De volta!

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Depois de viver calvário, Albertassi está com um olho em 2026 e outro em 2028

Mateus Gusmão

Um dos nomes mais importantes da política fluminense nos últimos 20 anos, Edson Albertassi (MDB) está oficialmente de volta à política. O ex-deputado concorre novamente a uma cadeira na Assembleia Legislativa, onde exerceu cinco mandatos. Depois de viver seu calvário como ele mesmo diz , com mais de 800 dias preso, Albertassi volta a ganhar protagonismo político. E disputa a eleição para deputado estadual sonhando, quem sabe, com o Palácio 17 de Julho a partir de 2029.

Em entrevista ao podcast ‘Tá no Palanque, comandado por Júlio Esteves, Albertassi abriu o jogo sobre política, sua candidatura à Alerj, o período em que ficou preso e a anulação do processo que o levou ao cárcere. Tem mais: revelou uma história pouco conhecida sobre sua reaproximação política com o prefeito Neto, de quem já foi adversário. “O Neto é um capítulo à parte na minha vida”, disparou.

Albertassi contou que rompeu politicamente com Neto em 2000 e ficou brigado com o atual prefeito até a eleição de 2012, quando Neto disputou o Palácio 17 de Julho com Zoinho, ex-vereador e ex-deputado federal. “Naquela campanha de 2012, eu entendi que a reeleição dele era necessária naquele período. Eu levei meu grupo para apoiá-lo naquela ocasião, o Neto se reelegeu e deu, naquele momento, o mérito ao nosso grupo. E a gente se aproximou de novo a partir daquela eleição”, comentou.

Tem mais. Albertassi lembrou que os dois se afastaram novamente em 2017 período em que Neto deixou a prefeitura e Albertassi foi preso. “Em 2020, o Neto ganhou a eleição, quase sem fazer campanha. Ele é um fenômeno, venceu seis eleições, né? E, para minha surpresa, eu, que cheguei em casa em 2020, em plena pandemia, depois de quase 900 dias fora de casa, sendo visitado por poucos, recebi, no dia 31 de dezembro de 2020, uma ligação dele. Um dia antes da sua posse, o Neto me ligou. Eu fiquei com vergonha de atender. Ele insistiu, e ligou para o meu filho. Eu atendi e disse, sem saber muito o que falar, ‘Feliz Ano Novo, Neto’”, relatou na entrevista.

Segundo ele, Neto dispensou a felicitação pelo novo ano e afirmou que queria falar sobre trabalho. O prefeito queria que ele trabalhasse na prefeitura a partir de 2021. “Ele ainda ficou dois anos insistindo para eu ir trabalhar com ele. Depois que veio a primeira decisão, eu recebi vários convites, do governador e da própria Alerj. Mas a minha mulher, lembrando do gesto do Neto, disse: ‘Você tem que trabalhar com o Neto, porque ele foi o primeiro a te chamar’”, acrescentou.

Tem mais. Nos poucos mais de três anos em que trabalhou com o prefeito, Albertassi pôde contribuir com a administração, especialmente nas questões relacionadas às contas públicas e ao aumento da arrecadação do município. “O Neto se tornou um amigo da minha casa. Ele me elogia bastante, e eu também sempre faço deferência a ele”, completou.

2028 no radar

Questionado sobre as eleições de 2028, quando Neto não poderá mais tentar se reeleger, Edson Albertassi desconversou. Mas indicou que poderá concorrer a prefeito caso consiga vencer a eleição deste ano. “A eleição de Volta Redonda certamente passa pelo Neto, afinal, são seis mandatos. Os nomes para 2028 passam inevitavelmente pela eleição deste ano. Então temos que esperar essa eleição passar, entender o processo eleitoral e ajustar os grupos para a próxima eleição ser mais tranquila”, disse. “Eu tenho os meus sonhos. O primeiro e mais próximo é agora. Mas 2028 está logo ali, e a gente deixa para discutir depois”, pontuou.

Vale lembrar que Albertassi já disputou seis eleições em sua carreira: uma para vereador e cinco para deputado estadual. Venceu todas. “Foram seis eleições e seis mandatos. E eu sempre digo que o sétimo será o maior e melhor. Pela motivação, pelo carinho das pessoas, pelo recomeço. É uma trajetória que começou há 30 anos e foi interrompida, já que estou há sete anos sem disputar eleição. Estou na expectativa por vitória, por ter uma boa votação”, comentou.

Albertassi também falou sobre a prisão e afirmou que considera aquele momento uma interrupção de sua trajetória política. “Sabe aquela história de que você faz tudo certo, caminha sem um arranhão na vida pública? Nada para te desabonar. Aí, eu fiz uma escolha naquele momento e fui indicado para poder concorrer ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Eu seria eleito por unanimidade. E, no dia da votação para conselheiro, acontece aquilo que nunca imaginei: uma operação policial. É muita coincidência, não é?”, completou.

“Fiquei um longo tempo afastado, mais de 800 dias longe da minha família, da minha casa. Se você olhar o processo, não há uma acusação formal. Havia apenas ilações da minha atividade secundária, pois naquele momento eu era político, mas nunca deixei de ser radialista e empresário. E, diante da venda de um anúncio para a rádio, me envolveram nisso”, acrescentou.

Em março deste ano, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu, por unanimidade, arquivar a ação da ‘Operação Cadeia Velha’ contra o ex-deputado estadual Edson Albertassi. A decisão ocorreu após pedido do próprio Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), responsável pela acusação, que reconheceu a nulidade das provas e a ausência de justa causa para o prosseguimento do processo. “Te confesso que foi muito desgastante. A família sofreu muito. Talvez tenha pessoas que ainda não leram a decisão e tenham dúvidas. Mas Deus sabe o que faz. Deus que me deu essa condição novamente. E tenho fé que Deus nos dará a vitória”, afirmou.

O futuro do Rio

Durante a entrevista, Albertassi também falou sobre sua visão para o futuro do Estado do Rio de Janeiro. Para ele, a crise financeira enfrentada pelo estado a partir de 2013 deixou marcas profundas. “O Rio, a partir de 2013, viveu situações muito complicadas. Perdemos muitos recursos, por exemplo, com petróleo, royalties do petróleo, e começaram as dificuldades financeiras. Sabemos que, quando isso começa, a situação piora: os servidores recebem com atraso, fornecedores ficam sem receber”, afirmou.

Na avaliação do ex-deputado, o Rio precisa voltar a ser protagonista. “No Rio, a gente precisa trazer de volta o bom emprego, com bons salários. Precisamos retomar para o Rio as grandes empresas, grandes escritórios. Empresas que já tivemos aqui e perdemos para Minas, São Paulo e Goiás. Você não pode ter uma CSN gigante, como temos aqui, ocupando um espaço territorial tão grande, poluindo toda uma região, e seu escritório ser em São Paulo. O escritório não está nem na capital. Cancelaram tudo e levaram para São Paulo”, completou, sem imaginar que dias depois a CSN teria um novo presidente. Paulista, é claro.