domingo, maio 3, 2026
Casa Blog Página 47

Grampos

0

Janela (I)

Enquanto espera pela ajuda de Lindinho, Raone poderá tentar aproveitar a janela partidária, que foi aberta ontem, sexta, 6. Por ela, de acordo com a legislação eleitoral brasileira, parlamentares eleitos pelo sistema proporcional podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. A janela fica aberta até 5 de abril. 

Janela (II)

Raone pode até pular a janela. Pode sair do PSB e ir para o PT. Mas, nesse caso, terá uma nova missão: conseguir vaga na legenda para se candidatar a deputado estadual. 

COM FOTO 

MPF (I)

O procurador da República Jairo da Silva esteve na quarta, 4, em Volta Redonda para vistoriar algumas áreas do município onde existem depósitos de resíduos siderúrgicos. Esteve na região da Floresta da Cicuta, Rodovia do Contorno, pela Brasilândia, São Luiz e ainda no Volta Grande IV, onde conversou com moradores (ver foto). 

MPF (II)

Na visita, acompanhado por representantes do MEP, o procurador informou que está em andamento o procedimento para a recategorização da Floresta da Cicuta para área de proteção integral.

Motoboy (I)

O estado do Rio poderá ser o primeiro do país a ter uma lei específica para motoboys e demais profissionais que trabalham com delivery. O projeto, apresentado na Alerj, é do deputado estadual Munir Neto e prevê a criação do Estatuto Estadual do Motoboy e do Motociclista Profissional de Entregas no estado. 

Motoboy (II)

O Estatuto do Motoboy pretende garantir prioridade aos profissionais nas urgências e emergências em casos de acidentes no trabalho e garante a reabilitação física e psicológica, incluindo ações voltadas à saúde mental. Também prevê a implementação de pontos de apoio, com estrutura segura, água potável, banheiros, local para descanso e área para estacionamento. 

Motoboy (III)

Munir deveria incluir no estatuto a obrigação dos motoboys de, a cada três meses, por exemplo, passar por uma autoescola para que não esqueçam as leis de trânsito. E os que forem flagrados em alta velocidade ou na contramão, que fiquem três meses de castigo. Sem trabalhar.    

Estradas

O que a BR-393 e a Via Dutra têm em comum? Muitos buracos. E perigos, principalmente à noite.  

Tio Sam (I)

A vereadora Gisele Klingler embarca na segunda, 9, para os EUA, onde vai participar, até o dia 19, da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), promovida pela ONU. “É com muito orgulho que faço parte da delegação brasileira na CSW70. Não é apenas uma agenda simbólica, é uma agenda estratégica. Este é o principal espaço global de debate sobre igualdade de gênero, e o que é discutido ali influencia políticas públicas no mundo inteiro. Como presidente da Comissão de Direitos da Mulher na Câmara de Volta Redonda, estar onde essas diretrizes estão sendo construídas é fundamental”, comentou Gisele. 

Tio Sam (II)

Na nota aos jornais, a vereadora, que é de oposição ao governo Neto, não informou quanto a viagem custará aos cofres públicos. E, também, quem vai bancar a sua estadia, se irá sozinha ou acompanhada por algum assessor ou outro parlamentar.     

Minnie

Por falar nos EUA, o vereador Neném, presidente da Câmara de Volta Redonda, resolveu usar a Minnie, personagem de Walt Disney, para, vejam só, homenagear as mulheres volta-redondenses pela passagem do Dia Internacional da Mulher (8 de março). Se o parlamentar pensa que agradou, errou. “Praticamente uma infantilização da mulher. É assim que somos vistas”, escreveu uma delas ao aQui ao ver a foto de Neném com a Minnie no plenário da Casa. “É um Pateta”, comentou outra, sugerindo a Neném que vá para os EUA fazer gracinhas. “Patético”, encerrou.  

