domingo, novembro 1, 2026
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Eleições, com os vícios de sempre

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Em pouco mais de dois meses, no Brasil serão realizadas eleições para a Presidência da República, os governos estaduais e os vice-governadores; para dois cargos no Senado, para os 513 deputados federais e 1.049 deputados estaduais e distritais.

Nada há a comemorar. Tudo começa pela manutenção dos vícios de sempre. Os caciques definem quem vai concorrer e quanto receberá de verba pública, sem qualquer participação efetiva do cidadão.

A maioria concorrerá à reeleição, por dois mandatos consecutivos, para os cargos executivos e sem limitação para os cargos proporcionais e para o cargo de senador. Depois das eleições, os derrotados voltam à velha cantilena de defender o fim da reeleição.

As convenções nunca passaram de mera formalidade, referendando as escolhas de uma ou, no máximo, de três pessoas. Se não desde o início da história das eleições, há décadas o roteiro é o mesmo. O atual presidente define a própria candidatura e dita quem serão seus candidatos nos estados. Nos demais partidos, o processo não é diferente.

Depois das meras formalidades das convenções, segue-se o jogo proforma, com as promessas de sempre. Elas se repetem até mesmo para quem pleiteia o quarto mandato, como se estivesse debutante disputando o primeiro.

Por parte de quem já exerce cargos há décadas, não há uma análise sobre suas realizações nem sobre a persistência de problemas sociais crônicos, que parecem nunca ter sido, ao menos, minimizados.

Em 2024, fiz um recorte de manchetes de jornais sobre as condições sociais dos brasileiros. Não parece haver nenhuma esperança, e qualquer escolha seria justificável quando se tem mais de 500 anos de política tradicional, que resultou num legado de 6 milhões de pessoas sem banheiro, 33 milhões sem água potável, 100 milhões sem saneamento básico, 23 milhões convivendo sob domínio absoluto do crime organizado ao seu lado, 11% de analfabetos absolutos, que não reconhecem um “ó”, além de, há trinta anos consecutivos, o número de assassinatos ultrapassar 40 mil por ano.

Caso fosse num país desenvolvido, o partido que tivesse governado por vinte anos pediria desculpas à população pelos indicadores sociais do fracasso, reconheceria o que deixou de fazer, não lançaria candidato a cargo algum e muito menos se apresentaria como alternativa viável para mudar aquilo que não conseguiu melhorar quando esteve no poder.

As campanhas fecham esse ciclo de mediocridade. Não se discutem projetos realistas, nem se promove um debate baseado em informações precisas sobre o que foi realizado ou sobre quais ações serão efetivamente implementadas para resolver os problemas sociais.

Toda a campanha se resume a apontar quem tem o passado mais nebuloso, quem falou ou deixou de falar determinada frase. A população já está cansada desse tipo de disputa. Mas, ainda assim, como somos uma sociedade totalmente omissa, vamos ter de escolher obrigatoriamente entre acusados de “rachadinhas” ou o chefe dos “mensalões, petrolões e descontões” contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

E como nada é feito para aumentar o senso crítico do eleitor, a consciência política de hoje é similar à dos anos setenta. Comparo sempre o papel do eleitor ao de um sapo em um círculo de cobras venenosas: o dia da eleição é o dia em que o sapo resolve sair do cercado. Só tem o direito de escolher com qual veneno morrerá.
Pedro Cardoso da Costa
“Não há democracia onde o voto é obrigatório”

 

Idadismo: definição, formas explícitas e implícitas

O idadismo, também chamado de ageísmo ou etarismo, refere-se a estereótipos, preconceitos e práticas discriminatórias baseadas na idade. De acordo com a OMS, ele ocorre quando a idade é utilizada para categorizar e dividir pessoas de forma a gerar desvantagens, injustiças ou exclusão, afetando tanto indivíduos mais velhos quanto mais jovens, embora atinja com maior frequência as pessoas idosas. Esse fenômeno pode se manifestar em diferentes níveis, individual, interpessoal e institucional, e envolve dimensões cognitivas (estereótipos), emocionais (preconceitos) e comportamentais (discriminação), podendo ocorrer de forma explícita ou implícita.

As formas explícitas são aquelas conscientes e facilmente reconhecíveis, como negar oportunidades de trabalho com base na idade, usar linguagem depreciativa ou excluir pessoas idosas de espaços sociais e decisões.

