terça-feira, outubro 27, 2026
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Pomo da discórdia

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No dia em que Neto ou Samuca morrerem, não importa qual vá primeiro (o que não quereremos que isso ocorra nem que a vaca tussa), o que ficar para trás irá, certamente, até o Portal da Saudade, onde o metro quadrado é o mais caro de Volta Redonda, só para tirar aquela dúvida atroz, que martela a cabeça dos inimigos: “Será que ele morreu mesmo?”, questionará um ou outro. Satirizando a briga do ex-prefeito com o atual prefeito de Volta Redonda, podemos garantir aos leitores do aQui que o quiproquó dos dois, iniciado nas eleições de 2016, tem tudo para ser eterno. No céu ou no inferno, Neto e Samuca vão continuar se alfinetando.

 

A última troca de farpas foi hilária, se não envolvesse os alunos das creches da rede municipal. É que, até prova em contrário, as unidades estariam sem material escolar. Faltaria até papel higiênico para os pimpolhos descarregarem suas necessidades. Para Samuca, conforme informações de sua assessoria de imprensa ao Diário do Vale, a triste realidade das escolas seria culpa de Neto. O ex-prefeito, é claro, reagiu. E usou a sua página do Facebook para explicar o que estaria, segundo ele, ocorrendo de verdade.     

 

“Já não é de hoje que o atual governo decidiu colocar em mim a culpa de tudo que não consegue fazer acontecer. A última é gritante! Nossas crianças não têm material escolar e nem papel higiênico nas escolas. Diante dessa situação trágica, fiquei com um questionamento no mínimo engraçado – Convocar toda a minha antiga equipe pedagógica e de licitação, para perguntar quem se esqueceu de avisar ao prefeito Samuca que criança faz xixi e cocô”, postou, de forma bem sarcástica.

 

Ele pode estar certo. É que diversos pais de alunos têm reclamado aos jornais, como o aQui já publicou, que a situação nas creches está muito difícil. “Falta tudo”, disparou um deles, lembrando que no início do ano as diretoras chegaram a pedir ajuda dos pais. “Queriam que a gente levasse papel ofício, lápis, tinta para impressora e produtos de limpeza e higiene, como papel higiênico”, enumera. “Como o pedido não caiu bem, o prefeito Samuca chegou a proibir que as diretoras pedissem qualquer coisa. Mas não comprou nada para as escolas”, desabafou.

 

Em nota enviada ao Diário do Vale, a assessoria de imprensa do governo Samuca explicou que a falta de material nas escolas estava ocorrendo por culpa do governo Neto. “A gestão anterior não previu licitação para a compra desses materiais, o que acabou desabastecendo o estoque para este ano”, informou, garantindo que “a atual gestão (Samuca) já teria dado início a um processo licitatório, que deve ser concluído nas próximas semanas”, afirmou, esquecendo que a atual secretária de Educação, a quem cabe a tarefa de zelar pela estrutura das escolas, comanda a pasta há mais de 100 dias. “O que ela fez nesses últimos quatro meses e meio?”, indaga o pai de uma das crianças, em contato com a redação do aQui. É. Faz sentido!   

 

Neto, em entrevista, fez coro. “As desculpas do atual prefeito (Samuca) são esfarrapadas. Toda escola precisa de tinta, material de limpeza, papel higiênico. Isso é o básico do básico da educação pública. Está faltando é gestão”, alfinetou, insistindo na tecla que deixou R$ 100 milhões para os verdes. “Não sei o que ele (Samuca) está pensando”, disparou, aproveitando para deixar no ar uma preocupação com o que poderia ser uma estratégia do atual prefeito. “Ele pode estar deixando as coisas piorarem, fazendo caixa para gastar depois. Aí aparece como salvador da pátria. Mas o povo pode estar percebendo a jogada. É uma tática perigosa. Faltar papel em escola não é problema financeiro, é de gestão” cutucou.

 

Reação

 Nas redes sociais, os internautas se dividiram, como se ainda estivéssemos às vésperas da eleição de 2016. “Eu trabalho em duas escolas e posso falar com propriedade. Está faltando de tudo: cola, papel, giz, vários tipos de folhas que nós precisamos para trabalhar com as crianças. Está uma verdadeira vergonha”, postou um deles, dando a entender que seria um professor de duas escolas da rede municipal.