Limpeza (I)

O projeto ‘Meu Bairro + Limpo’, a cargo da Secretaria de Serviços Públicos, que promove os serviços de capina, roçada e retirada de entulho, será realizado na Caieiras, na segunda, 9, e terça, 10. Depois, vai cuidar da Vila Rica/Tiradentes, de quarta, 11, a sexta, 13; Casa de Pedra, dias 16 e 17; Sessenta, de 18 a 24; São Cristóvão, dias 23 e 24; e Brasilândia, dias 25 e 26. 

Limpeza (II)

A GM de Volta Redonda flagrou um homem descartando lixo de forma irregular em área pública na São Geraldo. O flagrante foi registrado por câmeras da Secretaria de Ordem Pública. O caso ocorreu no dia 25 de fevereiro e foi configurado como infração ambiental. É, realmente ele estava errado. Mas o que fazer quando é a própria prefeitura que comete tal infração? Chama quem? O papa ou o bispo?

Pode?

Na manhã de quinta, 5, foi postada em um dos grupos da Semop (Secretaria de Ordem Pública) a informação, em forma de denúncia, de que duas pessoas teriam sido mortas no Açude. “Ninguém fala nada”, comentou o internauta, como se estivesse pedindo ajuda. Foi alertado por outro participante a não entrar na confusão. Logo, surgiu um moderador, que apagou as mensagens e escreveu: “Por favor, vamos respeitar as regras do grupo para que não atrapalhe a equipe que está nas ruas; o grupo tem o foco de ocorrências em tempo real”. Não deu para entender, né? A morte de duas pessoas não seria em tempo real? 

Restaurante

O prefeito Neto confirmou ao programa Dário de Paula que vai criar um restaurante exclusivo para os servidores públicos. Vai ficar em frente ao Palácio 17 de Julho. “O almoço deverá custar entre R$ 7,90 e R$ 8,90. E não vamos retirar o auxílio-alimentação de nenhum servidor”, disse. “Eu também vou almoçar lá”, prometeu.

Presidência

O presidente da Câmara de Volta Redonda, vereador Neném, adiou por 30 dias a eleição para a presidência da Casa para 2027. Seria na segunda, 2, mas o vereador Mineirinho sofreu um acidente doméstico, não pode estar presente e pediu o adiamento. Foi atendido. Neném segue como favorito para vencer a eleição.

Rusga

Por falar em Câmara de Volta Redonda, o clima não estaria bom na base aliada do governo Neto. De um lado, os parlamentares mais experientes. De outro, os vereadores recém-chegados à Casa. Motivo: intrigas e fofocas levadas ao Palácio 17 de Julho.

Clima

Por falar em rusgas, na Câmara de Barra do Piraí, até os vereadores aliados a Kátia Miki não estariam satisfeitos com a postura da prefeita de vetar diversos projetos de lei aprovados pelos parlamentares. Um dos mais críticos seria o vereador Pedrinho ADL, um dos aliados de Kátia.

Prestação

Cerca de 700 pessoas estiveram presentes na prestação de contas do deputado estadual Jari Oliveira, na noite de quinta, 5, no Clube de Bocha. Entre os presentes, estavam o deputado federal Eduardo Bandeira de Mello, a vereadora Gisele Klingler, o ex-prefeito Paulo Baltazar, o ex-vereador Granato e outros. 

Pesquisa

A Prefeitura de Volta Redonda está fazendo uma pesquisa para medir a avaliação do governo Neto. Detalhe: o levantamento é feito por telefone.

Bloqueio

A pista de subida da Serra das Araras estará fechada das 22 horas de domingo, 8, até as 5 horas de segunda, 9. Tudo por conta do deslocamento de um conjunto transportador de 106 metros de comprimento, mais de 6 metros de largura e pesando 647 toneladas. A carga segue até o Porto de Itaguaí.

Grampos

0

PDT (I)

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Odair Mariano, vai assumir o controle do diretório do PDT em Volta Redonda. Carlos Lupi, presidente nacional do partido, estará no município, acompanhado de outras personalidades políticas, para dar posse – em grande estilo – a Odair no sábado, 14, às 10 horas, na sede do Sindicato, na Gustavo Lira.