Já as formas implícitas são mais sutis e muitas vezes naturalizadas, ocorrendo de maneira inconsciente, como infantilizar pessoas idosas, assumir incapacidade sem avaliação individual, falar mais alto ou mais devagar sem necessidade, ou acreditar que envelhecer significa necessariamente declínio e dependência. 

O idadismo na educação pode se manifestar de forma explícita ou sutil no cotidiano escolar, influenciando práticas, discursos e relações. Muitas vezes, ele não é percebido como preconceito, pois está naturalizado em expressões, atitudes e estruturas institucionais. Reconhecer exemplos concretos é fundamental para identificar e transformar essas práticas.

Na linguagem, o idadismo aparece em expressões que associam a idade a limitações, como comentários que reforçam a ideia de que pessoas mais velhas são “desatualizadas”, “lentas” ou menos capazes de aprender. Também se manifesta na infantilização, quando adultos mais velhos são tratados com diminutivos ou com um tom inadequado, ou ainda em piadas e generalizações que reforçam estereótipos negativos. No ambiente escolar, esse tipo de linguagem pode ocorrer tanto entre estudantes quanto entre profissionais, influenciando a forma como o envelhecimento é percebido. 

Nas atitudes, o idadismo pode se manifestar na desvalorização de professores ou profissionais mais velhos, na resistência a suas contribuições ou na suposição de que não acompanham mudanças pedagógicas ou tecnológicas. Também pode aparecer na forma como estudantes se referem a pessoas idosas ou na ausência de iniciativas que promovam o contato e o diálogo entre gerações. Essas atitudes impactam diretamente o clima escolar e contribuem para a reprodução de preconceitos. Viver o idadismo sem os preconceitos e práticas discriminatórias.

Prof. Dr. Inácio José do Vale, PhD.

Profissional de saúde mental

Especialista em Psicanálise, Psicologia e Psiquiatria

Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade Dom Alberto-RS.

Especialista no Ensino de Filosofia e Sociologia pelo Centro Universitário Dr. Edmundo Ulson – Araras-SP.

Autor do livro Terapia Psicanalítica: Demolindo a Ansiedade, a Depressão e a Posse da Saúde Física e Psicológica

Munir vai apoiar quem tenha compromisso com Volta Redonda e com a região

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Falando abertamente 

Em longa entrevista exclusiva ao aQui, o deputado estadual Munir Neto foi categórico: “Meu passado e meu presente são os maiores fiadores da maneira como pretendo continuar exercendo a política”, disparou, ao ser indagado sobre como espera conquistar os votos necessários à sua reeleição para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio. Munir também confirmou sua disposição de votar em
Douglas Ruas para governador do Estado. Quanto ao voto para a presidência da República, Munir desconversou. “Quero avaliar todas as opções apresentadas ao eleitor”, informou.
Leia a seguir a íntegra da entrevista com Munir, candidato a deputado estadual pelo PSD.    

 

aQui: O senhor é contra ou a favor do envio de emendas parlamentares?

Munir Neto: Sou a favor. A emenda parlamentar é um instrumento importante para fazer o recurso público chegar onde a população precisa, desde que todo o processo seja conduzido com transparência, responsabilidade e diálogo. Por meio das emendas que destinamos, conseguimos contribuir para a recuperação de escolas estaduais em toda a região, aquisição de viaturas e equipamentos para a Polícia Militar e compra de equipamentos hospitalares que hoje ajudam a salvar vidas. É recurso público voltando para a população em forma de serviço e investimento.

 

aQui: O senhor concorda com a tese de que o envio de emendas coloca os prefeitos fluminenses sob dependência política dos parlamentares, para tocar projetos e obras em seus municípios?

Munir: Não concordo. Pelo menos não é essa a relação que procuro construir com os prefeitos. Quem foi eleito para comandar uma cidade tem legitimidade, responsabilidade e força política próprias. A emenda deve servir para ajudar o município e atender à população, nunca para transformar prefeito em refém de deputado. Nem consigo imaginar, por exemplo, um prefeito com a experiência e o peso político do Neto aceitando esse tipo de relação. Deputado e prefeito podem ser parceiros, mas cada um deve preservar sua independência e, principalmente, respeitar a população que representa.

