“Estamos consertando as coisas”

Neto faz um balanço dos seus primeiros sete meses comandando o Palácio 17 de Julho

Hoje, sábado, 17 de julho, Volta Redonda estará comemorando o seu 67º aniversário de emancipação política, sendo que vinte deles foram comandados por Antônio Francisco Neto. Neto, para simplificar. À primeira vista, quem ouve as entrevistas que ele gosta de conceder aos seus amigos do rádio local – como o vereador Betinho Albertassi e, principalmente, Dário de Paula, que até já o lançou como candidato à reeleição em um dos seus últimos programas – tem a impressão de que Neto não se esquece de seu principal desafeto: o ex-prefeito Samuca Silva. Em entrevista exclusiva ao aQui, Neto contesta. “Nunca ataquei ninguém. Só me defendo”, argumenta.
Na entrevista, Neto foi além. Garante que não vive de lamúrias, que está apenas consertando as ‘m…’ deixadas pelo governo passado. E avisa: está trabalhando para que a cidade do aço, hoje completando 67 anos, possa voltar aos seus dias de glória. Faz também um alerta: “Aqui (Palácio 17 de Julho) não tem espaço para armação”, disparou, ao ser provocado pela reportagem para falar das licitações vencidas por ‘ilustres firmas desconhecidas’.
Veja abaixo como foi a entrevista exclusiva de Neto ao aQui, dividida por cinco áreas definidas: eleição, administração, saúde, CSN e política.

ELEIÇÃO
aQui: Pelo que o senhor enfrentou até hoje, no sétimo mês do seu mandato, valeu a pena ser eleito nas urnas e vencer seus adversários no tapetão?
Antônio Francisco Neto: Vencemos nas urnas, em uma eleição com mais de 10 adversários, e no primeiro turno. Para fazer valer a vontade do povo e para trabalhar por Volta Redonda, todo esforço sempre valerá a pena.

aQui: Sete meses já se passaram e o senhor, semana sim, outra também, continua atacando Samuca Silva. A campanha vai até quando?
Neto: A campanha acabou e nós vencemos pela vontade da população. Nunca ataquei ninguém, mas sempre procurei me defender naquilo que julgo importante a população saber a verdade. Foram quatro anos sendo bombardeado com mentiras, mas no fim a verdade venceu. Venceu a nossa história de amor e de dedicação pela cidade.
Mostrar a realidade encontrada pelo nosso governo é apenas garantir transparência aos fatos. O importante é que em pouco tempo estamos dando a volta por cima. O pagamento dos funcionários está em dia, obras importantes serão iniciadas em breve, os hospitais públicos já estão sendo recuperados. E vamos fazer muito mais.
Só que, para falar que colocamos o pagamento em dia, temos obviamente de falar que os salários estavam atrasados. Para falar que a intervenção no Hospital São João Batista acabou, temos obviamente de falar quais as razões para a intervenção ter acontecido. Para falar que vamos recuperar os bairros, infelizmente temos de falar que os bairros estavam abandonados. E por aí vai. Isso não é ataque, é constatação. Não estamos lamuriando, mas consertando.

aQui: Qual foi o seu pior momento até hoje?
Neto: O falecimento de minha mãe.

aQui: E qual foi o melhor?
Neto: Ter o reconhecimento do povo de Volta Redonda, ao ser eleito cinco vezes para a prefeitura da cidade que eu amo. Devo muito a esse povo e vamos trabalhar muito, com honestidade e competência, para retribuir tanto carinho.

aQui: Que presente daria a Volta Redonda?
Neto: Estou trabalhando para colocar Volta Redonda novamente como uma referência para nosso país. Queremos dar ao povo uma cidade com mais saúde, mais educação, mais segurança, mais social, mais lazer, mais esporte, mais emprego e mais infraestrutura. Uma cidade com mais cidadania para todos.

ADMINISTRAÇÃO
aQui: Algumas secretarias estão inoperantes até hoje, como a Smel, e atuantes, como a da Fazenda. O que pretende fazer para colocar todos no mesmo nível de qualidade?
Neto: Não vejo assim e, certamente, a população também não. Nossa equipe tem em comum o amor e a dedicação pela cidade. A Smel está retomando seu trabalho nos ginásios e nos bairros gradualmente. O Parque Aquático já está funcionando, recursos financeiros que estavam se perdendo estão sendo recuperados. As coisas estão acontecendo também de acordo com a recuperação dos espaços públicos e de acordo com o enfrentamento à pandemia. O projeto “Estação Cidadania” é um sucesso e já vêm mais novidades por aí: neste sábado será lançado o projeto Mulheres de Aço, para nossa mulherada fazer aula de defesa pessoal. A Rose Vilela é muito competente e já está dando nova cara para a Smel, mesmo com os equipamentos deixados todos sucateados, com a falta de dinheiro. Temos uma equipe muito qualificada e que está novamente fazendo o melhor pela cidade.