PDT (II)

Quem também terá um papel importante na recuperação do PDT no Sul Fluminense será Sérgio Donda, que vai assumir a coordenadoria regional do partido em toda a região. 

Câncer

Mais uma ligada ao novo PDT: a legenda deve anunciar em breve a criação, em parceria com a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda, de um moderno centro de combate ao câncer. Vai funcionar na sede da AAPVR, no Aterrado. 

Rango

Na manhã de terça, 3, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Odair Mariano, deu uma incerta no restaurante da CSN para apurar denúncias feitas por trabalhadores sobre a qualidade das refeições servidas no ‘bandejão operário’. “Nosso compromisso é garantir que os trabalhadores tenham condições dignas, e isso inclui uma alimentação de qualidade. Viemos ouvir, verificar de perto e cobrar melhorias sempre que necessário”, afirmou, sem dizer se provou do rango servido. E se aprovou, é claro. 

Campanha (I)

Em entrevista ao programa Dário de Paula na manhã de quarta, 4, Alex Clemente, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, deu a dica: o sindicato deverá pedir à CSN que conceda um aumento real da ordem de 3% mais a inflação do período. O pedido vai servir também para os acordos com cerca de outras 400 empresas que negociam com o órgão.

Campanha (II)

Vale lembrar que a data base na CSN é no próximo 1 de maio, mas Alex Clemente entende que até o aniversário da siderúrgica, em 9 de abril, tudo estará resolvido, com direito à concessão de um abono salarial de parabéns aos operários. A conferir.

Sem registros (I)

A semana começou agitada com a invasão da sede da Fundação Beatriz Gama, no Retiro. Um grupo de bandidos, não identificados, que seriam do Açude, invadiu a FBG na madrugada de segunda, 2, e destruiu vários equipamentos dos cursos gratuitos oferecidos pela instituição a moradores de Volta Redonda. Levaram até o celular da entidade, entraram na farmácia e teriam destruído a horta. A polícia foi chamada e os prejuízos estavam sendo apurados.   

Sem registros (II)

O engraçado é que, apesar de a FBG ser mantida pela Prefeitura de Volta Redonda, nenhuma câmera – dessas que a Semop (Secretaria de Ordem Pública, do coronel Luiz Henrique) gaba-se de ter aos montes – gravou as imagens da invasão e destruição. Por que será? 

Sem registros (III)

Aliás, há quem garanta que os hospitais municipais e os postinhos de Saúde também não têm as poderosas câmeras da Semop. Por que será? 

Irrisória

A movimentação dos simpatizantes de Bolsonaro em Volta Redonda foi um fracasso. Nem 100 pessoas compareceram ao ato realizado na manhã de domingo, 28 de fevereiro, na Praça Brasil, com a participação de alguns políticos sem expressão. Destaque apenas para Hermiton Moura, que comandou o ato, e Dário de Paula, famoso radialista da cidade do aço. O número era tão pequeno que até um dos presentes reconheceu o fiasco do ato da direita. “Número irrisório”, sentenciou ao falar durante o evento. 

Gasolina

A rede AP assumiu mais um posto de combustíveis em Volta Redonda. O da Vila, localizado nas proximidades do Escritório Central da CSN. Hoje, a rede já domina o setor na cidade do aço e vem se expandindo para outras cidades, como Barra Mansa. 