 

A postagem feita pelo ex-prefeito Neto rendeu 98 compartilhamentos e dezenas de comentários. A internauta que se identificou como Rosa Maria foi irônica ao analisar a situação. “Ele (Samuca) está muito ocupado cuidando do Uber e do trânsito da Amaral Peixoto. Absurdo!!”, escreveu, referindo-se à tentativa fracassada do atual governo de impedir o uso do Uber na cidade do aço e ainda das mudanças (ruins) feitas na Avenida Amaral Peixoto, que acabaram prejudicando lojistas e consumidores.   

 

Rafael D´Avila Prunzel foi além e fez o seguinte comentário no Facebook de Neto: “Palhaçada Samuca é um desastre, não consegue por uma galinha a botar ovo!!!”, escreveu. Já a internauta Giselle Maria aproveitou para fazer uma comparação que deve ter agradado ao ex-prefeito. “Tenho 3 filhos e todos estudaram em escolas da prefeitura e nunca faltou nada em momento algum. É uma vergonha o que essa atual administração está fazendo na nossa cidade tanto na Educação quanto na Saúde e em todo resto. A verdade é que ele está fazendo uma experiência e nós somos ratinhos de laboratório nas mãos de um cientista maluco”, disse, referindo-se a Samuca.

 

Jaqueline Gil, por sua vez, defendeu os verdes escrevendo na página de Neto. “Se tivesse dinheiro na prefeitura com certeza não estaria acontecendo isso. Eu não tenho nada contra o prefeito Neto, sempre votei nele em todas as eleições. Acho que estão querendo cobrar muito do prefeito Samuca. Ele só está a cinco meses na prefeitura e temos que esperar mais um tempo. Ele não pode ser culpado de tudo”, pontuou, mostrando-se otimista. “Vamos confiar que tudo vai se resolver. Nossas crianças não merecem passar por isso”, disparou. Está coberta de razão!

 

Para encerrar, fica a posição da internauta Thamires Lima: “Essa briguinha de Neto e Samuca já está chato! Se cada um assumisse sua responsabilidade seria muito melhor! Aiai”, analisou.

Política & cia

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Engordando a base

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O prefeito Samuca Silva (PV) reuniu na manhã de ontem, sexta, 19, um grupo de dez vereadores em seu gabinete no Palácio 17 de Julho. Todos do ‘Grupo dos 14’, que comanda a mesa diretora da Câmara. Na pauta, o fim do bloco de oposição. O resultado foi positivo e os dez vão caminhar ao lado do prefeito. Só não foram convidados para a reunião os vereadores Carlinhos Santana (SD), Fernando Martins (PMDB), Fábio Buchecha (PTB) e Jari (PSB) – sendo que os dois últimos não são de oposição. Muito pelo contrário.

O aQui até que tentou acompanhar a reunião, iniciada às 10 horas. Entretanto, o prefeito não liberou a entrada do repórter e Samuca e os 10 vereadores trataram do aumento da base aliada, sem testemunhas, por cerca de duas horas. Até assessores mais próximos foram convidados a sair da sala. “A reunião foi muito tranquila. O prefeito pediu nossa ajuda. Pediu um voto de confiança. Como todos nós queremos o bem da cidade, nos colocamos à sua disposição”, disse um parlamentar – pedindo para não ser identificado. E é ele quem jura que Samuca não prometeu nada em troca do apoio político.

Quem participou da reunião disse que Samuca está sinalizando algumas mudanças. Pode até mexer no ‘Grupo dos 7’. “O prefeito disse que está decepcionado com alguns vereadores de primeira viagem. Acha que alguns estão muito deslumbrados”, comentou o vereador, sem citar os nomes dos que devem deixar a base verde. “O intuito agora é ter uma base aliada de 14, 15 vereadores. No mínimo dois terços da Câmara”, completou.
A articulação de Samuca para criar uma nova base na Câmara começou após o aQui publicar que os parlamentares mais experientes estariam prestes a criar um bloco oficial de oposição, tanto que algumas reuniões chegaram a ser feitas por integrantes do ‘Grupo dos 14’. Depois de muita articulação, Samuca conseguiu desarticular o movimento e atrair os insatisfeitos para o Palácio 17 de Julho. Resta saber se conseguirá mantê-los.

Participaram da reunião com Samuca, o presidente da Câmara, Sidney Dinho (PEN); Francisco Novaes (PP), Pastor Washington (PRB); Granato (PTC); Paulo Conrado (PRTB); José Augusto (PDT); Rodrigo Furtado (PTC); Neném (PSB); Edson Quinto (PR) e Tigrão (PMDB).

