segunda-feira, maio 4, 2026
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Não foi dessa vez

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Ainda não foi dessa vez que o Sepe pôde comemorar o tão esperado acordo de implantação do Plano de Cargo Carreira e Salários em Volta Redonda, encavalado há cerca de duas décadas. É que a audiência de conciliação entre o Sindicato dos Profissionais da Educação e o Palácio 17 de Julho, marcada pelo Juiz Flávio Pimentel para terça, 26, simplesmente não aconteceu. Motivo: ninguém do governo apareceu, deixando com a cara no chão não só os sindicalistas presentes, mas também o próprio juiz e o representante do Ministério Público.

Todos que compareceram à reunião se mobilizaram para entrar em contato com representantes do prefeito Samuca Silva para que o encontro não fosse uma viagem totalmente perdida. Solícito com os sindicalistas que aguardavam ansiosamente na sala de reuniões desde as 17 horas, o Promotor de Justiça João Alfredo Gentil conseguiu entrar em contato, por volta das 18 horas, com os procuradores de Volta Redonda, que saíram correndo em direção ao Fórum.

O Procurador Geral, César Augusto Nogueira, assim que chegou ao local da audiência se desculpou junto ao juiz e aos advogados do Sepe, explicando que houve um mal-entendido de datas e horários, mas garantiu que a prefeitura de Volta Redonda continuava disposta a dialogar com o Sindicato a fim de entrarem num acordo. Uma nova data foi marcada para que governo e sindicato voltem a ficar cara a cara: será no 17 de outubro.

A direção do Sepe lamentou o ocorrido, mas mantém a esperança de que haverá acordo e o PCCS finalmente sairá do papel. Mas há um consenso entre a diretoria que dificilmente os professores receberão o dinheiro do desencavalamento ainda em 2017. “Como a audiência foi remarcada para outubro, até que o perito faça uma análise das contas da prefeitura, provavelmente não haverá tempo hábil ainda este ano para que o prefeito pague. Mas do início do ano não pode passar ou não haverá isonomia com relação aos demais funcionários públicos”, disse um integrante da direção se referindo aos acordos já firmados entre a prefeitura e o Sindicato dos Funcionários Públicos.

No poste

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Paolla Gilson

Quando o tema é taxa, seja ela extra ou não, ninguém gosta nem de tocar no assunto. E é por conta de uma nova taxa, travestida de ‘contribuição voluntária’, que os prefeitos de Volta Redonda, Samuca Silva, e de Barra Mansa, Rodrigo Drable, estão sendo massacrados nas redes sociais. A diferença é que Samuca agiu rápido, com maestria política, e, em menos de 48 horas, enviou um projeto de lei que foi aprovado pelos vereadores pelo placar de 18 a 2, com apenas uma abstenção.  Rodrigo, que já foi colega de Parlamento de muitos dos atuais vereadores de Barra Mansa, entretanto, nem sabe mais quando o seu PL instituindo a taxa será votado. “Em meados de outubro”, avalia, sem muita convicção.

 

A criação da Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública) tanto em Volta Redonda quanto em Barra Mansa ainda vai render muito pano pra manga. Na cidade do aço, por exemplo, já corre um abaixo assinado virtual a ser enviado mais tarde a Samuca e aos vereadores. Sem contar que alguns desafetos do prefeito ameaçam entrar na Justiça alegando que a contribuição seria inconstitucional. Na cidade vizinha, como não teve jogo de cintura para aprovar a sua taxa em sistema de urgência a preferência, como fez Samuca, o prefeito Rodrigo Drable terá que promover audiências públicas, determinadas pela Câmara, para debater o tema. Sem contar a pressão que sofre dos empresários locais, os mesmos a quem ele deu espaço em seu governo quando apoiou a criação de um Codec (Conselho de Desenvolvimento Economico).    

 

Para minimizar o impacto negativo da criação da taxa, Samuca e Rodrigo garantem que nem todos vão pagar. “Grande parte da população não vai pagar. Quem é do ‘Minha Casa, Minha Vida’ não vai pagar, quem consome até 200 kWh também não”, garante Samuca. Ele mesmo estará isento. “Na minha casa eu gasto 180 kWh, ou seja, estou ali no limite (dos que vão pagar) da contribuição… 70% da população não vão pagar a taxa de iluminação”, insiste, dando a entender que só a classe alta (e os empresários que o apoiaram) será atingida no bolso. E olha que a dívida da prefeitura para com a Light é milionária: R$ 23 milhões. “Foi uma herança que os ex-prefeitos deixaram”, alfinetou.  

