domingo, agosto 30, 2026
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Pergunte pro Neto

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Neto responde a perguntas inéditas feitas por leitores do aQui

Aproveitando o aniversário de Volta Redonda, quando todas as atenções estão voltadas para o Palácio 17 de Julho, o aQui resolveu pedir a colaboração de alguns leitores para uma ‘entrevista exclusiva’ com o prefeito Antônio Francisco Neto. Uma brincadeira a sério, diríamos, que ganhou o nome de ‘Pergunte pro Neto’. A única condição imposta pelo aQui foi a de que não fossem perguntas envolvendo as eleições de outubro ou de foro pessoal.   

Alguns leitores não quiseram participar, alegando motivos de foro íntimo ou profissional. Mas vários aceitaram. Neto também. Leia abaixo o que eles perguntaram e as respostas dadas por Neto, a quem agradecemos por entender o espírito da reportagem, como democrata que é.

Marize Maria Martins, aposentada:
“Existe algum projeto de recuperação do córrego da Rua 41-C, com a limpeza, desassoreamento, revitalização e ações estruturais de conservação das margens, para evitar que, anualmente, os moradores sofram com as enchentes causadas pelas chuvas?”
Neto: “O Córrego foi desassoreado dentro do projeto ‘Limpa Rio’, que desenvolvemos junto com o Governo do Estado. A revitalização das margens está nos planos, sim, da mesma maneira que estamos fazendo no Jardim dos Inocentes. Vale ressaltar que os problemas das enchentes são muito graves, mas passam por mudanças climáticas e muito também pelo crescimento populacional. Não é de fácil solução, afeta todo o Brasil e é caro de resolver. Mas tudo que está ao nosso alcance está sendo feito para evitar que as enchentes aconteçam. Uma vez que as cheias cheguem, temos de trabalhar para minimizar os impactos à população. Podem ter certeza de que estamos trabalhando muito nisso.”

Rônel Mascarenhas e Silva, médico gastroenterologista:
“Prefeito, já estamos em tempo de pensar Volta Redonda sem a CSN?”
Neto: “Eu acho que não é hora de pensar Volta Redonda sem a CSN. É hora de pensar Volta Redonda com uma relação cada vez melhor com a CSN. Sempre digo que queremos uma empresa produzindo cada vez mais e poluindo cada vez menos. E temos visto que isso é possível.
A dependência econômica da cidade em relação à CSN, seja na geração de empregos ou na arrecadação de impostos, ainda é uma realidade. É verdade que hoje Volta Redonda está mais diversificada, tem novas atividades econômicas e mais alternativas do que tinha décadas atrás, mas simplesmente abrir mão da importância da CSN para o município não seria uma postura responsável de quem administra a cidade.
Isso não significa fechar os olhos para os problemas. Nunca deixaremos de cobrar investimentos ambientais, melhorias e o cumprimento da legislação. Sempre que for preciso, vamos dialogar, cobrar e, se necessário, defender os interesses da população nos órgãos competentes e na Justiça.
Agora, eu também percebo que a grande maioria da população quer uma convivência equilibrada entre a cidade e a empresa. Esse também é o meu entendimento. Buscar o diálogo será sempre a nossa primeira opção, sem abrir mão da firmeza quando os interesses de Volta Redonda precisarem ser defendidos.”

Sérgio Mamma, DJ, radialista e empresário:
“Mesmo tendo números muito satisfatórios em vários aspectos, como segurança, saúde e educação, Volta Redonda não figura entre as melhores cidades do ranking IPS 2026 de qualidade de vida em nosso estado. Você concorda com essa pesquisa?”
Neto: “Eu respeito toda pesquisa séria. Mas, para mim, a pesquisa mais importante continua sendo a opinião de quem mora em Volta Redonda. Eu faço uma pergunta simples: quantos moradores daqui trocariam Volta Redonda por algumas das cidades que aparecem à nossa frente nesse ranking? Eu sinceramente acho que a grande maioria tem orgulho de viver aqui e quer continuar vivendo aqui. Isso, para mim, diz muito sobre a qualidade de vida da nossa cidade.
Também é importante lembrar que existem outros levantamentos, igualmente sérios, que apontam Volta Redonda entre as cidades mais bem-avaliadas do estado e do Brasil. Recentemente fomos eleitos a terceira cidade mais sustentável do estado do Rio de Janeiro pelo Ranking Cidades Sustentáveis da Bright Cities. O Retornômetro, da Assertif, colocou Volta Redonda como a terceira cidade brasileira, entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, que melhor transforma os impostos pagos pela população em qualidade de vida. A Firjan classificou nossa gestão com nível de excelência na gestão fiscal. O Ranking de Competitividade dos Municípios, do CLP, nos coloca entre os melhores do estado, com destaque para educação, saneamento e outros indicadores. Além disso, somos reconhecidos pela transparência da gestão e temos resultados concretos na saúde, na segurança e na educação.
Então eu não diria que discordo dessa pesquisa específica. Eu apenas observo que há diversos outros estudos, utilizando metodologias diferentes, que mostram uma realidade muito positiva de Volta Redonda. No fim das contas, o nosso compromisso continua sendo o mesmo: trabalhar todos os dias para melhorar a vida das pessoas. E esse reconhecimento, vindo da população e de diversas instituições, mostra que estamos no caminho certo.”

