheres vítimas de violência. “Tenho certeza que fizemos o nosso melhor”, escreveu em sua página no Facebook, um dia após a votação. 

A baixa feminina nas eleições 2020, em Volta Redonda, contou ainda com duas particularidades curiosas. A primeira foi a candidata pelo Solidariedade, identificada nas urnas apenas como Elaine, que não obteve nenhum voto sequer. Ou seja, ela não votou nela mesma. Fica a impressão de que foi vítima da obrigatoriedade dos partidos em registrar 30% de candidaturas femininas para fechar suas composições. Como nem sempre eles conseguem, acabam lançando candidatas que não conseguem nenhum voto sequer. Nem o delas mesmas. 

 A segunda particularidade é tão curiosa que chega a ser irônica. É que o Partido da Mulher Brasileira (PMB) conseguiu uma cadeira na próxima legislatura municipal, mas – pasmem – quem se sentará nela é um homem: o desconhecido Cacau da Padaria, eleito com 992 votos. 

Coronavírus atrapalhou

Segundo o apurado pelo aQui no site do TSE, Volta Redonda teve 563 candidatos a vereador nestas eleições. Do total, 185 ou 32,8% eram mulheres. Outras quatro candidatas entraram na disputa para a prefeitura, representando 30,7% dos candidatos ao cargo de prefeito. Nenhuma mulher entrou, nem na Câmara muito menos na prefeitura. Há quem aposte que a pandemia afastou os eleitores do grupo de risco, prejudicando o desempenho de muitas candidatas. Pode ser, afinal Volta Redonda tem 222.991 eleitores, mas apenas 166.140 (74,5%) compareceram às urnas para votar. O número de abstenções é considerado o maior na história eleitoral da cidade.

Votando ou não votando, segue o baile, mas sem as mulheres fica mais do mesmo. 

 

Confira o desempenho das mulheres nas câmaras de vereadores da região:

 

Barra Mansa: 19 vereadores – 4 mulheres:

Rayane Braga (PSL)

Cristina Magno (PP)

Luciana Alves (DEM)

Professora Fernanda Carneiro (PT)

 

Barra do Piraí: 11 vereadores – 2 mulheres

            Kátia Miki (Cidadania)

            Roseli Enfermeira (Patriota)

 

Porto Real: 11 vereadores – 1 mulher

            Fernandinha (PDT)

 

Quatis: 9 vereadores – 1 mulher 

            Maria Rosa (PSL) 

 

Pinheiral: 9 vereadores – 1 mulher

            Carina Valim (PSL)

 

Resende: 17 vereadores – 2 mulheres

            Marcia Lima (Republicanos)

            Soraia Balieiro (PSD)

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