sábado, novembro 7, 2026
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Perfil dos desempregados

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Ainda que o cenário de recessão econômica esteja dando sinais de que está no fim, com a maioria dos indicadores mostrando melhora, o número de brasileiros à espera de uma oportunidade de emprego ainda é alto. Acumulava 12,3 milhões de pessoas ao final de 2017. A pesquisa “O desemprego e a busca por recolocação profissional no Brasil”, realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais, mostra que o tempo médio de desemprego já chega a 14 meses entre os entrevistados, maior do que o observado em 2016, quando girava em torno de 12 meses.

 

O estudo mostra o seguinte perfil dos desempregados: 59% são do sexo feminino, com média de idade de 34 anos; 54% têm até o ensino médio completo, 95% pertencem às classes C/D/E e 58% têm filhos, a maioria menor de idade. Entre os que já tiveram um emprego antes, 34% atuavam no segmento de serviços, enquanto 33% no setor de comércio e 14% na indústria. A média de permanência no último emprego foi de aproximadamente dois anos e nove meses.

 

No último emprego, 40% dos desempregados possuíam carteira assinada, 14% eram informais e 11% autônomos ou profissionais liberais. Já 8% dos desempregados atuais estão buscando a primeira oportunidade profissional. “Tudo aponta para um cenário de recuperação no mercado de trabalho, mas este ainda é um movimento tímido e que, no momento, permanece concentrado na informalidade, o que implica em contratações sem carteira assinada e atividades feitas por conta própria”, avalia o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

 

“As pessoas sabem que não podem ficar esperando em casa pelo reaquecimento do mercado e por isso buscam por alternativas de sobrevivência. Porém, informalidade também implica em fragilidade. O trabalhador que atua nessas condições não tem proteção e está sujeito às variações do mercado. Por isso, é importante informar-se e buscar a formalização”, indica o presidente. De acordo com Pellizzaro, uma atividade feita por conta própria pode, por exemplo, encaixar-se na modalidade MEI – microem-preendedor individual. “Com ela é possível ter CNPJ, emitir nota fiscal e contribuir para a aposentadoria, dentre outras possiblidades”.

 

Segundo o levantamento, dentre aqueles que já tiveram algum emprego antes, 67% já haviam ficado desempregados anteriormente e 32% nunca haviam passado por esta situação. Mais da metade (57%) conhecem alguma outra pessoa que também está desempregada ou que teve de fechar sua empresa nos últimos três meses.

 

Em 56% dos casos, os entrevistados afirmam terem sido desligados da empresa, mas outros 17% garantem ter pedido demissão e 14% alegam que foi feito um acordo.

 

Dentre os que foram demitidos, a maioria alega causas externas, principalmente ligadas à crise econômica, como redução de custos por parte da empresa para lidar com os efeitos da crise (35%), redução da mão de obra ociosa (12%) e o fechamento da empresa (11%). Levando em conta apenas os que pediram demissão, a principal razão apontada foi algum problema de saúde (15%), seguido da insatisfação com o salário (13%) e do desejo de poder dedicar mais tempo à família (11%).

 

Perguntados sobre o tipo de oportunidade desejada pelos desempregados, 46% preferem os postos com carteira assinada, enquanto 29% mencionam qualquer vaga, independente do formato.

Redução de salários

 A pesquisa do SPC Brasil e da CNDL mostra que seis em cada dez desempregados (61%) estão dispostos a ganhar menos do que recebiam no último emprego – uma queda em relação ao ano passado (68%).  As principais justificativas nestes casos são que o que importa atualmente é voltar ao mercado de trabalho (23%) e arrumar um emprego para pagar as despesas (22%). Por outro lado, 39% não estão dispostos a receber menos, sendo a razão mais citada o fato de encararem o salário menor como regressão profissional (19%), seguido da possibilidade de ser difícil voltar ao patamar salarial que possuía antes (13%).

 

O levantamento revela que, considerando aqueles que têm sido chamados para entrevistas desde que estão desempregados (40%), 56% chegaram a recusar alguma proposta, sendo que 18% o fizeram porque a remuneração ou benefícios eram insuficientes, enquanto 13% alegam que o local era muito distante de casa.

Entre os desempregados, 66% estão procurando emprego, sendo que a média do tempo de procura por empregos é de quase 10 meses. Outros 25% estão recorrendo a fontes alternativas de renda enquanto não encontram emprego e 9% estão esperando por algo, porque procuraram uma oportunidade de trabalho por muito tempo sem sucesso. A grande maioria (78%) sente que tem condições de conseguir um emprego, sendo que os principais motivos são ter uma boa experiência profissional (40%), preencher cadastro em sites de empregos (27%) e ler com frequência jornais e sites de empregos em busca de vagas (27%).