Márcia Fernandes, gerente institucional do Instituto Dagaz:
“O senhor vai realmente se aposentar?”
Neto: “Aposentar da política, não. Tenho muita vontade de trabalhar, experiência e, principalmente, amor por Volta Redonda, para simplesmente vestir um pijama e ficar em casa. O que eu espero é que, ao fim deste mandato, a cidade tenha uma liderança preparada para dar continuidade a tudo o que construímos. Não podemos voltar ao tempo de hospitais fechados, servidores com salários atrasados, obras paradas, projetos de segurança abandonados e uma rede de assistência social enfraquecida. Se eu enxergar que Volta Redonda continuará bem-cuidada, vou ficar feliz em contribuir de outras formas, sem necessariamente disputar uma eleição. Acho que a nossa população amadureceu muito e sabe diferenciar quem tem compromisso com a cidade de quem aparece apenas com discursos e promessas.

Guto Haasis, empresário:
“Quais os projetos, na área de fomento econômico, o prefeito pensa para os próximos anos, visando o crescimento da economia local?”
Neto: “Desenvolvimento econômico não acontece por acaso. Primeiro, a cidade precisa oferecer segurança, infraestrutura, água, mobilidade e qualidade de vida. É isso que estamos fazendo. Ao mesmo tempo, temos um desafio importante: ampliar a oferta de áreas para novos empreendimentos. A prefeitura trabalha para viabilizar a aquisição da antiga área da Votorantim, que pode se transformar em um grande condomínio industrial, atraindo empresas e gerando empregos. Também percebemos que Volta Redonda voltou a despertar o interesse de grandes investidores. Os investimentos que vemos no Park Sul, no Sider Shopping e em diversos outros empreendimentos mostram que a iniciativa privada voltou a acreditar na nossa cidade. Esse é um caminho sem volta.”

Edmilson Alvarenga, empresário e presidente do SindiReal:
“Entre todas as obras, projetos e programas realizados ao longo da sua gestão, e aqueles que ainda pretende entregar até o fim do mandato, qual o senhor considera mais importante para a cidade? E por quê?”
Neto: É difícil escolher apenas uma, porque cada investimento atende a uma necessidade diferente da população. Mas, olhando para o futuro de Volta Redonda, a nova Estação de Tratamento de Água talvez seja o projeto mais estratégico, porque garante segurança hídrica para as próximas décadas e cria condições para a cidade continuar crescendo. Ao mesmo tempo, temos a ampliação dos hospitais São João Batista e Munir Rafful, que fortalecem a nossa saúde, e investimentos históricos na segurança pública, como o Batalhão de Ações com Cães, o Batalhão de Policiamento Ambiental, o futuro Regimento de Polícia Montada e o Grupamento de Policiamento Aéreo. O mais importante é saber que essas entregas fazem parte de um mesmo projeto: preparar Volta Redonda para os próximos 20 ou 30 anos.

Paulo Ramos de Oliveira, aposentado:
“É verdade que existe um programa de habitação popular aprovado para o município, com previsão de construir duas mil moradias? E quais serão os benefícios do projeto para a cidade e para a população?”
Neto: “É verdade. Estamos trabalhando para viabilizar a construção de pelo menos duas mil novas moradias populares em Volta Redonda. Esse é um dos maiores programas habitacionais da nossa história recente. O benefício mais importante é dar dignidade às famílias que sonham com a casa própria. Mas os reflexos vão muito além disso. A construção civil movimenta a economia, gera milhares de empregos diretos e indiretos, aquece o comércio e aumenta a circulação de renda na cidade. Além disso, esse projeto dialoga diretamente com o espírito da Campanha da Fraternidade deste ano, que nos convida a olhar com mais atenção para o direito à moradia e para a dignidade das famílias. Quando investimos em habitação, estamos investindo também em desenvolvimento econômico, inclusão social e qualidade de vida.”

