quarta-feira, outubro 28, 2026
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Fim dos elefantes brancos

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escritório central_cor2O prefeito Samuca Silva (PV) vem pregando, desde que assumiu o Palácio 17 de Julho, manter um bom diálogo com os empresários da cidade do aço. Com a CSN também. Mas a sua paciência pode estar com os dias contados, principalmente para aqueles que são donos de um ou mais terrenos e imóveis vazios, sem qualquer função. Os ‘elefantes brancos’, como definem os especialistas. Por isso, Samuca quer regulamentar uma norma para que terrenos e prédios abandonados, por muitos anos, possam ser desapropriados pela prefeitura de Volta Redonda. Detalhe: todos serão pagos com títulos da dívida pública.

O engraçado é que Samuca, que sempre defendeu um relacionamento diferente para com a CSN, pode estar sendo levado a criar uma ou várias polêmicas com a direção da empresa por conta do Escritório Central e outros terrenos espalhados que a siderúrgica detém pela cidade do aço. E ainda com um dos seus assessores especiais, o empresário Maurinho Pereira, cuja família é dona de quilômetros e quilômetros de terras improdutivas do município.

Para que isso se torne realidade, Samuca já enviou uma mensagem à Câmara, a de número 017/2017, a qual o aQui teve acesso, para instituir o IPTU Progressivo em Volta Redonda. Ela ainda não foi distribuída aos parlamentares e só será discutida a partir de agosto, após o recesso dos vereadores. Em termos práticos, o IPTU Progressivo (IP) passa, primeiramente, pela notificação do dono de um terreno ou edificação abandonado a dar uma destinação social para o mesmo. Exemplo: área do ex-campo de futebol ocupado pelo Ressaquinha. Se daqui a cinco anos – em 2022 – nada tiver sido construído no mesmo, ele poderá ser desapropriado e o Palácio 17 de Julho poderá emitir títulos para vendê-los no mercado (vai precisar de autorização do Banco Central, entre outras) e assim pagar a CSN.

Antes da desapropriação, a CSN poderá ir aumentando, ano a ano, a alíquota do IPTU do terreno da Barreira Cravo (usado como exemplo acima). Começa com um acréscimo de 1% e pode chegar a 15%. No final dos cinco anos, caso não tenha sido dada nenhuma destinação, a prefeitura poderá desapropriar a área toda. Tudo em nome do alcance social. “Trata-se de um relevante pleito social que poderá contribuir fortemente para o desenvolvimento de Volta Redonda. Justamente por isso, este tema foi objeto de debate junto ao Ministério Público Federal, que em reunião realizada em março, solicitou providências para regulamentação desse imposto”, justificou Samuca ao enviar a mensagem para a apreciação da Câmara.

A Mensagem 017 visa regulamentar o art. 89 do Plano Diretor de Volta Redonda – que já previa a cobrança do IPTU Progressivo. Na proposta, Samuca entende como solo urbano não edificado as áreas de um mesmo proprietário com área igual ou superior a 300 m². “Onde o coeficiente de aproveitamento é igual a zero, ou, o coeficiente de aproveitamento não atingir o mínimo definido para o lote na zona onde se situam”, diz o projeto, ressalvando que estão fora da proposta áreas de interesse ambiental, clubes e associações recreativas e imóveis de interesse histórico e cultural.

Já como imóvel não utilizado, será enquadrado na lei todo tipo de edificação em que não estejam sendo desenvolvidos há mais de cinco anos atividades e usos “regulares” de no mínimo 20% de sua área construída – o que poderia enquadrar, até prova em contrário, o Escritório Central da CSN, hoje um verdadeiro elefante branco. “Da mesma forma será considerado imóvel não utilizado qualquer tipo de construção de edificação que esteja paralisada há mais de dois anos”, destacou, deixando fora do enqua-dramento imóveis abandonados por questões ou pendências judiciais (caso do Hospital Santa Margarida, entre outras).

A prefeitura, diante da aprovação da lei, vai notificar os donos de todos os imóveis abandonados a dar uma destinação para os locais e terrenos. Mas os proprietários terão um bom prazo para cumprir a função social da terra: dois anos. Dentro desse prazo, deverão comunicar à prefeitura de Volta Redonda o início da utilização do espaço ou apresentar pedidos de aprovações de parcelamento de solo ou edificações. “As obras de parcelamen-to ou edificação referidas deverão iniciar no prazo máximo de três anos, a contar da aprovação do projeto pela prefeitura”, destaca a proposta de Samuca.