Otimismo

De acordo com o levantamento, cerca de 25% dos desempregados afirmam estar em busca de capacitação profissional para conseguir oportunidades melhores e 53% estão confiantes de que vão conseguir uma oportunidade nos próximos três meses. A expectativa média de que consigam um emprego é de pouco mais de quatro meses.

 

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, conseguir um novo emprego é mais que recolocar a vida profissional nos trilhos, “é ter a chance de recuperar hábitos cotidianos, poder adquirir produtos e serviços e desfrutar de pequenas comodidades – coisas das quais muitos brasileiros, em maior ou menor grau, tiveram de abrir mão nos últimos tempos em virtude das dificuldades financeiras”.

 

As principais prioridades após conseguir um emprego serão voltar a consumir produtos que gosta como roupas, sapatos, eletrônicos (51%), retornar ao padrão de compra no supermercado que tinham antes (47%) e voltar a realizar atividades de lazer como saída a bares e restaurantes (46%).

 

Os dados mostram também que os desempregados estão divididos quanto ao futuro do desemprego no Brasil em 2018: 31% acreditam que o desemprego irá aumentar, 31% que irá continuar igual e 24% que irá diminuir. “Ainda que a recuperação da economia já esteja em curso, o futuro permanece incerto para milhões de brasileiros que aguardam nova oportunidade de trabalho, seja para retomar suas carreiras, seja simplesmente para pagar as contas e voltar a consumir, reassumindo, aos poucos, o padrão de vida que tinham antes do desemprego”, analisa a economista.

Conflito familiar

Além de investigar o perfil e o comportamento dos desempregados na busca por uma recolocação, a pesquisa analisou o impacto do desemprego no contexto familiar. Para isso, algumas perguntas foram focadas nos desempregados que não moram sozinhos: 34% deles garantem que há pelo menos mais uma pessoa sem trabalho na casa onde vivem.

 

Cerca de 87% desses desempregados ouvidos contribuíam financeiramente para as despesas da casa quando tinham um emprego, sendo que 41% eram ou ainda são os principais responsáveis e 29% não eram o principal responsável, mas continuam a ajudar de alguma forma.

 

Por consequência do desemprego, 28% tiveram algum conflito familiar, sendo que os principais motivos foram a discordância quanto aos gastos da casa (13%) e brigas por causa da divisão do pagamento das contas (12%).

 

Já 34% garantem que o desemprego motivou outras pessoas da casa, que antes não trabalhavam, a trabalhar ou fazer bicos. Em casos mais agravantes, 16% destes entrevistados afirmaram que após a perda do emprego algum integrante da família precisou interromper os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas de casa.

Metodologia

A pesquisa buscou traçar o perfil do desempregado brasileiro e o impacto no processo de recolocação profissional no mercado. Foram entrevistados pessoalmente 600 brasileiros desempregados acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro geral é de 4,0 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%.

“Cadê meus óculos?”

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Outra aposentada insatisfeita com o atual governo é a Dona Márcia Bretas. Na quinta, 22, ela ligou para o aQui para se queixar da maratona que virou conseguir óculos na Ótica Padre Ernesto Moreira Lamin, que funciona no Estádio Raulino de Oliveira. A ótica fornece óculos de graça para estudantes e para aposentados com renda até dois salários mínimos.

A aposentada falou que depois de ir ao Posto de Saúde do seu bairro, na Vila, para começar os procedimentos para trocar de óculos, teve que esperar seis meses pela consulta com o oftalmologista, feita no Centro Oftalmológico Dr. Rosuel Zaidan, no Raulino. Depois disso, teve que retornar ao postinho, onde foi informada que teria que esperar pelo menos mais três meses para ser chamada na ótica municipal. “A atendente do posto me disse que a demora é porque “a fila está grande”. E quando você vai lá na ótica, não tem ninguém, parece que não tem nada funcionando”, afirmou ela, que disse ter tido outra surpresa desagradável ao conseguir entrar em contato com um funcionário da ótica municipal.

“Consegui falar com uma pessoa que trabalha lá dentro, e ela me disse que não sabe se o tipo da minha lente (bifocal) está disponível. Pode ser que eu tenha que esperar mais três ou quatro meses para receber meus óculos”, disse, irritada. “Vou gastar quase um ano e meio para renovar os óculos. Quando conseguir pegar os óculos novos, meu grau já deve ter mudado”, apontou, classificando de “palhaçada” todo o procedimento.

“Nunca teve isso na época do (ex-prefeito) Neto. Fazia o exame e ia direto para a ótica, tudo no estádio mesmo, e podia receber os óculos na hora, dependendo do caso”, comparou. E pra quem acha que ela é saudosista do antigo governo, grande engano. “Trabalhei na Cohab por 18 anos, e fui demitida (por ordem judicial, como outros 1,5 mil funcionários do órgão, grifo nosso) sem direito a nada”, afirmou, completando com sagacidade e o bom humor que ainda lhe resta: “Saímos da b…, caímos na m…!”. É pra rir ou pra chorar?  