 

Fim das boates

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Casas noturnas na região perdem espaço entre geração Z e Millennials

Walter Barros

Um boneco solitário colocado na entrada do antigo CCRR simboliza o declínio das boates no Sul Fluminense. Mas o fechamento do clube, localizado no Centro Histórico de Resende, pode ser compreendido pela mudança de hábito da Geração Z e dos Millennials, que, de maneira geral, deixaram para trás as noites dançantes das boates de Volta Redonda, Barra Mansa e cidades vizinhas, pela procura por hábitos mais saudáveis. Um argumento que não convence quem culpa a falta de empreendedorismo regional e a alta carga tributária do país pelo desaparecimento das famosas casas noturnas.

De acordo com um levantamento da Uliving, 62% dos universitários trocam as baladas por encontros em casa, concentrando o lazer ao círculo mais próximo dos amigos dentro da própria moradia estudantil, índice superior ao dos que apontam colegas da faculdade ou do trabalho como suas principais conexões sociais. Segundo o estudo da empresa, as moradias estudantis vêm assumindo um papel que vai além da habitação. Para muitos jovens, esses espaços se tornaram pontos centrais de convivência, onde amizades são construídas a partir da rotina compartilhada e de interações presenciais frequentes.

“Existe uma mudança clara na forma como os jovens se relacionam. A socialização continua sendo importante, mas acontece cada vez mais em ambientes conectados à rotina, onde há sensação de pertencimento, praticidade e segurança. O estudante busca relações mais próximas e recorrentes, e não apenas encontros pontuais”, explica o CEO da Uliving, Ewerton Camarano. Para o executivo, a mudança também altera a dinâmica dentro das moradias estudantis. 

Além de atividades organizadas, como eventos de integração, ações de bem-estar e programações voltadas à comunidade, grande parte das conexões acontece de forma espontânea em áreas compartilhadas, como cozinhas, salas de estudo, espaços de convivência e coworkings. “Muitas amizades começam em situações simples do cotidiano: estudantes que cozinham juntos, dividem momentos de estudo ou compartilham experiências da vida universitária. Esse convívio frequente acaba fortalecendo vínculos de forma muito natural”, completa Camarano.

Sérgio Mamma, 59 anos, conhece como poucos os meandros da transformação comportamental dos jovens, o que se confunde com a carreira do DJ, radialista e empresário de eventos de Volta Redonda. Uma história que começou quando ele tinha 14 anos e já promovia ‘Hi-Fis’ em casas no Bela Vista, Vila, Laranjal, com os amigos. “Eu frequentava o ‘Hi-Fi’ do Funcionários e também a ‘PET Som’ das sextas-feiras. Um dia, eu fui lá perto da cabine e o diretor, na época o Luiz Xavier, tirou o DJ da época, que não estava em boa condição para tocar na noite, e não tinha ninguém para tocar. Ele falou: ‘Você faz’? Eu falei: ‘Faço’”, conta. Frequentador de carteirinha de boates como Fantasy e Saloon, Mamma participaria depois da inauguração do ‘Porão’, “o maior sucesso da noite de Volta Redonda”, além de acumular passagens por grandes boates do Rio de Janeiro. 

Quando questionado sobre a transformação no comportamento dos jovens, Mamma salienta que o fenômeno está acontecendo no mundo inteiro, não só na região. “A pandemia influenciou muito, porque, além de vir uma nova geração, que não curte esse tipo de divertimento e que sofre uma influência muito grande das mídias sociais, foi preponderante para mudanças de hábito, como alimentação. As pessoas não querem mais sair, são mais econômicas, menos arriscadas. Os jovens curtem mais eventos esporádicos, como Rock In Rio, shows ao ar livre, barzinhos que não cobram por entrada”, explica.

Pedro Oliveira, 40, é outro que não deixa passar despercebido o comportamento da Geração Z e dos Millennials quando o assunto é balada. O DJ, de Volta Redonda, iniciou sua carreira em 1997, de forma amadora e despretensiosa, como um hobby, tocando em pequenas festas na garagem de amigos. “Ao longo do tempo, a brincadeira foi virando fonte de renda e profissão. Não só frequentei, como tive a oportunidade de me apresentar em casas que foram icônicas na região, como Boate Porão, Hi-Fi do Clube dos Funcionários, Pullse Club, Aero Clube, Cana Café, Celeiro Resende, Penedo Dance House, entre outros”, acrescenta.