 

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aQui: Se o senhor tivesse que enviar uma emenda para uma única obra em alguma cidade no Sul Fluminense nos próximos quatro anos, qual seria a obra?
Munir: Se realmente tivesse de escolher apenas uma, eu começaria ouvindo os prefeitos e as lideranças da região. Escolher sozinho contrariaria aquilo em que acredito: o parlamentar precisa dialogar e compreender onde o recurso público pode produzir maior benefício. Mas, se tivesse de apontar imediatamente uma prioridade, buscaria um investimento de caráter regional, especialmente na área da saúde, como o fortalecimento do Hospital Regional ou de outra estrutura capaz de atender moradores de várias cidades do Sul Fluminense. Se o recurso é limitado, devemos buscar o maior alcance possível.

 

aQui: O senhor abriria mão de indicar uma emenda se soubesse que o projeto pode atender mais aos interesses políticos do prefeito ou de um grupo do que ao interesse público?
Munir: Sem dúvida. Emenda parlamentar é dinheiro público e precisa atender ao interesse público. Antes de destinarmos um recurso, procuramos avaliar seu alcance, sua necessidade e o benefício que ele poderá proporcionar à população. Se ficar demonstrado que determinado projeto atende prioritariamente a interesses particulares ou político-eleitorais, não há razão para colocar dinheiro público nele. Transparência, responsabilidade e resultado para a população precisam estar acima de qualquer conveniência política.

 

aQui: Qual promessa o senhor vê outros candidatos fazendo nesta eleição que considera impossível de cumprir?
Munir: Prefiro não fazer campanha avaliando promessa de adversário. Quero ser cobrado pelas minhas. Posso mostrar o que fizemos: ajudamos a levar asfalto para centenas de ruas, avenidas e estradas, incluindo a Roma-Getulândia; trabalhamos para trazer e ampliar o Segurança Presente em Volta Redonda e em outras cidades da região, além do Bairro Presente; destinamos investimentos para escolas, saúde e assistência social. O Batalhão de Ações com Cães era um sonho antigo e ajudamos a tirá-lo do papel, assim como trabalhamos pela implantação do Batalhão Ambiental. Enquanto alguns temas aparecem apenas no discurso, procuro transformá-los em ações concretas. O eleitor está cada vez mais preparado para comparar aquilo que é promessa com aquilo que efetivamente foi realizado.

 

aQui: Qual problema do Sul Fluminense depende diretamente da Assembleia Legislativa (Câmara) e que os deputados da região não conseguiram resolver até hoje?
Munir: Não acredito que os grandes problemas do Sul Fluminense possam ser resolvidos exclusivamente pela Alerj. O Legislativo tem um papel fundamental: criar leis, fiscalizar, destinar recursos, cobrar soluções e ajudar a construir políticas públicas. Mas segurança, saúde, educação, mobilidade e geração de empregos exigem a participação dos municípios, do Estado, da União e da própria sociedade. O papel do deputado é fazer a região ter voz, recursos e atenção dentro desse processo. É isso que procuro fazer.

 

aQui: Qual político fluminense o senhor considera superestimado?
Munir: Não acho que me cabe dar nota para outros políticos. Quem faz essa avaliação é a população, principalmente nas urnas. Prefiro gastar meu tempo mostrando meu trabalho e permitindo que o eleitor faça a comparação. A política já tem confronto demais; precisamos de mais resultado.

 

aQui: O senhor tem acompanhado os trabalhos na Alerj (Câmara)? Cite três boas leis aprovadas recentemente que estão sendo úteis para a população. Cite também outras três leis que têm tudo para não ‘vingar’ ou que sejam inúteis.
Munir: Acompanho porque faço parte desse trabalho e prefiro falar das leis que conheço profundamente e pelas quais posso responder. Entre as iniciativas que apresentei estão o Estatuto da Pessoa com Doença Rara, voltado à proteção das pessoas com doenças raras e de seus familiares; o Programa Coluna Reta, para prevenção, diagnóstico e tratamento da escoliose entre alunos da rede pública; o Programa Sorriso Saudável, com atendimento odontológico para idosos acolhidos em instituições; o Cartão do Saber, que prevê auxílio para aquisição de livros físicos e digitais por estudantes da rede estadual; e o Programa Policial Militar Mirim, voltado à cidadania, direitos humanos, segurança e saúde de crianças e adolescentes. Também trabalhamos pela regularização de imóveis ocupados por templos religiosos de diferentes denominações, sem fins lucrativos.
Quanto às leis que considero inúteis, prefiro estabelecer um critério em vez de simplesmente citar colegas: lei boa é aquela que pode sair do papel, tem aplicação prática e melhora a vida das pessoas. Projeto criado apenas para produzir manchete, sem possibilidade real de execução, precisa ser analisado com muito cuidado.

