Grupos vulneráveis

Volta Redonda teve 468 idosos vítimas de crimes em 2020

Roberto Marinho

Assim como as crianças, jovens e deficientes, os idosos são considerados um grupo vulnerável em relação à segurança pública. E os dados oficiais mostram que nada menos que 468 idosos foram vítimas de crimes em Volta Redonda no ano passado. Os números foram colhidos pelo ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro) junto às delegacias de Polícia Civil de todo o estado, e representam as ocorrências registradas em 2020. Em Volta Redonda, os maiores de 60 anos foram atingidos por crimes que vão desde a ameaça e estupro, até tentativa de homicídio e lesão corporal dolosa.
Mas o crime que mais vitimou os idosos na cidade foi o estelionato: foram 237 vítimas, o maior número nos últimos seis anos. Na verdade, eles formam quase um terço do total de 921 vítimas desse delito em Volta Redonda no ano passado. O estelionato atinge de forma praticamente igual homens – 130 indivíduos (54,9% das vítimas) – e mulheres – 107 casos (45,1%). Na maior parte das ocorrências não há informação sobre o criminoso (66,7%) ou ele não tem nenhuma relação com os lesados (27,4%). Mas há casos de idosos enganados por parentes (três casos ou 1,2%), colegas de trabalho (dois registros, correspondente a 0,8%) e filhos ou enteados (um registro, ou 0,4% do total). Em 3,4% dos casos – oito ocorrências – os criminosos e as vítimas tinham outra relação, não especificada. E os estelionatários não têm realmente nenhum escrúpulo quanto à idade das vítimas: quatro delas tinham mais de 90 anos.
O segundo crime que mais vitimou pessoas idosas na cidade foi a ameaça, que teve 73 casos registrados. As mulheres foram as maiores vítimas, com 56,2% das ocorrências, e os homens representaram 43,8% dos registros. Assim como no caso das crianças, que o aQui trouxe na edição passada (número 1.261), o perigo está próximo ou dentro de casa: em mais da metade das ocorrências (54,7%), o denunciado conhecia a vítima. Eram companheiros (12,3%); amigos, vizinhos ou conhecidos (9,6%); ex-companheiros (8,2%); filhos ou enteados (8,2%); e outros parentes (8,2%). Em outros 12,3% dos casos, a relação entre a vítima de ameaça e o agressor não foi especificada. Apenas em cerca de um terço dos registros (32,1%) não há nenhuma relação entre os dois, enquanto em 8,2% dos casos não há informações. As vítimas mais velhas tinham 82 anos (4 casos), e as mais novas 60 (cinco registros), mas a maioria tinha 64 anos (13 casos).
Os idosos também foram vítimas de crimes violentos, como a lesão corporal dolosa – basicamente, agressão física – que atingiu 44 pessoas em 2020. Foi o maior número de casos nos últimos três anos. Os homens (63,6%) foram os mais agredidos, com as mulheres representando pouco mais de um terço das vítimas (36,4%). Os agressores também eram próximos das vítimas em grande parte dos casos: filho ou enteado (22,7%); outros parentes (11,4%); companheiro (6,8%); ex-companheiro (4,5%); pai, mãe, padrasto ou madrasta (4,5%). Apenas em 31,8% dos casos não havia relação entre agressor e vítima, e em 18,2% dos casos não há nenhuma informação. As vítimas mais velhas – três pessoas – tinham 82 anos quando foram agredidas.
Embora não tenha havido nenhum homicídio de pessoa idosa no ano passado, foram quatro tentativas de assassinato, o maior número de casos dos últimos três anos. Três vítimas eram homens e uma mulher. Em um dos casos, o agressor foi o filho ou enteado. Nos outros, não há informações sobre o autor do crime. Houve ainda um caso de estupro, de uma mulher de 69 anos, que não tinha nenhuma relação com o agressor, e ainda um caso de importunação sexual, com vítima do sexo feminino, de 60 anos, sendo o agressor um parente, não especificado.
Os idosos em Volta Redonda também foram vítimas de maus tratos, com o registro de duas mulheres, de 73 e 80 anos, abusadas por parentes. Uma idosa de 60 anos foi vítima de omissão de socorro, com o responsável sendo uma pessoa da relação dela, não especificada. Outras quatro pessoas maiores de 60 anos foram vítimas de violação de domicílio, sendo três mulheres. Na metade dos casos, o invasor era alguém conhecido, seja um amigo, vizinho, conhecido (25%) ou o companheiro (25%). No restante dos casos, não há informação sobre o criminoso.
Também foram registrados dois casos de exposição a perigo da integridade e saúde física e psíquica do idoso. As vítimas tinham 66 e 71 anos, sendo um homem e uma mulher, embora a idade de cada um não seja especificada. Em um dos casos o responsável pela conduta perigosa foi o filho ou enteado, e no outro não havia nenhuma relação entre a vítima e o autor. Os idosos foram vítimas ainda de extorsão (4 casos), metade deles cometido por algum parente ou pessoa do ambiente de trabalho; dano (10 registros), sendo também a metade cometida por parentes ou conhecidos; calúnia (4 casos), em 25% dos casos cometidos por amigo, vizinho ou conhecido; difamação, com seis ocorrências, o maior número nos últimos seis anos.
A injúria, que é a ofensa contra alguém, foi cometida contra 52 idosos em Volta Redonda no ano passado. As mulheres são a maioria das ofendidas, com 73,1% dos casos, e como nos outros casos, os agressores geralmente estão próximos da vítima. A maior parte das ofensas – 23,1% dos registros, o que corresponde a 12 casos – foi cometida por filhos ou enteados. Em 32% dos casos, o ofensor ou ofensora era amigo, vizinho ou conhecido, parente, companheiro ou ex- companheiro da vítima. Quatro delas tinham mais de 80 anos.
O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa é 15 de junho, e o mês é marcado por uma campanha de prevenção à violência contra os idosos, o Junho Violeta. Para denunciar casos de violência contra idosos, existe o Disque 100, do governo federal. Em caso de urgência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190.

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