Acerca da transformação no comportamento dos frequentadores, Pedro avalia que, em tempos passados, a conexão entre o público e o artista era mais intensa. “Consigo analisar essa mudança com a chegada forte da internet. Após 2005, o relacionamento entre pessoas ficou muito mais virtual, o que resultou em um público mais frio e de consumo rápido de qualquer coisa. A facilidade hoje de poder ter tudo na palma da mão, áudio e vídeo, acarretou desinteresse em sair para escutar música. No passado, tínhamos artistas que detinham músicas em versões exclusivas, o que criava esse ponto alto em muitos momentos em uma balada. A chegada do MP3, a popularização da internet e dos computadores, facilitou o acesso ao que, no passado, ficava restrito nas mãos de poucos”, opina.

O produtor Bruno Carvalho, 38, é outro que começou a pegar gosto pela noite ainda na época de colégio. “Sempre gostei de agitar churrasco, festinhas sociais. Fui pegando gosto e, na época da faculdade de Administração, fiz um curso de produção de eventos com um dos caras que organizavam o Rock In Rio”, relata. Promoter da Pullse durante sete anos, ele acredita que as baladas do passado enchiam mais pelo gosto de beber. “Os jovens de hoje em dia não são muito de beber, de socializar tanto, acho que a facilidade das redes sociais pra se marcar um encontro, ficar com alguém, também ajudou bastante para esse fator. Antigamente, as pessoas saíam para curtir, conhecer gente nova, tentar ficar com alguém. Hoje em dia as pessoas fazem isso por rede social, Instagram, Tinder. E, com acesso à informação, acredito que a garotada resolveu se cuidar mais”, define.

Na interpretação de uma fonte do aQui, que pediu para não ser identificada, a narrativa da mudança de comportamento não se sustenta. “Isso depende da cidade. Você vai a cidades hoje que têm várias casas noturnas, boates, todo mundo bombando. Volta Redonda é diferente, a parada é outra. Eu não concordo com essa história de que acabaram as boates, não tem boate pra ir: o custo é caro, com muito imposto. A RAJ tava bombando, foi em 2024, geração Z, todas as gerações, bombando. Faziam vários shows, os caras ganhavam R$ 100 mil por semana. Não tem casa noturna porque Volta Redonda é um lugar estranho, e o Brasil tem o problema da quantidade de impostos”, dispara.

Estranhezas e impostos à parte, uma pesquisa do DataFolha, realizada em 12 capitais brasileiras, aponta que mais da metade dos jovens não frequentam baladas ou vão menos de uma vez por ano. Ao mesmo tempo, discussões relacionadas à saúde mental, excesso de tempo de tela, redução do consumo de álcool e preocupações com segurança urbana têm influenciado a forma como os universitários escolhem socializar e construir relações. Enquanto isso, as pistas de boates que se consagraram no passado da região sobrevivem apenas na memória de quem viveu essa época.

Minhas casas

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Neto espera construir mais de duas mil moradias em Volta Redonda 

Na quarta, 15, o prefeito Neto reuniu-se com representantes de construtoras que vão assumir a construção dos novos condomínios do ‘Minha Casa, Minha Vida’ que fazem parte da adesão do município à Campanha da Fraternidade, da Igreja Católica, cujo tema de 2026 é ‘Fraternidade e Moradia’. 

“Estamos avançando para garantir moradia digna para mais de duas mil famílias de Volta Redonda. Já escolhemos os terrenos para receber os novos condomínios, que vão beneficiar sete regiões da cidade. Agora, estamos fazendo um estudo de viabilidade e esperamos acelerar os trâmites legais para ampliar o número de pessoas com a casa própria no município”, afirmou.

O primeiro empreendimento será o ‘Minha Casa, Minha Vida’ do Morada do Campo, que está quase pronto e vai atender 192 famílias. Agora, segundo Neto, serão lançados condomínios para atender moradores do Açude, Retiro (região da Fundação Beatriz Gama), Vale Verde, Santa Rita do Zarur, Fazendinha, Jardim Belmonte e Roma. “É bom lembrar que o município de Volta Redonda garante a instalação de vaso sanitário com assento e box com chuveiro elétrico em todas as unidades do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Além disso, vamos prezar pela segurança, com reforço na iluminação e instalação de câmeras de monitoramento”, destacou Neto, reforçando que esses pequenos acréscimos trazem mais conforto para os moradores.

Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR

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