Barbárie

Morreu a pequena Ketelen, de 6 anos, que foi espancada pela madrasta e pela mãe em Porto Real

A pequena Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, morreu na madrugada sábado, 24, em Porto Real. Ele foi covardemente agredida pela mãe, Gilmara Oliveira de Farias, e pela madastra, Brena Luane Barbosa Nunes, durante três dias seguidos na casa em que todas viviam no Jardim das Acácias, bairro de Porto Real. A criança deu entrada no Hospital São Francisco de Assis no início da tarde do dia 19, com politraumatismo, já em coma arreflexo (sem reflexos) e foi transferida entubada para a UTI pediátrica do Neovida, em Resende. 

Dois dias depois, exames clínicos e de imagem levaram os médicos a desenganá-la, devido ao quadro gravíssimo. Na ocasião, os médicos disseram que se ela sobrevivesse, certamente vegetaria. Na sexta, 23, a criança teve uma piora, apresentando morte cerebral e na madrugada de hoje ela acabou sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. A mãe da menina, Gilmara Oliveira de Faria e a companheira dela, Brena Luane Barbosa Nunes, estão presas desde o dia 19 em um presídio feminino de Bangu e vão responder por assassinato e crime de tortura. 

A morte de Ketelen, de 6 anos, chocou os moradores de Porto Real. Ela foi brutalmente espancada por Brena Luane Barbosa Nunes (foto), companheira da sua mãe, Gilmara Oliveira Faria (na foto ao lado da menina), dentro da casa em que elas viviam  com outras pessoas no bairro Jardim das Acácias, um dos mais violentos da pequena e bucólica cidade, que já convive com a guerra do tráfico. O fato veio à tona na segunda, 19, mas a Polícia desconfia que a criança estaria sendo agredida com frequência.
Ketelen, conforme consta do Boletim de Ocorrência, teria sido torturada por três dias seguidos, até ser socorrida pela ‘avó’, Rosangela, mãe de Gilmara, que acabou sendo acusada de omissão por não ter denunciado as agressões. Com hematomas por todo o corpo, especialmente na barriga, costas e face, a menina foi levada pela avó e pela mãe ao Hospital Municipal São Francisco de Assis. 
Segundo relatos de Rosangela, a criança vinha sendo espancada desde sexta, 16, e na segunda, 19, acordou estranha, imóvel e com os olhos arregalados. Ao ser chamada por Rosangela, Gilmara teria se desesperado, tendo chamado uma ambulância do SAMU. No hospital, as duas omitiram as agressões e Gilmara teria dito que um mourão teria caído sobre a cabeça da filha. A história não convenceu os médicos, que chamaram a Polícia.
Pressionadas, Gilmara e Rosângela teriam admitido a agressão e contaram que Brena, com quem Gilmara vive, seria a autora. Ainda no hospital, as duas mulheres indicaram à Polícia o endereço da casa e acompanharam os policiais até o local, no bairro Jardim das Acácias, que é dominado por uma facção rival a de outros bairros da cidade e é considerado o mais violento de Porto Real. No imóvel, Brena ao avistar a chegada dos policiais teria tentado fugir pelos fundos, mas foi alcançada.
Gilmara e Brenda foram presas em flagrante. Como Ketelen morreu, a acusação passou a ser de homicídio. Rosângela, avó da criança, também foi levada à delegacia, mas foi liberada e responderá em liberdade por omissão.
O caso da pequena Ketelen é muito parecido como o do menino Henry Borel, morto no dia 8 de março, depois de ser agredido pelo padrasto, o vereador do Rio, Dr. Jairinho, e sua companheira, mãe da criança, a professora Monique Medeiros. Ambas as crianças foram agredidas em casa, por quem deveria protegê-las. A história da menina de Porto Real é assustadora pela riqueza de detalhes relatados nos depoimentos das envolvidas e que vieram à tona.
Segundo documentos que o aQui teve acesso, Brenda teria desferido socos, chutes, pisadas, pauladas contra Ketelen e teria até arremessado a menina contra a parede do quatro por várias vezes. Os autos dizem ainda que Brenda jogou a criança e a própria Gilmara de um barranco de cerca de sete metros de altura e que a criança só não foi parar lá em baixo, porque a mãe a teria segurado.
Na casa, além de Brena, Gilmara e Ketelen, moravam Rosângela e ainda a avó de Brena, uma senhora de 86 anos, que não teve o nome revelado. Essa senhora também teria sofrido maus tratos por parte de Brena, mas Rosangela nunca denunciou a própria filha por medo. Gilmara e a filha vieram de Duque de Caxias e estavam em Porto Real há aproximadamente 10 meses, quando o namoro das duas começou.
Na delegacia, a mãe da menina contou o motivo das agressões: disse que Brena teria ciúmes de Ketelen com a mãe e que na sexta, 16, teria passado a agredi-la de forma descontrolada, porque a criança teria aberto duas caixas de leite simultaneamente. Brena tem pelo menos quatro passagens pela Polícia. Ela teria, por exemplo, agredido a própria mãe no meio da rua, na frente de vizinhos. Teria batido na avó, além de ter quebrado um dedo de um policial militar e esfaqueado uma ex-namorada. Na garota, Brena teria usado madeira e fio de cobre para agredi-la.  
Tanto os guardas municipais quanto os policiais militares que viram a menina no Pronto Socorro disseram que o estado fisiológico da criança era deplorável. Ketelen foi submetida a uma tomografia de crânio que indicou uma lesão cerebral grave com comprometimento neurológico, em seguida foi intubada e transferida para a UTI pediátrica do Hospital Neovida, de Resende. Os boletins médicos da criança revelavam lesão neurológica considerável e o temor era que se a criança morresse, passasse a viver em estado vegetativo.
  O caso gerou repercussão na região, tanto pela covardia com a criança quanto pela semelhança com o caso Henry Borel. Na terça, 20, depois que um boato circulou na internet dando conta que Ketelen teria sofrido morte cerebral, o prefeito Alexandre Serfiotis gravou um vídeo e emitiu nota sobre o estado de saúde da criança. “Felizmente a menina está viva. Está muito grave, mas com quadro inalterado, com prognóstico reservado e estável”, disse o prefeito. Até o fechamento desta edição, ontem, sexta, 23, K.V permanecia internada na UTI Pediátrica do Neovida, em Resende, com quadro gravíssimo e em coma. 

 

Boato – Diante a repercussão negativa que o caso gerou em Porto Real e região, atraindo os olhares das forças de segurança, traficantes do Jardim das Acácias teriam jurado de morte tanto Brenda quanto Gilmara. As duas foram ouvidas em audiência pelo juiz de Porto Real, Marco Aurélio da Silva Adonia, tiveram decretada a prisão preventiva e deverão ser transferidas, da Cadeia Pública de Volta Redonda para onde levadas, para um presídio na capital, onde aguardarão julgamento. As duas teriam confessado o crime.   

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