domingo, maio 3, 2026
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Por um Código de Ética para o STF

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Volto a comentar com os amigos leitores a posição do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) em relação ao Supremo Tribunal Federal. Estamos defendendo um código de ética para a Corte, além de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de transparência a ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Por meio dessa proposta, buscamos a publicidade de tudo o que acontece no Supremo, sem sigilos indefinidos; que as audiências sejam todas públicas — sem amesquinhar o papel dos advogados nas chamadas sessões virtuais — e, por fim, que os despachos proferidos monocraticamente sejam julgados, já na sessão ou semana seguinte, pelo plenário ou pela turma correspondente.

Evidentemente, essa PEC não é um ataque aos Ministros do Supremo Tribunal Federal, o que, aliás, nunca fiz, sempre me opondo a tal postura. O objetivo é que voltemos a ter um Supremo com respeitabilidade nacional, para que se perceba, efetivamente, que sua função é ser guardião da Constituição, não um legislador positivo ou um administrador ad hoc.

Assim, o que o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) — a Casa paulista do jurista, que congrega mais de mil juristas de diversos Estados e é palco de debates sobre as grandes questões nacionais desde 1874 — está propondo, em nome de sua tradição, é uma solução efetiva para a atual crise de credibilidade da Suprema Corte.

É necessário que nossos atuais Ministros — que são ótimos juristas e cuja qualidade reconheço, tendo com muitos deles livros escritos e participado de bancas de doutoramento — atuem para que a Suprema Corte volte a ser o que era na época daqueles magistrados que a tornaram a instituição mais respeitável do Brasil.

Portanto, reitero que não estamos fazendo nenhum ataque ao Supremo, mas sim agindo em defesa da Instituição, de modo que os Ministros percebam a necessidade de a Corte retomar o prestígio e a confiança que sempre a caracterizaram.

Nessa esteira, sou contrário ao impeachment de Ministros do Supremo Tribunal Federal. Defendo, contudo, que eles voltem a atuar estritamente como julgadores, e não como atores políticos, despojando-se de preferências ideológicas para decidirem exclusivamente à luz de um Direito que não lhes cabe criar.

Significa dizer que não compete ao STF declarar que o Poder Legislativo é incapaz de exercer sua função para, a partir de então, assumir a tarefa de elaborar a lei. É imperativo que respeite as competências dos demais Poderes, ainda que discorde de suas decisões.

Nesse sentido, destaco um julgamento específico que me impressionou profundamente pela sua relevância e desdobramentos. Já sob a égide da Constituição de 1988, discutia-se a demarcação de uma faixa de fronteira entre os Estados do Acre e de Rondônia, tendo por relator do processo o Ministro José Néri da Silveira. Naquela ocasião, fui consultado pelo governo de Rondônia para elaborar um parecer sobre a questão.

Manifestei-me favoravelmente à tese de Rondônia, com base no artigo do Ato das Disposições Transitórias, que resultara de um acordo prévio firmado entre Amazonas, Acre e Rondônia, estabelecendo que aquele território deveria ser destinado a Rondônia, por força da delimitação de uma Comissão para isto designada.

Já o Ministro Néri entendia que a área deveria permanecer com o Acre, sob o argumento de que, à data da promulgação da Constituição, a região estava sob seu domínio.

Contudo, diante da referida previsão constitucional, o Ministro José Néri manifestou-se da seguinte forma: embora mantivesse sua convicção pessoal a favor do Acre, decidiu em conformidade com o meu parecer, o qual transcreveu integralmente em sua decisão. Declarou-se, naquele momento, um ‘escravo da Constituição’, decidindo em favor do Estado de Rondônia, apesar de entender que seria mais justo o território continuar com o Acre.

Ou seja, mesmo possuindo uma posição pessoal distinta, preferiu cumprir o texto constitucional do que reescrevê-lo. É exatamente essa a postura que, em minha opinião, o Supremo Tribunal Federal deveria adotar de forma permanente. O Ministro José Néri foi, sem dúvida, um exemplo de integridade moral e intelectual na Suprema Corte e uma das figuras mais notáveis daquele tribunal.

