Benefício em parcelas

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Metalúrgicos aprovam proposta, e pagamento deve ser feito no início da semana. 

Pollyanna Xavier

Com transmissão em tempo real no final da tarde de quarta, 27, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Odair Mariano, anunciou o resultado da votação do Acordo Coletivo da CSN para 2026/27: os trabalhadores aprovaram a proposta da empresa, com quase 60% dos votos, o que surpreendeu o líder sindical. Ele esperava a rejeição, já que a proposta não contemplaria nada do que foi pedido na mesa de negociações. “Esse é o resultado, essa é a vontade do trabalhador”, afirmou. A votação foi eletrônica, acabou em menos de 10 minutos, com 4.577 votos a favor (59,68%) e 2.982 contra (38,88%). As abstenções somaram 110 votos (1,43%). 

A proposta da CSN foi seca. Não contemplou o INPC pleno (4,11%) para todos os trabalhadores, apenas para aqueles que recebem até R$ 5 mil. Acima deste valor, o reajuste será de apenas 1%. O que pode ter pesado na decisão foi o abono. A empresa ofereceu 2,2310 salários nominais, com pagamento parcelado em duas vezes: a primeira pode ser depositada até terça, 2 de junho, e a segunda somente em novembro. A proposta aprovada também prevê uma carga extra de R$ 900 no cartão-alimentação, dividida em duas parcelas de R$ 450, sendo que a primeira já foi liberada ontem, sexta, 28, como compensação pelo banco de horas, além de um auxílio-creche no valor de R$ 769,20. Imediatamente após o resultado, o Sindicato oficializou a CSN sobre a aprovação, para que o acordo fosse assinado e a empresa pudesse iniciar os pagamentos.

O ACT 20026/27 da CSN foi decidido em apenas três rodadas com o Sindicato. A primeira reunião, no início de maio, serviu apenas para leitura e entendimento da pauta, que, inclusive, estava bem elaborada, com 27 reinvindicações que iam de mudanças no plano de saúde, banco de horas, reabertura do Recreio do Trabalhador e até ideias inovadoras voltadas às mulheres metalúrgicas. Tudo foi solenemente ignorado. Na segunda rodada, a CSN apresentou uma proposta muito abaixo do esperado, que acabou rejeitada. 

Na terceira reunião, realizada no dia 21 de maio, a empresa apresentou a proposta que acabou sendo levada à apreciação dos trabalhadores e aprovada, mesmo com o Sindicato afirmando publicamente que não estava satisfeito e que não faria campanha pela aprovação.  Após o resultado, metalúrgicos que votaram contra lotaram as redes sociais do Sindicato, criticando a aprovação. “Neste momento os donos estão dando risada de todos, um ano divide em duas vezes e no outro não dá nada”, comentou um. “Os trabalhadores da CSN recebem o que merecem. Os caras aceitam uma proposta de migalha”, reclamou outro. Há ainda quem duvidou da transparência do voto eletrônico: “alguém já viu algum dia o não ganhar na votação eletrônica? Tem que ser voto de papel na urna”, escreveu outro internauta.  

Para Odair, o resultado representou a escolha dos trabalhadores, e não do Sindicato. Em relação à metodologia eletrônica, o líder sindical reforçou que o sistema é seguro e aprovado pelo Ministério Público do Trabalho.