Da série ‘perguntar não ofende’

O projeto de reforma do Jardim dos Inocentes vai sair do papel ou só plantaram umas ‘árvores de zinco’ ao redor do tradicional espaço para ninguém ver nada? Até agora, por exemplo, dois meses desde o início das obras, só arrancaram a calçada e deixaram o mato crescer. Nada mais… 

Mais uma da mesma série

Quando vão acabar as obras da Rua 33? Nos últimos dias, fecharam a Rua 18, entre a 33 e a 31, e o trânsito ficou pior do que estava. Tem mais. Avisaram sobre o fechamento apenas à associação de moradores do bairro e aos lojistas. Ótimo. Só esqueceram de sinalizar aos motoristas… Depois que esses já haviam ficado presos no trânsito, alguma alma iluminada lembrou-se de colocar uma grade com uma faixa de trânsito impedido. Parece piada, mas não é. 

Parece piada

Aliás, por falar em piada, essa quem conta é o ex-prefeito de Barra do Piraí, Mário Esteves. Diz que a atual prefeita, Kátia Miki, sua adversária, teria saído às ruas para conversar com os eleitores sobre sua administração. De casa em casa, lá foi a prefeita, toda faceira. E aí surge a piada: Kátia teria batido na porta da casa de Mário Esteves, o próprio ex-prefeito. Mico da equipe, né? Afinal, todo mundo na cidade deve saber onde Mário Esteves mora… Menos ela, a prefeita.

Apadefi

Em 2024, a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Físicos de Volta Redonda (Apadefi) recebeu a visita da deputada federal Chris Tonietto (PL) (ver foto), que foi ciceroneada por Rodolfo Levenhagen, entre outros. Rendeu frutos. A parlamentar destinou, em 2025, à Apadefi uma emenda de R$ 250 mil, para ser usada na área da saúde da população atendida pela entidade. Em 2026, Tonietto destinou mais R$ 230 mil para a área da saúde e R$ 100 mil para a assistência social. Foto: Divulgação.

Vai vendo (I)

A política é coisa de doido, ninguém pode negar. Vejam só essa: André Ceciliano, do PT, decidiu apoiar Eduardo Paes, do PSD. Quer dizer que, num futuro bem próximo, quando Paes aparecer em Volta Redonda para pedir votos para governador, ele poderá ter no mesmo palanque o deputado estadual Munir Neto (PSD) e o vereador Raone (quase no PT), dois adversários confessos. É coisa de doido ou não é? 

Vai vendo (II)

Nas redes sociais, Ceciliano deu detalhes da doidice: “Na política, não há briga que não possa terminar com um abraço e um bom aperto de mão, desde que haja diálogo. Foi assim que terminou meu almoço com o companheiro de longa data, o prefeito Eduardo Paes”, escreveu. Fica a dúvida: quem pagaria a conta de um imaginário futuro almoço entre Munir e Raone? 

Vai vendo (III)

Protetor de Raone, o deputado federal petista Lindbergh Faria virou vice-líder do governo Lula na Câmara Federal. Assumiu a vaga ocupada pelo deputado Zé Neto (PT-BA), que foi destituído por Lula. Lindinho, como é conhecido, tem uma missão ingrata: abrir as portas do PT para o seu amigo Raone (ainda no PSB de Jari). Até agora, não conseguiu.

É preciso ter força

0

FEMINICÍDIO: Violência contra a mulher é crescente; Estado ainda falha, mas já avançou muito em políticas públicas

Por Pollyanna Xavier 

Daiane chegou à casa da ex-sogra, na Rua Haiti, na Vila Americana, pouco depois das 18 horas do dia 21 de janeiro. Foi buscar os filhos, que haviam passado o fim de semana com o pai. O ex-marido estava no imóvel e pediu para conversar com ela. Queria reatar o relacionamento, pois não aceitava o fim de casamento de 12 anos e, mesmo já tendo uma nova companheira, não queria que Daiana refizesse a vida. 

Quando ouviu da ex-mulher que ela não pretendia retomar a relação, Everton pegou uma arma e apontou para Daiane. A mãe entrou na frente, implorou que o filho não atirasse, mas o homem empurrou a mãe com uma mão e, com a outra, atirou. Quatro vezes. Dois tiros atingiram o peito de Daiane, um terceiro acertou a perna e o quarto atingiu o braço. Desde então, ela luta pela vida, internada em estado gravíssimo. Everton está preso. 