Portanto, o público leitor há de compreender que, ao defender a posição do IASP e das entidades coirmãs (OAB/SP, AASP, Conselho Superior de Direito da Fecomercio/SP, entre outras), não me manifesto contra os Ministros — a quem respeito —, mas contra decisões com as quais não concordo por não estarem baseadas na Constituição.

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), entre outras.
Foto: Andreia Tarelow 


O poder da espiritualidade na saúde mental

O poder da espiritualidade tem impacto positivo na saúde mental, atuando como um recurso para reduzir estresse, ansiedade e depressão, e promovendo maior bem-estar, otimismo, pensamento positivo e qualidade de vida.

A espiritualidade e a saúde mental estão essencialmente ligadas, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecendo a espiritualidade como uma dimensão importante da qualidade de vida e do bem-estar integral. Estudos científicos demonstram que uma vida espiritual ativa pode ser um fator protetivo contra diversos problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e comportamento suicida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a espiritualidade como uma dimensão fundamental da saúde e do bem-estar integral. Em 1998, a OMS atualizou sua definição de saúde para incluir o bem-estar físico, mental, espiritual e social, afirmando que não se trata apenas da ausência de doença. 

Quando um indivíduo se sente incapaz de encontrar um significado para os eventos da vida, como a doença, ele sofre pelo sentimento de vazio e desespero. Porém, a espiritualidade oferece um referencial positivo para o enfrentamento da doença, e ajuda a suportar melhor os sentimentos de culpa, raiva e ansiedade.

A espiritualidade proporciona crescimento nos vários campos do relacionamento: no campo intrapessoal (consigo próprio), gera esperança, altruísmo e idealismo, além de dar propósito para a vida e para o sofrimento; no campo interpessoal (com os outros) gera tolerância, unidade e o senso de pertencer a um grupo; no campo transpessoal (com um poder supremo), desperta o amor incondicional, adoração e crença de não estar só. Tais atitudes podem mobilizar energias e iniciativas positivas, com potencial para melhorar a qualidade de vida da pessoa.

 A espiritualidade colabora para a melhora da saúde graças a vários fatores. Há um melhor estado psicológico (por trazer esperança, perdão, altruísmo e amor) e, consequentemente, melhor estratégia para lidar com problemas e redução do estresse. Isto gera equilíbrio das funções orgânicas controladas pelo sistema nervoso, como a produção de hormônios e a imunidade, afirmam o Dr. Marcelo Saad, Doutor em Ciências; Membro do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil e a Dra. Roberta de Medeiros, Bióloga, Doutora em Fisiologia; Professora titular de Fisiologia do Centro Universitário São Camilo – São Paulo (SP), Brasil.

Prof. Dr. Inácio José do Vale, Psicanalista Clínico, PhD.

Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade Dom Alberto (RS).

Psicologia, Educação e Desenvolvimento pela Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (SP).  Especialista em Psicologia da Saúde pela Faculdade de Administração, Ciências e Educação-MG.

Doutorado em Psicanálise Clínica pela Escola de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea. Rio de Janeiro-RJ. Cadastrada na Organização das Nações Unidas – (ONU).

Se a moda pega…

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REGIÃO: Municípios fluminenses passam a cobrar taxa de turistas; Itatiaia diz que nem pensa nisso

Por Pollyanna Xavier 

Em 2025, o estado do Rio bateu recorde de melhor desempenho do turismo internacional de toda a sua história: cerca de 2,2 milhões de turistas ao longo do ano – um número nunca antes alcançado e que representou um aumento de 43,7% em relação a 2024, e de incríveis 75% se comparado a 2019, período anterior à pandemia. 

Sim, as cidades fluminenses receberam, juntas, exatos 2.196.443 visitantes, e os destinos mais procurados foram a capital, Angra dos Reis e a Região dos Lagos (Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo). O que quase ninguém sabe é que Angra dos Reis e Cabo Frio instituíram uma taxa para que turistas possam entrar em seus territórios. Se a moda pegar, cidades da região, como Itatiaia, podem ir pelo mesmo caminho. 

A cobrança, acredite, não é ilegal, e no caso de Angra de Reis, paraíso para quem é de Volta Redonda e Barra Mansa, ela é recente. Começou a ser cobrada no dia 1º de janeiro deste ano e foi instituída pela prefeitura local com a justificativa de financiar a ‘preservação ambiental, a infraestrutura turística, a segurança e demais serviços ligados ao turismo’. 