 

aQui: Cite três projetos de lei que o senhor pretende apresentar caso seja eleito.
Munir: Tenho três áreas que considero fundamentais para o próximo mandato. A primeira é a proteção do setor produtivo e dos empregos do Sul Fluminense, especialmente diante dos desafios enfrentados pela indústria. A segunda é a segurança pública, fortalecendo programas que deram resultado e criando melhores condições para os profissionais que estão nas ruas protegendo a população. E a terceira é ampliar políticas sociais que funcionam, principalmente para idosos, pessoas com deficiência, pessoas com doenças raras e famílias em situação de vulnerabilidade. Quero transformar essas prioridades em projetos construídos com quem vive os problemas, para que sejam leis possíveis de executar e capazes de produzir resultado.

 

aQui: O senhor tem coragem de sair a pé, com sua família, à noite por Volta Redonda, Barra Mansa ou Resende, as três principais cidades da região? Cite dois lugares aonde iria sem medo de violência.
Munir: Tenho e faço isso. Continuo frequentando normalmente as cidades da região, inclusive acompanhado da minha família. Em Volta Redonda, por exemplo, vou tranquilamente à Vila Santa Cecília ou ao Aterrado. Mas não quero usar minha experiência pessoal para dizer que o problema da segurança está resolvido. Não está. Segurança pública exige investimento permanente, presença policial, inteligência e prevenção. Por isso trabalhamos tanto para ampliar programas como o Segurança Presente e o Bairro Presente e para fortalecer a estrutura das forças de segurança na região.

 

aQui: O senhor tem divulgado ‘dobradinhas’ com vários políticos, batendo de frente com a campanha da Aciap-VR que defende o voto útil em chapas com candidatos apenas de Volta Redonda. O que o levou a tomar tal decisão?
Munir: Respeito a posição da Aciap-VR e considero legítimo todo movimento que procure fortalecer a representação de Volta Redonda. Ao mesmo tempo, vamos construir parcerias com pessoas que ajudaram ou que assumiram o compromisso de ajudar nossa cidade e nossa região. Passamos os últimos quatro anos sem um representante de Volta Redonda na Câmara dos Deputados e, nesse período, contamos com o apoio de parlamentares de outras cidades para viabilizar recursos e projetos importantes. Portanto, existe também uma questão de reconhecimento e reciprocidade. Meu compromisso é apoiar quem tenha compromisso verdadeiro com Volta Redonda e com o Sul Fluminense.

 

aQui: Em quem o senhor vai votar para governador? Para senador? E para presidente?
Munir: Para governador, estamos com Douglas Ruas. Para o Senado, com Pedro Paulo e Marcos Dias. Em relação à Presidência da República, ainda vamos analisar o cenário. Quero avaliar todas as opções apresentadas ao eleitor, e não reduzir essa decisão antecipadamente a apenas duas candidaturas.

 

aQui: Como analisa os recentes escândalos envolvendo políticos, eleitos ou não, tanto no estado do Rio quanto em Brasília?
Munir: Lamento profundamente. Cada novo escândalo prejudica não apenas os envolvidos, mas a confiança das pessoas na própria política. Ao mesmo tempo, isso aumenta minha responsabilidade de olhar meus eleitores nos olhos, pedir o voto e mostrar o que fiz durante o mandato. Em toda a minha trajetória pública, procurei agir com honestidade e respeito ao dinheiro público. Como o prefeito Neto costuma dizer, podemos até cometer erros, porque ninguém é infalível, mas não podemos falhar no caráter e na honestidade. Esse é um princípio do qual não abro mão.

 

aQui: Ainda sobre o tema escândalos: por que o eleitor deve confiar que, caso seja eleito, o senhor não irá se envolver em situações como as investigadas?
Munir: Porque tenho uma trajetória pública que pode ser examinada. Fui secretário de Ação Comunitária em Volta Redonda e também em Angra dos Reis, acumulo cerca de 20 anos de atuação na vida pública e exerci um mandato de deputado estadual sem envolvimento em escândalos ou acusações dessa natureza. Não peço que ninguém confie apenas na minha palavra. Peço que olhe meu passado, minha conduta e aquilo que fiz quando tive responsabilidade sobre recursos e decisões públicas. Meu passado e meu presente são os maiores fiadores da maneira como pretendo continuar exercendo a política.