aQui: Como foi que o governo recebeu o Hospital São João Batista das mãos dos interventores nomeados pela Justiça para administrá-lo? Salários dos médicos em dia? Fornecedores em dia? Estoque de remédios normal?
Neto: O que fez mal ao Hospital São João Batista foi a entrega da administração da unidade a uma organização social, em um processo que está sendo investigado desde sua origem até a execução e o fim do contrato. Essa intervenção, especificamente, foi apenas uma consequência da péssima gestão implantada no governo passado no maior hospital municipal. Foi obviamente uma gestão mais cara e menos eficiente. Isso no campo administrativo, sem entrar em aspectos que estão sendo investigados.
Graças ao empenho do Sebastião Faria, que além de ser o melhor vice-prefeito do mundo, é também um grande administrador, teremos em breve um hospital digno daquilo que a população de Volta Redonda merece.

aQui: Quando será iniciada a primeira obra do projeto de Mobilidade Urbana? Qual será ela?
Neto: Em breve, se Deus quiser. Vamos aguardar para discutir o cronograma com o Estado e iniciar as obras o mais rápido possível. Acredito que o primeiro grande trabalho de asfaltamento já começa nas próximas semanas.

aQui: Duas grandes licitações – de asfalto e da reforma da 33 – foram vencidas por firmas de fora, que nunca devem ter visto Volta Redonda. Como explica a vitória delas, e isso não o preocupa? Não teme que tenham entrado com preço baixo para depois pedir reajuste de prseço e ir embora se não conseguirem?
Neto: Vamos iniciar as obras e fiscalizar o andamento dos trabalhos. Aqui não tem espaço para esse tipo de armação. Os empresários quando chegam aqui já sabem com quem estão tratando. Já fizemos o Estádio da Cidadania, o Hospital Regional, o Hospital do Retiro, a Radial Leste e tantas outras coisas boas nesta cidade, que se tornaram referência no país. Vamos fazer muito mais com a mesma competência e honestidade.

aQui: O que será feito na rotatória da Rodovia dos Metalúrgicos? O local está perigoso e os motoristas têm reclamado muito do traçado e dos gelos baianos soltos na pista.
Neto: Essa e todas as heranças ruins que recebemos estão sendo revistas. Veja como é difícil falar do futuro de Volta Redonda sem citar esses desmandos do governo anterior. É mais uma pergunta que respondo sobre como vamos dar jeito em algo que foi deixado em péssimo estado.

aQui: Alguma solução à vista para a área degradada na entrada do bairro Jardim Belvedere?
Neto: Acho que a resposta acima se encaixa aqui.

aQui: A Escola de Hipismo sempre foi um dos projetos mais significativos dos seus mandatos. Por onde anda o cavalo Gerânio, o grande campeão da escola?
Neto: A Escola de Hipismo foi reativada e já está dando alegrias à nossa cidade. Eu tive de recorrer ao Vitor Hugo (idealizador do projeto) para saber do Gerânio. Ele está com 22 anos e ainda é utilizado nas aulas.

SAÚDE
aQui: Na terça, 20, o senhor deverá tomar a segunda dose da vacina contra a Covid. Isso vai mudar o seu dia a dia?
Neto: Vou tomar a vacina como qualquer pessoa e voltar ao trabalho. Seguindo as recomendações da Saúde, vou seguir usando máscara, álcool em gel e buscando sempre o distanciamento seguro.

aQui: O senhor pretende liberar geral em termos de isolamento social?
Neto: Estamos fazendo tudo que se pode para vacinar toda nossa população e salvar vidas. A Força-Tarefa está nas ruas, não pode estar em todo lugar ao mesmo tempo, mas trabalha muito. Investimos pesado em novos leitos clínicos e em leitos especializados. Oferecemos testes rápidos e teleconsultas.
No entanto, o principal é a conscientização das pessoas. Estamos enfrentando uma pandemia, ela não acabou, e precisamos todos nos cuidar permanentemente. Depois de mais de um ano e meio de pandemia, todos sabem bem o que pode e o que não pode fazer. Infelizmente, alguns ainda parecem ignorar o risco. Vamos medindo o cenário semana a semana e, caso seja necessário, vamos tomar novas medidas para segurar os efeitos da pandemia.