A cobrança corresponde à Taxa de Turismo Sustentável (TTS) e é feita de forma progressiva e diferenciada, com valores que variam de R$ 23,75 para os turistas que ficarem até sete dias na cidade, e R$ 47,50 para aqueles que incluírem a Ilha Grande no roteiro. A lei que criou a cobrança prevê um acréscimo por cada dia extra e ainda um valor progressivo que aumentará gradualmente até 2028, chegando a, pasmem, R$ 95,00 para os passeios que incluírem as ilhas. 

A cobrança em Angra dos Reis é feita principalmente para visitantes que chegam de ônibus, vans, micro-ônibus ou cruzeiros e é repassada pelas empresas de turismo no momento da compra do pacote ou do embarque. Detalhe: não é considerada ilegal, porque não é simplesmente uma ‘taxa de entrada na cidade’ (o que poderia ferir o direito constitucional de ir e vir), mas “uma contribuição turística voltada à sustentabilidade e o ordenamento do fluxo de visitantes”, argumenta o prefeito Cláudio Ferreti. 

Segundo ele, Angra recebe cerca de 1,8 milhão de visitantes todos os anos, sendo 1,2 milhão só na Ilha Grande. “O volume expressivo de turistas reforça a importância de medidas inovadoras que assegurem o desenvolvimento sustentável e responsável”, crê.  

Em Cabo Frio também existe uma taxa semelhante, só que muito mais cara, podendo chegar a R$ 2.500 por ônibus ‘lotado de turistas’. Por lá, a taxa foi criada com o objetivo de organizar a circulação de veículos turísticos e proteger a infraestrutura urbana local. O problema é que a cobrança gerou debates políticos e foi parar na Justiça. Uma liminar chegou a suspender a medida por considerá-la abusiva, mas uma decisão do TJ-RJ acabou restabelecendo a validade da cobrança. No site da prefeitura, a taxa é defendida para veículos de turismo, sendo isenta para os demais visitantes. “Não é um imposto turístico direto sobre a pessoa, mas uma tarifa para empresas/operadoras que conduzem grupos”, justifica. 

No Médio Paraíba, os prefeitos da região das Agulhas Negras – Tande Vieira, de Resende, e Kaio Márcio, de Itatiaia –, até prova em contrário, não cogitam a hipótese de cobrar taxa dos turistas que visitam suas cidades. Itatiaia, por exemplo, recebe milhares de visitantes todos os anos, que passam por Penedo, Maromba, pelo Parque Nacional, Visconde de Mauá (distrito de Resende) e até pela Aman, mas a cobrança da taxa não está nos planos do Executivo desses dois municípios. “Não há nada disso. De onde veio essa informação, você sabe?”, questionou a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Itatiaia. “A possibilidade existe em qualquer lugar turístico do mundo, mas não há uma conversa sobre isso no momento”, disse a assessoria do prefeito, dando a entender que o assunto pode, em outro momento, até entrar no radar da Prefeitura, mas não está sendo aventado atualmente. 

Em Resende, Tande Vieira tem até um grande projeto de revitalização do centro histórico da cidade, que pode atrair muitos turistas, até pelo circuito gastronômico previsto no projeto, além dos locais já mais turísticos, como a Serrinha do Alambari, área de proteção ambiental, e Visconde de Mauá ou a Pedra Selada, por exemplo. Mas a cobrança da taxa para fomentar o turismo não é assunto em pauta por lá.

Um pouco mais distante, em Aparecida (SP), a taxa de cobrança para turista é um assunto polêmico, que não tem o total apoio dos vereadores locais. A cidade, que abriga o Santuário de Nossa Senhora de Aparecida – padroeira do Brasil – e recebe milhares de romeiros todos os anos, quer criar uma cobrança para turistas que chegam de carro, ônibus ou vans. O projeto prevê que carros de passeio paguem R$ 10 por dia, já os ônibus pagariam R$ 70,10. Segundo a Prefeitura, o dinheiro será utilizado para ajudar no custeio dos serviços públicos que mantêm a cidade. 

