Nada bom

Volta Redonda deve receber 3 mil doses de CoronaVac para atender uma fila de 7 mil pessoas que esperam pela segunda dose da vacina

Os números oficiais não mentem, dizem as autoridades. Mas podem ser conflitantes, acrescentamos nós, do aQui. A discrepância, por exemplo, existe entre os números de óbitos pela Covid-19 disponibilizados – e mal – pela secretaria de Saúde de Volta Redonda e os que são fornecidos pela secretaria estadual de Saúde (SES). São 801, garante a primeira, referindo-se ao período de março de 2020 – data do primeiro caso – e 30 de abril de 2021. São 847, informa a segunda, para o mesmo período.
A verdade é que os números nunca bateram, tanto no governo Samuca quanto no governo Neto; e existem várias versões para a diferença no número de mortes ocorridas na cidade do aço. Pior. Volta Redonda está quase atingindo a marca de 1.000 mortes pela Covid-19, o que deverá ocorrer, se um milagre não acontecer, no final de junho ou início de julho.
“Volta Redonda registra uma média de duas mortes por dia”, revela um dos envolvidos no combate à pandemia. “A média é de 57 mortes por mês desde o início da pandemia, em março do ano passado. São quase duas mortes por dia”, lamenta, adiantando que o mês de abril de 2021 foi o pior de todos. Ele tem razão. Foram, nada mais nada menos, 211 óbitos, segundo a SES. E 177, segundo a pasta municipal. “As pessoas estão morrendo e para elas (autoridades) está tudo bem. O comércio está aberto, o shopping funciona até às 22 horas, até parquinho de diversões recebe crianças e adultos que teimam em sair de casa”, pontua, de forma crítica, lembrando que às vésperas do Dia das Mães, pressionada por lojistas, a prefeitura deu uma ‘liberada geral’ como definiu ironicamente.
As 801 pessoas que morreram – ou 847, segundo o governo do Estado – dariam para encher as arquibancadas do ginásio da Ilha São João. Ou o moderno teatro do Colégio Getúlio Vargas. Corresponde ao dobro do número de torcedores que assistiam, na maioria das vezes, aos jogos do Voltaço no estádio Raulino de Oliveira antes da Covid-19 matar o primeiro voltarredondense.
Veja e compare os óbitos fornecidos pelas secretarias de Saúde do estado e do município:

Óbitos pela secretaria estadual de Saúde em 2021 até 30 de abril
Abril: 211
Março: 98
Fevereiro: 64
Janeiro: 112

Óbitos pela secretaria estadual de Saúde em 2020
Dezembro: 42
Novembro:12
Outubro: 33
Setembro: 25
Agosto: 69
Julho: 60
Junho: 22
Maio: 25
Abril: 10
Março: 1

Óbitos pela prefeitura de Volta Redonda em 2020
Março: 1
Abril: 11
Maio: 21
Junho: 32
Julho: 59
Agosto: 59
Setembro: 30
Outubro: 29
Novembro: 17
Dezembro: 28

Óbitos pela prefeitura de Volta Redonda em 2021
Abril = 177 óbitos
Março = 98 óbitos
Fevereiro = 68 óbitos
Janeiro (de 5 a 29) = 81 óbitos.

 

Vacinação

Calcanhar de Aquiles do governo Neto, a vacinação em Volta Redonda está gerando uma chuva de críticas dos internautas e da população, especialmente os idosos, que tomaram a primeira dose da CoronaVac e agora rezam para que novas doses cheguem e eles possam ser vacinados. Entre hoje, sábado, 15, e amanhã, domingo, 16, a previsão é que mais um pequeno lote chegue, afinal a SES informou ontem, sexta, 14, que iria distribuir 184.200 doses de CoronaVac aos 92 municípios fluminenses. Ou seja, uma mixaria, não mais que três mil, será entregue e vai acabar em poucas horas, assim que a prefeitura passar a vacinar os volta-redondenses. Detalhe: segundo fontes, Volta Redonda conta hoje com 7 mil idosos à espera da segunda dose da CoronaVac.
Tentando livrar a barra da secretária de Saúde, Conceição Souza, responsável pelas trapalhadas na organização e pelo descontrole no esquema de vacinação, o prefeito Neto garantiu que toda e qualquer dose de CoronaVac que chegar neste final de semana será destinada às pessoas que tomaram a primeira dose da CoronaVac até o dia 7 de abril.

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