aQui: O senhor tem algum plano para o Natal e Ano-Novo de Volta Redonda?
Neto: Discussões ainda muito embrionárias. Vamos ver como as coisas ficam. Queremos fazer algo bonito, que seja para todos e que ocorra de forma segura.

aQui: A Covid matou mais pessoas em Volta Redonda em 2021 do que durante todo o ano de 2020. Sabemos da seriedade das medidas de enfrentamento tomadas pelo seu governo e do avanço, ainda que com alguns atrasos, na vacinação. Mesmo com essas medidas, ainda não foi possível zerar o número de óbitos. O que tem dado errado?
Neto: Lamentamos muito e somos solidários a todos que perderam alguém próximo por essa doença terrível. A pior fase da pandemia veio no início deste ano. O que a pergunta descreve é o que acontece no restante do país e do mundo. Não deveria ser necessário, mas não custa lembrar que Volta Redonda faz parte do estado do Rio, que faz parte do Brasil, que faz parte do planeta Terra. Ao analisar o cenário de Volta Redonda com bom senso, não se isola a cidade do restante do estado, que não se isola do país, que por sua vez não se isola do restante do mundo. Não somos uma ilha.
Nesse contexto, onde é que o número de óbitos foi zerado? Estamos todos enfrentando a pandemia. O que podemos afirmar, nesse momento, é que os índices de internações e de óbitos em Volta Redonda caíram muito, graças a Deus, aos esforços de nossa equipe e à parcela mais consciente da população.
Volta Redonda é uma das cidades que mais vacinam no país, proporcionalmente ao que pode ser feito com as vacinas que nos chegam. Encontramos sete leitos de UTI na rede pública e hoje já temos dezenas. Compramos cateteres de alto fluxo, respiradores, investimos muito em tecnologia e novos leitos. Foi uma corrida contra o tempo e para salvar vidas. Fazemos testes rápidos, além de oferecer as teleconsultas. Tudo que pode é feito.
Agora, temos de ser realistas sobre a pandemia. Não podemos isolar Volta Redonda do restante do país em qualquer análise minimamente razoável: zerar o número de óbitos é o sonho de todo governante do mundo. Seria o fim da pandemia, a notícia que todos gostariam de dar e pela qual estamos trabalhando. No fim do ano passado, os governantes locais chegaram a falar que “controlaram o vírus”, desmobilizando os hospitais e desmontando a rede de saúde. Muito do sofrimento que passamos é resultado desse pensamento pretensioso.

CSN
aQui: Como anda o seu relacionamento com o presidente da CSN? Já esteve com ele depois que tomou posse? Quando? Onde? O que acertaram?
Neto: Tenho ótima relação com a diretoria da CSN e espero que nosso governo possa ser parceiro da empresa em tudo aquilo que for positivo conjuntamente para a cidade, à empresa e aos seus funcionários.

aQui: Há cerca de dois meses o senhor disse que pediria à Alerj para fazer uma nova lei que beneficiasse a implantação do polo metalmecânico em VR, já que a anterior foi considerada inconstitucional pelo TJ-RJ. Esse pedido foi formalizado?
Neto: Se for interesse da CSN que isso seja feito, farei. Se a empresa tiver outras estratégias, respeito e apoio. Estamos do mesmo lado na busca para que essas empresas cheguem e possam gerar mais empregos para nosso povo.

aQui: A prefeitura chegou a entrar em contato com as empresas que assinaram protocolos de intenção para se instalarem no polo metalmecânico? Como tem sido esse diálogo?
Neto: Falamos com a diretoria da CSN constantemente sobre isso e outras coisas. Já sabem que desejamos ajudar em tudo que for possível para a chegada de mais empresas. Estamos à disposição.
POLÍTICA
aQui: O que o senhor acha de ter tido seu nome lançado como futuro candidato à reeleição?
Neto: Não penso nisso, pois tem muito trabalho pela frente.

aQui: Quais serão os seus candidatos a deputado estadual e a federal?
Neto: Não é momento de pensar nisso.

aQui: É verdade que o Neném, presidente da Câmara, seu aliado de primeira hora, pode sair candidato a federal? O senhor acha que daria para eleger tanto ele, Neném, quanto o Deley?
Neto: Temos bastante coisa para fazer antes de pensar em discutir cenários eleitorais para o ano que vem.

aQui: O senhor vai deixar o DEM? Para onde poderá ir? Essa decisão tem a ver com a aproximação do senhor com o governador Cláudio Castro?
Neto: Meu apoio ao governador independe da legenda que eu estiver. O governador Cláudio Castro está sendo um grande amigo de Volta Redonda e graças a ele estamos podendo ao menos planejar o futuro.

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