O descumprimento das etapas e prazos estabelecidos é que vai acarretar a aplicação do IPTU Progressivo. Detalhe: o aumento será sobre o valor venal do terreno ou imóvel. Começando, no primeiro ano, com a cobrança de IPTU Progressivo com o acréscimo de 1% do valor venal ao imposto. Já no quinto ano, se o proprietário não der qualquer destinação, esse valor sobe para 15% do valor venal.

Da desapropriação
Depois de cinco anos da cobrança de IPTU Progressivo, sem que o proprietário tenha dado uma destinação social para seu imóvel, a prefeitura poderá proceder a desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública. “Os títulos da dívida serão resgatados em dez anos, mediante parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurando o valor real da indenização e os juros legais”, explica o projeto, sem dizer como e quando os títulos serão criados, pois inicialmente Samuca terá que pedir aval dos vereadores. Depois do Senado e, finalmente, do próprio Banco Central.

Após a desapropriação, a prefeitura de Volta Redonda terá um prazo de cinco anos para dar um aproveitamento ao imóvel. “Os imóveis desapropriados serão utilizados exclusivamente para a construção de habitações de interesse social ou equipamentos urbanos, na forma do Plano Diretor. O Executivo também poderá promover o aproveitamento do imóvel, direta ou indiretamente, mediante a concessão ou outra forma de contratação”, diz o texto da Mensagem de Samuca.

O projeto do IPTU Progressivo – que teria sido elaborado pela secretaria de Planejamento – vai passar pelas Comissões Permanentes da Câmara de Volta Redonda, para depois ser analisado pelos parlamentares. Não há prazo para o projeto ir a plenário, mas a tendência é que ele seja votado ainda em 2017, para que entre em vigor no ano que vem.

Bullying continua sendo desafio para escolas

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No final do mês passado, o Plenário da Câmara de Volta Redonda foi invadido por dezenas de jovens alunos do 9º ano do Colégio Garra (foto ao lado), um dos mais tradicionais da cidade do aço. Todos muito bem comportados, ressalte-se. Não era para menos. Iriam participar de uma aula extraclasse dos professores Paula Mendonça e Nei Rafael: um Júri simulado, com direito a juiz togado, defensores públicos e advogados de defesa. Como jurados, pais dos próprios estudantes eram sorteados na hora. Os alunos se dividiram em 4 grupos, e cada grupo desenvolveu um caso, mas todos com um denominador comum: bullying. Um dos hipotéticos casos seria o de um aluno que teria cometido suicídio devido ao bullying sofrido, uma forma de violência na qual o agressor converte a vítima em objeto de diversão.

A lei que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (13.185/15), mais conhecida como Lei do Bullying, vai completar dois anos em novembro, mas sua implementação, como mostraram os jovens, ainda enfrenta desafios. “A intimidação é uma forma de violência, gratuita e cruel, na qual os agressores convertem as vítimas em objetos de diversão”, pontuou uma das advogadas de defesa, lembrando que o réu desse caso teve a autoestima abalada. Motivo pelo qual estaria ausente da escola, correndo o risco de ser reprovado. 

Projeto
Autor da redação final do Projeto de Lei sobre o tema aprovado na Câmara, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) frisa que o combate ao bullying requer mudança cultural, o que não acontece de uma hora para outra. “Eu acredito que  a lei tem cumprido o seu objetivo, já que pouco a pouco, de forma gradual, tem-se procurado trazer o tema para o dia a dia das crianças”, avalia, lembrando que o projeto que deu origem à lei determina a capacitação de docentes e equipes pedagógicas para implementar ações de prevenção e solução dos casos de bullying, assim como a orientação de pais e familiares para identificar vítimas e agressores. Também estabelece a realização de campanhas educativas, além de assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores.

Doutora em Ciências da Educação, Cléo Fante, professora da rede municipal de Itabira (MG), diz que o enfrentamento ao problema não é satisfatório. “Embora saibamos que há uma lei em vigor, ainda temos muito o que caminhar. Porque são poucas as escolas das quais temos notícias que realmente estejam desenvolvendo programas de enfrentamento ao bullying. O que temos são ações pontuais”.

