“Cadê meus óculos?”

Outra aposentada insatisfeita com o atual governo é a Dona Márcia Bretas. Na quinta, 22, ela ligou para o aQui para se queixar da maratona que virou conseguir óculos na Ótica Padre Ernesto Moreira Lamin, que funciona no Estádio Raulino de Oliveira. A ótica fornece óculos de graça para estudantes e para aposentados com renda até dois salários mínimos.

A aposentada falou que depois de ir ao Posto de Saúde do seu bairro, na Vila, para começar os procedimentos para trocar de óculos, teve que esperar seis meses pela consulta com o oftalmologista, feita no Centro Oftalmológico Dr. Rosuel Zaidan, no Raulino. Depois disso, teve que retornar ao postinho, onde foi informada que teria que esperar pelo menos mais três meses para ser chamada na ótica municipal. “A atendente do posto me disse que a demora é porque “a fila está grande”. E quando você vai lá na ótica, não tem ninguém, parece que não tem nada funcionando”, afirmou ela, que disse ter tido outra surpresa desagradável ao conseguir entrar em contato com um funcionário da ótica municipal.

“Consegui falar com uma pessoa que trabalha lá dentro, e ela me disse que não sabe se o tipo da minha lente (bifocal) está disponível. Pode ser que eu tenha que esperar mais três ou quatro meses para receber meus óculos”, disse, irritada. “Vou gastar quase um ano e meio para renovar os óculos. Quando conseguir pegar os óculos novos, meu grau já deve ter mudado”, apontou, classificando de “palhaçada” todo o procedimento.

“Nunca teve isso na época do (ex-prefeito) Neto. Fazia o exame e ia direto para a ótica, tudo no estádio mesmo, e podia receber os óculos na hora, dependendo do caso”, comparou. E pra quem acha que ela é saudosista do antigo governo, grande engano. “Trabalhei na Cohab por 18 anos, e fui demitida (por ordem judicial, como outros 1,5 mil funcionários do órgão, grifo nosso) sem direito a nada”, afirmou, completando com sagacidade e o bom humor que ainda lhe resta: “Saímos da b…, caímos na m…!”. É pra rir ou pra chorar?  

A aposentada ainda contou que o marido – também aposentado – chegou a esperar um ano por uma consulta com um urologista pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Desistimos e paguei particular, na Associação dos Aposentados. A saúde neste governo está horrível”, disparou.

Essas questões poderiam até ter sido esclarecidas pelo secretário de Saúde de Volta Redonda, Alfredo Peixoto, na coletiva que ele deu para a imprensa na terça, 20. Pena que os repórteres do aQui não puderam fazer as perguntas ao secretário, já que o jornal não foi convidado para o encontro. Segundo a secretaria de Comunicação de Volta Redonda, por “esquecimento”. 

Deixe uma resposta