 

aQui: Por que acredita que o eleitor deve votar no senhor e não no seu adversário?
Munir: A eleição proporcional tem uma característica diferente: existem vários candidatos e cabe a cada um mostrar por que merece representar a população. Quero pedir o voto pelo trabalho que realizamos e pelo que ainda podemos fazer. Foram investimentos em segurança, saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais, além de recursos destinados aos municípios da região. Ser o candidato apoiado pelo prefeito Neto é motivo de orgulho, porque represento um grupo político que tem como princípio cuidar das pessoas e entregar resultados. Mas também quero ser avaliado pela minha própria trajetória e pelo meu mandato. Tenho experiência, disposição e vontade de trabalhar ainda mais pelo Sul Fluminense e pelo Estado do Rio. É com trabalho realizado e compromisso com o que ainda precisa ser feito que peço a confiança do eleitor.

Farinha pouca…

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Entidades da região refutam ‘bairrismo’ em campanha da Aciap-VR

Walter Barros

Focada no engajamento em torno apenas de candidatos da Cidade do Aço, e de olho no aumento da representatividade política do município nas esferas estadual e federal, a campanha ‘Vote por Volta Redonda’, da Aciap-VR, desagradou a várias instituições do Sul Fluminense. Para elas, a direção da Associação Comercial errou a mão e acabou promovendo uma iniciativa bairrista, na contramão da integração regional. Na mesma direção, representantes da política local entendem que a estratégia de sobrepor os interesses de Volta Redonda aos da região pode acabar atrapalhando candidaturas em ascensão regional.

Lançada em julho, a campanha, em tese, tem lá seus motivos, já que os ‘forasteiros’ abocanharam cerca de 60% dos quase 180 mil votos válidos de Volta Redonda nas eleições de 2022, ao sabor de boatos da distribuição de ‘caminhões de dinheiro’, o que, dizem, estaria se repetindo este ano, já que os eleitores volta-redondenses já chegaram a 222 mil, o que corresponde a cerca de 25% dos 900 mil eleitores do Sul Fluminense. 

Ao justificar a campanha na imprensa, o presidente da Aciap-VR, Maycon Abrantes, lembrou que Volta Redonda não elege um deputado federal há duas eleições e ressaltou o objetivo da iniciativa: “Fazer com que a população entenda a importância de votar no candidato da nossa cidade, porque, com isso, a gente compromete muito os investimentos aqui na nossa cidade”, disse. O curioso é que Maycon, como mostra a foto, derreteu-se todo em sorrisos para Hugo Leal, deputado federal, forasteiro, em recente encontro  na cidade. 

Outros números de 2022 confirmam a ‘preocupação’ de Abrantes. Afinal, Volta Redonda ajudou a eleger ou reeleger nomes conhecidos do cenário nacional, como Lindbergh Farias (PT), Doutor Luizinho (PP), General Pazuello (PL), Benedita da Silva (PT) e Otoni de Paula (MDB), que levaram do município entre 2.000 e 3.700 votos cada um nas eleições passadas. 

O curioso é que o pontapé inicial da campanha da Aciap-VR começou justamente com a presença de um ‘forasteiro’, o coronel da PM Luiz Henrique, candidato a deputado federal. Ele é carioca da gema, tendo morado em Volta Redonda entre 2009 e 2016, quando comandou a Guarda Municipal. É ligado ao prefeito Neto e tem apoio até de adversários (poucos) do Palácio 17 de Julho, como o ex-vereador Granato.  

Ainda que possa ser considerada contraditória, a presença do PM Luiz Henrique no lançamento da campanha não é o pivô da discórdia de representantes de outras entidades regionais. É o que se conclui pelo posicionamento do presidente e fundador da CDL de Barra do Piraí, Beto Loureiro. Em entrevista ao aQui, ele observou que os municípios precisam de parceria para sobreviver e lembrou que a entidade comandada por ele possui associados de outras cidades. 