Ela está certa. No Júri Simulado do Garra, os advogados de acusação tentaram influenciar os jurados mostrando exatamente que a hipotética escola de um dos casos teria sua parcela de culpa por não ter detectado o problema que o estudante-vítima enfrentava diante dos atos de bullying que sofria diariamente nas dependências da unidade. Depois de acaloradas discussões, a escola  acusada foi absolvida. Que o caso sirva de reflexão.

O que mudou?

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Pedro Gutemberg_site

O novo diretor-executivo de Produção da CSN, Pedro Gutemberg Quariguasi Netto (foto), andou mexendo na estrutura das gerências da Usina Presidente Vargas.  Reduziu o número de gerências-gerais e uniu algumas áreas. Pedro ainda trocou alguns gerentes de posição. Milton Picinini, por exemplo, que comandava a CSN Porto Real (antiga GalvaSud), já está na UPV como gerente geral da área de custos operacionais. Em seu lugar, assumiu o antigo gerente da área de Redutores (Coqueria, Sinterização), Otávio Manhaes.

A área de Redutores, até então comandada por Manhaes, foi incorporada à de energéticos e ficou a cargo do antigo gerente-geral de manutenção, Cleverson Stocco. As mudanças feitas por Pedro Gutemberg não pararam por aí. A CSN passa agora a ter três diretorias, ligadas ao novo diretor-executivo: uma de Metalurgia, comandada por Walter Reis, antigo gerente geral da Aciaria; outra de Projetos e Engenharia, comandada por Carlos Xavier, que tinha uma função similar, mas com a nomenclatura de assessor da Depro; e uma terceira de Produtos. Para comandar essa diretoria (a de Produtos), Pedro Gutemberg está buscando um nome forte no mercado para comandá-la. A conferir. 

 

Exclusivo – Márcio Lins deixou a CSN, oficialmente, na quarta, 28. Desde então, ele está de férias com a família analisando o convite que recebeu do prefeito Samuca Silva para assumir uma cadeira no governo. Segundo uma fonte do aQui, as chances de Márcio Lins aceitar são remotas, e a explicação é simples: o engenheiro tem tudo para continuar na CSN, prestando serviços de consultoria, sem vínculos empregatícios.

Deu no Valor – Jornais de São Paulo publicaram que a CSN estaria tentando impedir a conclusão da venda da CSA para os argentinos da Ternium.

Sem balanço – A CSN e a Deloitte (empresa de consultoria) não se entendem quando o assunto é o resultado dos últimos balanços fiscais da siderúrgica. Ambas estão debruçadas revisando os cálculos que envolvem as atividades de mineração e logística da CSN (que sofreram junção no final de 2015). Ao mercado, a CSN tem dito que a revisão ocorre por conta do tratamento fiscal da operação com a Namisa, que resultou na Congonhas Minérios. Com a ausência de consenso, a Deloitte não quer assinar o documento.
 
Política – Samuca Silva esteve na ETPC em companhia do presidente do Cederj, Carlos Eduardo Bielschowsky, e do deputado federal Celso Pansera. Foram recebidos pelos diretores da Escola Técnica e conversaram sobre a possibilidade do uso do prédio da ETPC para novas turmas do Cederj ou do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Se acontecer, a parceria será feita pelo governo do Estado e a Fundação CSN.
 
Lusosider – Benjamin Steinbruch pode se desfazer da Lusosider. A unidade portuguesa da CSN é considerada uma ilha dentro do grupo, responsável por apenas 7% da produção total de aço da CSN. A Lusosider tem rentabilidade reduzida e baixa sinergia com as operações no Brasil.

Reintegração – A CSN não quer reaver seus imóveis apenas em Volta Redonda, não. Ela também move ações de reintegração de posse na Vila dos Engenheiros, em Tubarão, onde ela tem uma unidade operacional. Por lá, a CSN quer reaver o imóvel onde se localiza, atualmente, o Paço Municipal. Recentemente, o governo do Estado fez a transferência da posse do imóvel para a prefeitura local e a CSN não gostou. A empresa recorreu a Justiça, questionando à transferência, alegando que ela não poderia ter sido feita sem o pagamento total do valor do imóvel. A dívida atualizada é de aproximadamente R$ 4 milhões.

Menos um – O diretor-executivo Jurídico da CSN, Fabio Spina deixou a empresa. Com sua saída, Luiz Paulo Barreto, diretor corporativo Institucional, vai acumular as duas funções.

 

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