Vale lembrar que no Brasil vários outros municípios já adotaram cobranças de turismo. Fernando de Noronha é o mais antigo: há 30 anos, o arquipélago cobra uma taxa ambiental por pessoa. Os valores são puxados, podendo chegar a R$ 7.145,46 pela permanência de 30 dias, e, caso o visitante fique além do prazo máximo previsto, sem autorização da Administração Geral, os dias excedentes podem ser cobrados em dobro. Outros destinos, como Armação dos Búzios (RJ), Jericoacoara (CE), Abrolhos (BA), Santo Amaro (MA), Morro de São Paulo (BA), Ubatuba e Campos do Jordão (SP) etc, também praticam a cobrança.

É legal?

A Constituição Federal prevê o livre direito de ir e vir, e, por esse motivo, a cobrança dessas taxas de turismo costuma ser bastante questionada. Só que elas não são consideradas ilegais, desde que respeitem a legislação tributária e o princípio da legalidade. Na prática, precisam ser instituídas por lei municipal, devem obedecer à natureza de tributo ou preço público e a receita arrecadada precisa ter a finalidade pública, clara e específica. Se a cobrança é para a preservação ambiental, então a receita gerada precisa ser usada na compensação ambiental, e assim por diante. 

Segundo levantamento do aQui, a maioria dos prefeitos que adotaram a medida argumenta que a cobrança é necessária para custear investimentos em infraestrutura urbana, especialmente em períodos de alta temporada. Há também a justificativa dos impactos ambientais provocados pelo aumento do fluxo de visitantes, como geração de lixo, pressão sobre áreas naturais e maior demanda por serviços públicos. No fim das contas, o que para alguns soa como “pedágio” para entrar na cidade, para outros é uma estratégia de organização e sustentabilidade. Com o turismo em alta e batendo recordes no estado do Rio, a discussão tende a ganhar cada vez mais espaço – e pode, em breve, chegar a outros destinos fluminenses, inclusive nas cidades vizinhas. 

Em busca do fim!

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EXCLUSIVO: Mãe de Wesley contesta versão de que seu filho seria traficante; corpo ainda não foi encontrado

Por Mateus Gusmão

“Dói muito, só nos resta ter esperança. Eu acredito na justiça divina. Eu luto pelo meu filho. Ele pode ter todos os defeitos do mundo, ninguém é perfeito. Eu não sou, ninguém é. Mas essa falha de ser traficante, de vender droga, isso ele nunca teve. Meu filho trabalhava muito…”. Foi assim, com essas palavras, que Rosilene dos Santos Silva, de 51 anos, definiu o que sentiu quando soube do encerramento do inquérito policial que investiga o desaparecimento de seu filho, Wesley dos Santos Silva Henrique, de 30 anos. Em entrevista exclusiva ao aQui, Rosilene contestou o fim do do inquérito e rebateu, com veemência, a informação de que seu filho – desaparecido desde outubro do ano passado – fosse traficante de drogas.

O desaparecimento de Wesley, em 21 de outubro de 2025, gerou comoção nas redes sociais desde então. Em vídeos que circulam nas redes sociais, a mãe do rapaz sempre pedia ajuda para encontrar o filho – ou o corpo dele. Aproveitava para falar das investigações e criticar a postura dos policiais, entre outras coisas. Wesley, que era motoboy, teria desaparecido após sair do trabalho. 

Em nota aos jornais divulgada na segunda, 23, a Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que os policiais civis da 93ª DP (Volta Redonda) concluíram o inquérito sobre o desaparecimento de Wesley e o encaminharam ao Ministério Público, que ofereceu denúncia já recebida pela Justiça. A Polícia concluiu que Wesley foi morto por estar envolvido com o tráfico de drogas. A família contesta.

Em entrevista exclusiva ao aQui, Rosilene dos Santos Silva relatou a angústia de viver sem ter notícias do filho. Questionou novamente a conclusão do inquérito, garantiu que o filho não vendia drogas e cobrou a localização do corpo de Wesley. Agora, com o fim do inquérito, ela diz que vai recorrer. “A gente está no Ministério Público, né?! E vai recorrer dentro dos meios legais, reunir todas as provas”, destacou.