 

Campanha
Já está circulando nas redes sociais uma petição online de repúdio a dois Projetos de Lei aprovados pela Câmara de Volta Redonda. Um é o que cria o Dia do Terço dos Homens (da Igreja Católica), apresentado por Luciano Mineirinho (PR). O outro é o que cria o Memorial Jerusalém, do vereador pastor Laydson (PMDB). Os críticos dizem que as propostas ferem o Estado Laico. A campanha é encabeçada pelo ‘Volta Redonda Sem Homofobia’ e pelo CEDIR – Coletivo de Estudos e Diálogo Inter-religioso.

Vetos
Os vereadores derrubaram, por unanimidade, na segunda, 15, dois vetos do prefeito Samuca. Um deles é o que cria o bairro Fazendinha, apresentado por Granato (PTC). O outro é sobre usar recursos dos parquímetros para as entidades filantrópicas da cidade, do vereador Pastor Washington (PRB). O prefeito, para vetar os projetos, alegou que eram inconstitucionais.

Salário
O prefeito Samuca tem dito a aliados que já tem, guardados no cofre, recursos suficientes para pagar os salários dos servidores até agosto. Que bom!

Com fôlego!

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Silvio Campos, presidente1

Pollyanna Xavier

À exceção dos últimos acontecimentos na política brasileira – que podem impactar, e muito, a economia e o crescimento industrial –, as fábricas da região já dão sinais de uma tímida recuperação. O Consórcio Modular da MAN, por exemplo, localizado em Resende, está encerrando o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que garantiu a estabilidade dos trabalhadores por quase dois anos. Todos tiveram redução de 20% na jornada diária de trabalho e pelo menos 10% nos salários. A compensação pelo salário perdido ficou a cargo do governo Federal.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos, o encerramento do PPE na MAN acontecerá, oficialmente, no dia 1º de junho. Silvio comemorou o fim do Programa e ainda deu uma boa notícia aos trabalhadores: a de que o consórcio concordou em conceder uma estabilidade aos seus trabalhadores até o final de 2018. Até lá, não ocorrerão demissões em massa. “Independentemente do fim do PPE, a empresa reafirmou que permanecem garantidas todas as cláusulas do acordo coletivo, inclusive a estabilidade dos empregos até dezembro de 2018”, anunciou.

Silvio reconhece que a economia ainda não está totalmente recuperada e que a melhora tem ocorrido de forma lenta e gradativa. “Ainda é evidente o cenário de crise na economia do país, mas o mercado tem sinalizado uma tímida melhoria, o que vem provocando a retomada da rotina na produção das montadoras. Embora ainda sofrendo com o atraso na entrega de peças, como consequência da crise, com a perda de alguns fornecedores que tiveram que fechar suas portas. Para o sindicato, esse quadro já é motivo de comemoração já que centenas de trabalhadores voltarão a receber o seu salário integral”, comentou.

A MAN implantou o PPE entre as empresas do Consórcio Modular por pelo menos duas vezes. A primeira adesão foi em 2015 e ela chegou a prorrogar a medida por seis meses. Antes disto, em 2014, a MAN chegou a fazer um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos para a redução da jornada de trabalho, bem semelhante ao PPE. Na época, a ideia era a de adequar a operação da Companhia ao fraco desempenho do mercado de caminhões e ônibus, já que a ociosidade na empresa era de até 70% do potencial produtivo da montadora. Além do PPE, a MAN também chegou a lançar um Programa de Demissão Voluntária e antecipação de aposentadorias. Com isto, o número de trabalhadores caiu de 6 mil funcionários em 2011, para quase R$ 3,7 mil em 2016.

Para Silvio Campos, o fim do PPE representa uma vitória do Sindicato dos Metalúrgicos. E ele deixou claro no boletim que a entidade distribuiu entre os trabalhadores da MAN, ao longo da semana. “O PPE evitou centenas de demissões e o fechamento dos postos de trabalho na região”, comemorou, reforçando que a partir do dia 1º de junho os trabalhadores do consórcio MAN voltarão à normalidade de salários e da jornada de trabalhando, lembrando ainda que estão garantidos por uma estabilidade nos próximos 18 meses. Até lá, acredita-se numa recuperação ainda maior no mercado brasileiro de caminhões e ônibus. 

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