A aposentada ainda contou que o marido – também aposentado – chegou a esperar um ano por uma consulta com um urologista pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Desistimos e paguei particular, na Associação dos Aposentados. A saúde neste governo está horrível”, disparou.

Essas questões poderiam até ter sido esclarecidas pelo secretário de Saúde de Volta Redonda, Alfredo Peixoto, na coletiva que ele deu para a imprensa na terça, 20. Pena que os repórteres do aQui não puderam fazer as perguntas ao secretário, já que o jornal não foi convidado para o encontro. Segundo a secretaria de Comunicação de Volta Redonda, por “esquecimento”. 

“Tá querendo me matar?”

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Roberto Marinho

Foi-se o tempo (ver foto) em que as viagens da Terceira Idade eram para hotéis de luxo, como o Le Canton (Teresópolis), Glória (maior de Caxambu), o resort Villa Gallé (Angra dos Reis), ou o Club Med (Mangaratiba). Eram dois dias de puro deleite para os mais de 15 mil idosos que participavam dos grupos da Smel, secretaria de Esporte e Lazer da prefeitura de Volta Redonda. Entre eles, gente tão humilde que alguns nunca tinham andado de elevador ou visto o mar. Outros, bem simplórios, pediam emprestadas as vassouras do pessoal da limpeza dos hotéis, “só pra dar uma arrumadinha no quarto”. Não tinham ideia que uma equipe faria isso por eles.

 

Agora, tudo mudou. Mudou tanto que um aposentado, de 71 anos, ligou para a redação do aQui, indignado, afirmando categoricamente: “Querem nos matar!”. Mas porque ele diria isso sobre o atual governo? Simples. Foi informado que a viagem da Terceira Idade, em 2018, será para o Rio de Janeiro, onde a violência obrigou o governador Pezão a concordar com uma intervenção federal.

 

Nada disso parece assustar o vice-prefeito e secretário de Ação Comunitária, Maycon Abrantes, que a princípio foi quem decidiu o destino turístico dos idosos de Volta Redonda. Ele está tão otimista que já marcou a data da ‘viagem dos velhinhos’: será a partir do dia 19 de março. E vai começar com tudo: na primeira leva, 15 ônibus levarão 675 idosos para visitar quatro pontos turísticos do Rio de Janeiro.  Sabe-se lá como – porque é um roteiro difícil de fazer até de carro – os idosos irão ao Cristo Redentor, Aquário, Museu do Amanhã e farão um passeio pela orla, provavelmente em Copacabana, com direito a uma parada para o rango (almoço).

 

“O que eles estão pensando? Tem muita gente com problema de locomoção. Imagine só, 15 ônibus, com mais de 670 idosos, parando ao mesmo tempo para fazer as visitas? E como será para almoçar?”, disse o indignado aposentado, que pediu para não ser identificado. Ele afirmou que as informações sobre o passeio foram repassadas pela coordenação do grupo de idosos da Smel que ele frequenta, na Vila Santa Cecília.  ”Em setembro o Maycon veio pessoalmente falar com o grupo sobre a viagem, mas parece que não teve coragem de falar o destino, disse que estava sendo definido”, contou o aposentado, que inclusive é ex-funcionário do Palácio 17 de Julho. “O pessoal pediu que fosse um hotel fazenda, e ele (Maycon) ficou até meio nervoso”, relatou. 

 

Ele foi além. “Ele (o vice-prefeito) nos mandou avisar que a viagem seria para o Rio. Para quem reclamou, a resposta dele foi que “quem não gostasse, que não fosse”! Um tremendo desaforo”, desabafou, irado. E nada o convence de que a escolha do roteiro – um tanto quanto exótico, em se tratando de uma viagem para a terceira idade – foi justamente para esvaziar o passeio. “As pessoas estavam acostumadas a fazer um passeio de dois dias, em hotéis onde eram muito bem recebidas, com uma excelente estrutura, aonde iam para descansar, e muitos para ver coisas que nunca viram na vida, como um elevador, piscinas, e até o mar. Gente muito humilde. Quem vai querer ir ao Rio, nessa viagem tão cansativa? Acho que foi para que ninguém quisesse ir mesmo”, cravou, perguntando ainda, de forma irônica, se vão “fornecer coletes a prova de bala” para a turma. “Porque vai precisar, né?”, pontuou.

 

 E em ano eleitoral, nada como agradar ao público, certo? Errado. “Se depender do meu voto, quero que ele (Maycon) morra! Não voto e não deixo ninguém da minha família votar, e ainda trabalho contra”, disse, bufando de raiva. Multiplica isso por 15 mil, dá pra ter uma ideia da encrenca, não é mesmo?

 

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