Empresário e ex-secretário executivo da Secretaria de Trabalho de Barra do Piraí, Loureiro disse que a atribuição constitucional de deputados não é de legislar para determinada cidade. “Respeito o posicionamento da Aciap-VR, mas, enquanto entidade, discordo de uma campanha focada em candidaturas de um único município, porque isso enfraquece a região como um todo. Um exemplo de que a atuação dos municípios funciona melhor de maneira conjunta é o Hospital Regional, que não conseguiria existir somente com os recursos de um único município, e que acaba beneficiando todas as cidades consorciadas”, disparou.

Economista especialista em gestão de cidades pela FGV, Beto Loureiro também citou os consórcios intermunicipais que contemplam várias cidades nas áreas de saneamento básico e projetos de cunho ambiental. Entre eles, os aterros que atendem vários municípios, como o de Vassouras. “Sendo assim, a polarização local não contribui para o desenvolvimento da região. Não podemos criar ilhas de progresso nas cidades maiores em detrimento das menores do entorno”, concluiu.

O presidente da CDL Itatiaia e Resende, Adelmo Pazzini, entende que a iniciativa do ‘Vote por Volta Redonda’ seja legítima e importante para estimular a participação política e a representatividade dos municípios. “Cada cidade tem o direito de defender seus interesses e buscar maior representatividade para suas demandas. Respeitamos a iniciativa da Aciap Volta Redonda e entendemos a importância de fortalecer a representatividade do município. Entretanto, quando falamos em desenvolvimento econômico e político do Sul Fluminense, acreditamos que é fundamental também pensar de forma regional”, emendou.

Pazzini acredita que o Sul Fluminense pode perder oportunidades quando os interesses municipais são colocados acima das pautas que são comuns à região. “Não vemos como uma questão de ‘Volta Redonda contra os demais municípios’, mas como uma oportunidade de construir uma representação política que contemple as diferentes necessidades do Sul Fluminense. Quanto mais unidos estivermos em torno de pautas regionais, maior será nossa capacidade de reivindicar investimentos e políticas públicas para toda a região”, justificou.

O representante da CDL Itatiaia e Resende argumentou ainda que o desenvolvimento de uma cidade não precisa acontecer em detrimento das cidades vizinhas. “Uma região economicamente forte é aquela em que seus municípios conseguem crescer de maneira integrada. Nossa posição é pela união, pelo diálogo e pelo fortalecimento do Sul Fluminense como um todo, respeitando as particularidades e os interesses legítimos de cada município”, finalizou.

Quem está de acordo com os empresários acima é o ex-presidente da Câmara de Volta Redonda, Luis Soró. Veja o que ele escreveu em uma publicação do aQui nas redes sociais, referente ao apoio do prefeito Neto à candidatura para deputado federal do ex-prefeito de Resende, Diogo Balieiro (PL). “Já imaginou se os cidadãos de cidades vizinhas boicotarem o comércio de Volta Redonda?”, indagou, levantando uma boa tese para ser discutida pelos eleitores. “A melhor campanha é votar em candidato da região, e o melhor e com chances reais de conquistar a vaga nesse momento é o Diogo Balieiro. Temos que fazer uma campanha pelo voto útil, pelo Diogo Balieiro. Quem ganha com isso é a nossa região, que vai se fortalecer cada vez mais”, pontuou.

A presidente da Aciap de Barra Mansa, Fernanda Moysés, preferiu não opinar, alegando que a entidade é apartidária e que sua atuação é pautada pelo seu estatuto e pelos princípios institucionais da entidade. “A Aciap-BM está aberta ao diálogo com candidatos e pode receber aqueles que desejem apresentar e discutir seus projetos e propostas com o setor empresarial. Isso, entretanto, não significa apoio, posicionamento político ou participação da entidade em campanhas eleitorais”, declarou. 

Indagada sobre a iniciativa da Aciap-VR, ela preferiu não polemizar. “A entidade respeita as iniciativas e as formas de atuação adotadas por outras instituições, entendendo que cada organização possui suas próprias características, normas e princípios”, concluiu.

Procurada pela reportagem, a Associação Comercial e Empresarial de Barra do Piraí (ACEBP) não havia se pronunciado até o fechamento desta edição. Já a CDL de Porto Real e Quatis preferiu não se posicionar. Maycon Abrantes, presidente da Aciap-VR, também não respondeu ao questionamento da reportagem sobre o direcionamento da campanha. O espaço, entretanto, continua aberto, à espera de um pronunciamento.  

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