Everton é policial militar do 23º BPM de São Paulo. Ele já havia sido preso em Volta Redonda, em julho de 2025, por descumprir três vezes a medida protetiva concedida a Daiane, mas deixou a prisão em novembro do mesmo ano. Após sair, voltou a se aproximar da ex-mulher. Monitorava seus passos e não aceitava que ela se relacionasse com outras pessoas. No dia do crime, soube que Daiane havia ido ao shopping e não se importou sequer com a presença dos dois filhos. Ao descarregar a arma, fugiu. 

A ex-sogra – que socorreu Daiane – representou contra o próprio filho na delegacia. Duas semanas depois, Everton se entregou e está preso no batalhão em que é lotado em São Paulo. As advogadas de Daiane buscam a condenação do homem e a sua expulsão da Polícia Militar. 

  O caso de Daiane engrossa uma estatística que, infelizmente, cresce a cada dia. Segundo o Atlas da Violência, nos últimos 11 anos, 47 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, o que equivale a 13 mortes por dia. Pior. A violência, majoritariamente, acontece no contexto doméstico. Não por coincidência, pesquisas vêm mostrando que, ao longo dos anos, a casa é o lugar menos seguro para a mulher. O mesmo anuário aponta que 64,3% dos feminicídios aconteceram dentro de casa. Até os registros do Sistema de Saúde – que o aQui acessou – indicam que as mulheres são expostas a diferentes tipos de violência e que boa parte delas acontece dentro de suas próprias casas. A forma de praticar a violência – sexual, psicológica, moral, patrimonial, física, etc. – pode até variar, mas segue sendo violência.  

Para provar que essas violências vêm crescendo – ao contrário do que muitos acreditam e propagam, que apenas melhoramos o nosso sistema de notificação –, o aQui conversou com duas mulheres que vivenciam o assunto no dia a dia: a delegada titular da Deam, Juliana Montes, e a advogada Daniela Grégio, que preside o projeto ‘Mãos que Protegem’ e que atende, todo mês, só em Volta Redonda, mais de 100 mulheres vítimas de agressão. 

As entrevistas aconteceram em momentos diferentes, mas ambas foram unânimes em afirmar que o feminicídio é um crime previsível e evitável. “Ele segue padrões, e a mulher precisa aprender a identificá-los e sair deles com ajuda da família e dos amigos e com o apoio do aparelho estatal”, alertou Juliana Montes.

Para Marcela Grégio, a mulher não consegue sair da violência. “Ela quer, mas não consegue. Ela tem vergonha de pedir ajuda”, afirmou a advogada, que vem observando esse comportamento há quase um ano, quando fundou com a irmã, a também advogada Daniela Grégio, o projeto ‘Mãos que Protegem’. Marcela conheceu Daiane e lembra da primeira vez que ela procurou o projeto pedindo ajuda para se proteger do ex-marido. “A Daiane nos procurou, relatou uma situação de violência psicológica e física, conseguimos a medida protetiva. Orientamos, mas ele sempre a procurava dizendo que estava arrependido, que iria mudar. Até que ele pediu para conversar com ela e tentou matá-la”, lembra. 

Segundo Marcela, os filhos de Daiane estão com os avós maternos e ela está lutando para viver, internada há mais de 40 dias no CTI do Hospital São João Batista. “Ela foi intubada, melhorou, extubou, mas agora pegou uma infecção hospitalar, intubou novamente e está fazendo hemodiálise. O estado de saúde dela é bem crítico, a gente torce para que ela se recupere e saia dessa”, contou Marcela. 

A prisão de Evertou foi pedida pela delegada Juliana Montes, que ouviu familiares de Daiane, mas foi o depoimento da ex-sogra que ajudou a criar toda a dinâmica do crime e entender o que aconteceu naquela noite. 