Segundo ela, uma das coisas que mais clama às autoridades é a descoberta do paradeiro do corpo do filho. “Por que essas pessoas que fizeram essa brutalidade com meu filho não vão dizer onde está o corpo? A gente quer os restos mortais dele, para ter paz, para que a criança (filho de Wesley) tenha direito ao INSS (pensão). A gente tem uma criança precisando do mínimo. Até agora, não tem um atestado de óbito”, destacou, ressaltando que sequer recebeu o seguro da motocicleta, que teria sido roubada. 

Para Rosilene, houve negligência da Polícia Civil na apuração do caso, além de afirmar ter sido muitas vezes desrespeitada na DP de Volta Redonda. “Chegaram a dizer que meu filho estava vivo e traficando, porque viram a moto dele no Siderlândia, após o seu desaparecimento. Eu peguei as imagens no Ciosp e claramente não era meu filho na moto”, comentou. “Eu corri atrás, estive em muitos locais, e todos com quem eu conversava diziam que meu filho nunca teve envolvimento com drogas”, garantiu.

Rosilene relatou que, em busca de paradeiro do filho, chegou a ir ao bairro Santa Inês, em Barra Mansa, atrás de informações. “Chegaram notícias para a gente que meu filho poderia ter sido morto lá. A gente foi, meu marido, minha filha, e conversou com as pessoas do tráfico. Me garantiram que meu filho nunca participou do tráfico, que o conheciam por prestar serviços de mototaxista, mas não no tráfico”, destacou.

Rosilene diz que sua luta não vai parar. “Eu só quero um fim. Eu quero sepultar meu filho, ter a dignidade de um atestado de óbito. Do dia para a noite nossa vida mudou de cabeça para baixo. Nenhuma mãe, mesmo que o filho erre, merece viver tanto descaso, um luto sem luto. Tudo é saudade nesse momento, é perda. É muito doloroso”, comentou. “Dói muito, só nos resta ter esperança. Eu acredito na justiça divina. Eu luto pelo meu filho. Ele pode ter todos os defeitos do mundo, ninguém é perfeito. Eu não sou, ninguém é. Mas essa falha de ser traficante, de vender droga, isso ele nunca teve. Meu filho trabalhava muito…”, completou.

Emocionada, Rosilene concluiu a entrevista ao aQui deixando um recado para todas as mães que sofrem. “Até aqui, eu pude lutar por ele. Agora, está no Ministério Público. Eu lutei muito, busquei muito, por mim e por muitas mães. A gente passou por muita coisa na delegacia, ouviu muitos gritos. Mas conseguiu chegar ao Ministério Público. E a gente vai conseguir mudar esse desfecho do inquérito com as provas que tem. Tenho certeza que a gente vai conseguir mudar isso”, completou.

Inquérito concluído

Mais de quatro meses após o desaparecimento de Wesley, a Polícia Civil divulgou que concluiu o inquérito. A investigação resultou no indiciamento de quatro envolvidos por extorsão mediante cárcere privado com resultado morte; ocultação de cadáver; associação para o tráfico; e posse ilegal de arma de fogo. Segundo a Polícia, as investigações teriam revelado que Wesley foi alvo de represália de traficantes ligados ao Comando Vermelho, que atuam no Siderlândia e no Açude, em Volta Redonda. Segundo a nota, integrantes do tráfico local descobriram que Wesley estaria vendendo entorpecentes de forma autônoma, o que teria motivado o ataque. 

Na noite em que desapareceu, Wesley teria sido abordado justamente ao fazer uma entrega de drogas. Ele foi capturado, preso em praça pública e, posteriormente, levado para uma área de mata, onde permaneceu sob vigilância armada por cerca de três horas. No período, ele foi coagido a realizar transferências bancárias, de R$ 9.400, para os narcotraficantes. Apesar de ter feito o pagamento, ele não foi liberado.

Os agentes da 93ª DP identificaram os quatro criminosos supostamente envolvidos no desaparecimento de Wesley. Dois são apontados como executores diretos e estão foragidos, com mandados de prisão expedidos. Os outros dois encontram-se presos preventivamente, um por fornecer a conta bancária utilizada para receber e pulverizar os valores extorquidos, e o outro por conduzir a motocicleta de Wesley até o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, onde o veículo e o celular foram revertidos em prol da organização criminosa.

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