Dossiê Mulher

Há duas décadas, o governo do Estado do Rio produz o ‘Dossiê Mulher’ – documento que traz o panorama da violência contra a mulher em território fluminense. A publicação é do Instituto de Segurança Pública (ISP) e traz dados do ano anterior. Na entrevista, a delegada Juliana Montes cita o Dossiê Mulher, sendo que um dado chamou a sua atenção: 13% das mulheres que pediram medida protetiva infelizmente morreram assassinadas. A reportagem questionou o percentual, considerando-o alto, mas Juliana mostrou que, num universo de 100% das mulheres que possuem medidas de proteção, 87% estão vivas. “A gente precisa comemorar isso. Entendo que é preciso caminhar, mas, no passado, as mulheres eram queimadas em praça pública. Hoje, a gente consegue prender o agressor. Então, quando a gente olha para trás, percebe que já avançou”, pontuou. 

Juliana foi além. Disse que a mulher sofre violências em três frentes distintas: a 1ª do agressor, ex-companheiro ou companheiro. “Essa violência vem de um sistema social fundamentado no patriarcado. São homens que consideram as mulheres inferiores e seus objetos de posse. Se o casamento acaba, eles refazem a vida, mas as mulheres não podem fazer o mesmo”, observa. “Uma prova de que a situação é estrutural e que vem do patriarcado é o julgamento recente de um caso de estupro de vulnerável no TJ de Minas Gerais, em que o agressor foi absolvido”, lembrou. 

A segunda violência é aquela que vem do aparelho estatal, com a predominância masculina em quase todas as esferas penais de um processo de feminicídio. No caso da Deam de Volta Redonda, ter uma titular mulher faz toda a diferença. Aliás, sobre este ponto, a Deam mandou muito bem ao contratar uma mulher trans – Paloma Salume – para o acolhimento de todas as mulheres. Paloma está na delegacia há quase um ano, trabalhando na recepção, atendendo e acolhendo não apenas a mulher trans, mas as demais mulheres que buscam atendimento na unidade. “Mandamos bem mesmo, foi uma das melhores decisões que tomamos aqui na Deam”, reconheceu a delegada. 

A terceira violência observada por Juliana Montes é a da sociedade. Essa é tão estrutural que quem a pratica, muitas vezes, não percebe que está praticando. Juliana explica que quando uma mulher sofre violência do marido, por exemplo, muitas vezes não consegue sair dessa situação pelo julgamento das pessoas, da família, do grupo religioso ao qual essa mulher pertence. “As mulheres sofrem julgamento o tempo todo”, pontuou, acrescentando que para vencer essa violência é preciso existir fiscalização tecnológica. “Movimentos pró-homens e contra as mulheres, como o chamado Red Pill e similares, por exemplo, têm crescido nas redes sociais sem que as plataformas façam nada para impedir. Não há fiscalização que controle isso. Estes movimentos doutrinam a sociedade na cultura do machismo e alimentam o ódio contra as mulheres. O avanço moral não acompanha o tecnológico, e o resultado é o que temos visto: misoginia, homofobia, pedofilia e outras coisas”, lamentou. “O discurso de ódio contra a mulher precisa ser criminalizado, e não é”, criticou. 

Juliana explicou que, em Volta Redonda, a rede de apoio às mulheres vítimas de violência é modelo em todo o estado do Rio. Começa por ter uma delegacia especializada no atendimento às mulheres, passa pela Patrulha Maria da Pena, que conta com o apoio da Polícia Militar, inclusive com o projeto ‘Desconstruindo o Machismo’, voltado ao atendimento aos agressores, e culmina com a estrutura oferecida pela Secretaria Municipal da Mulher. Essa secretaria oferece abrigo para as mulheres vítimas de violência, cujo endereço não é divulgado, justamente, para garantir a segurança das assistidas. “O aparelho público realmente funciona”, garantiu a delegada. 

O projeto ‘Desconstruindo o Machismo’, citado por Juliana, é do Estado e voltado para os homens condenados no crime de violência contra as mulheres. São palestras dadas por um policial militar que é psicólogo, cuja frequência e participação são exigidas na condenação. “O Estado entendeu que, se não tratar o agressor, ele vai repetir o comportamento com outras mulheres. Dentro do projeto, o número de reincidência é zero. Nenhum dos assistidos voltou a agredir. Eles não são narcisistas ou psicopatas. Muitos ali agridem porque aprenderam desde cedo a agredir, vendo o pai bater na mãe. Ou seja, eles reproduzem o que vivenciaram na infância. O projeto é muito interessante e necessário”, elogiou.  

Ainda de acordo com Juliana, para que a mulher vítima de agressão ou de qualquer outra forma de violência utilize o apoio do aparelho estatal, precisa procurar a Deam e registrar uma ocorrência contra o seu agressor. Esse registro torna-se o pontapé para que a mulher seja retirada da situação de vulnerabilidade em que ela se encontra e para que o Estado possa agir para garantir a sua segurança. “Eu posso afirmar, através das estatísticas e da vivência como delegada, que a maioria das mulheres que morrem é quem não denuncia. Quem denuncia tem muito mais chances de viver”, garantiu. 

Mãos que Protegem

O projeto ‘Mãos que Protegem’, da advogada Marcela Grégio, é uma força a mais que garante apoio às mulheres vítimas de todas as formas de violência. Ele não é estatal, não pertence a nenhuma instituição social e nasceu de uma demanda enorme observada por Marcela. “As mulheres vinham no meu Instagram e pediam ajuda jurídica; cada vez mais mulheres faziam isso. Daí ajudávamos, encaminhávamos para um atendimento social, psicológico e jurídico. Ainda somos apenas um projeto, mas nossa intenção é transformar o ‘Mãos que Protegem’ numa associação, para conseguirmos recursos e ampliarmos os atendimentos”, explicou Marcela. 

Segundo a advogada, em Volta Redonda, a rede de apoio à mulher vítima de violência é estruturada, desde a Deam até o Fórum – na Vara de Família. “Os policiais envolvidos na ocorrência, a recepção da Deam, a própria delegada, o promotor de Justiça e até o juiz titular da Vara de Família têm uma visão bastante cuidadosa nesse assunto. O juiz estruturou a sua equipe e tem dado celeridade nas análises das medidas protetivas. Está tudo mais rápido. Hoje, já é possível pedir o divórcio na mesma ação da medida protetiva. Isto otimizou muito e deu mais agilidade a este tipo de processo”, explicou Marcela, acrescentando que, dependendo da condição financeira da vítima, também é possível pedir ao Estado o aluguel social. 

Para Marcela, a violência contra a mulher é crime evitável e previsível, porque o homem repete padrões de comportamento, que são fáceis de serem notados. O problema, muitas vezes, não é identificar esses padrões, mas é sair do relacionamento. “As mulheres têm dependência emocional e algumas têm também a dependência financeira. Da financeira é mais fácil sair, mas da emocional, não. A sociedade de hoje julga a mulher que está sozinha, acha que elas não são felizes por não terem um parceiro, sem contar que elas acham que é melhor estarem num relacionamento, ainda que abusivo, do que ficarem sozinhas. É uma questão social, que precisa ser enfrentada”, alerta, acrescentando que no projeto ‘Mãos que Protegem’, as mulheres são orientadas a quebrar esses padrões. 

O projeto não tem uma sede própria, e Marcela atende, muitas vezes, pelo seu Instagram. Já nos primeiros atendimentos, elas falam do aparelho público (Estado e Município) e de como acessá-lo. No projeto elas recebem, principalmente, orientação jurídica e informações sobre onde e quando buscar ajuda. “Já temos o reconhecimento de algumas instituições, como a OAB Mulher, vereadores, mas agora precisamos nos estruturarmos para fortalecer a rede já existente”, concluiu. 

Seja bem vindo!
Enviar via WhatsApp