 

Rodrigo, por sua vez, também reclama dos ex-prefeitos. De um em especial, o comunista Jonas Marins. “A prefeitura de Barra Mansa deve cerca de R$ 10 milhões à Light. O ex-prefeito chegou a negociar o pagamento e não pagou. Parcelou de novo e não cumpriu. Sobrou pra mim”, disparou. Na sua mensagem à Câmara, para poder quitar com a empresa de energia elétrica, Rodrigo pretende cobrar a contribuição da seguinte forma: “No caso das residências, varia de R$ 1 para quem consume até 50 kW/h a R$ 35 para quem consome acima de 501 kWh. Para o comércio, a contribuição vai variar de R$ 6 (até 100 kW/h) a R$ 170, para consumo acima de 2.001 kW/h. No caso da indústria, a contribuição mínima será de R$ 10 (consumo até 2.000 kW/h) até R$ 800 (para o consumo acima de 15.001 kW/h)”. Ah, os valores apresentados na mensagem podem mudar. Vai depender dos vereadores e dos empresários barramansenses. 

No Parlamento

A explicação dada por Samuca convenceu os vereadores de Volta Redonda. Do total dos 21, 18 foram favoráveis ao projeto. Aliás, a votação foi tão boa para o Palácio 17 de Julho que até quem se dizia contra votou a favor. Foi o caso de Paulinho do Raio X. “Sou contra a taxa de iluminação pública, pois acho que já pagamos imposto demais. Mas votei a favor por conta da recomendação (do TCE) e porque quero que esse dinheiro que a prefeitura vai deixar de pagar seja usado na saúde. Estamos com a saúde feia pra caramba. Não tem exame de ressonância, não tem raio x, não tem ultrassom, não tem medicamento, a Clínica de Diálise ainda não está funcionando”, enumerou.

 

Os vereadores Fernando Martins e Carlinhos Santana, ligados a Edson Albertassi (PMDB), estavam e estão contra o PL de Samuca. Para o primeiro, faltou diálogo. “Recebi a mensagem em minhas mãos às 14h30min. É humanamente impossível tomar uma decisão dessa grandeza, que impõe nova contribuição à população, sem discutir com a sociedade, com o povo, com o empresariado, com a classe da nossa cidade. Foi muito rápido”, disparou, completando: “Barra Mansa está discutindo isso há seis meses e ainda não votou. Poderíamos aguardar uma discussão mais ampla com a sociedade”, afirmou Fernando, mostrando que não sabe que, se dependesse do prefeito Rodrigo Drable, a taxa também seria aprovada a toque de caixa.

 

Carlinhos, por sua vez, afirmou que por ter escolhido representar os metalúrgicos, dada sua origem de ex-CSN, se opõe à criação de qualquer taxa. “Meu posicionamento já era contrário. Sou oriundo da classe trabalhadora, sou sindicalista, então não posso apoiar mais contribuição para o cidadão pagar, independente de faixa. Hoje, qualquer pessoa de baixa renda tem um ar condicionado ou um ventilador e já vai consumir a faixa que eles tentaram colocar”, comentou, de forma exagerada, é bom que se diga.

 

O vereador aproveitou para frisar a responsabilidade do governo em equilibrar os gastos da prefeitura sem precisar cobrar nada da população. “O governo, quando assumiu a prefeitura, sabia das dificuldades que teria. Deve ter no orçamento deles uma previsão de gastos e manutenção de iluminação pública. Então, colocar mais uma taxa nas costas do povo é um grande absurdo”, disparou, completando ironicamente: “Daqui a pouco, irão querer criar taxa de oxigênio, de lixo, de tudo”. Para compensar, Santana usou as redes sociais para propor a criação de uma taxa de R$ 0,50 a ser paga por todos. “Seria mais justo”, avaliou.  

Como vai funcionar

De acordo com a mensagem enviada por Samuca, o pagamento da contribuição será feito com base no consumo dos imóveis cadastrados na Light ou conforme o registro na prefeitura para os que não estão registrados na empresa. É o caso dos lotes vagos espalhados pelo município, como os dos grandes latifundiários de Volta Redonda. Quem apresentasse um consumo de até 80 kWh ficaria isento. Graças aos 18 vereadores que votaram com o prefeito, a isenção passou para quem usa até 200 kWh (equivalente a uma conta de cerca de R$ 100). Nesse caso, o valor a ser pago todo mês deve variar entre R$ 7,80 e R$ 42. A cobrança começará a ser feita 90 dias após a sanção do Projeto de Lei aprovado na Câmara. Ou, o que é mais provável, a partir de 1º de janeiro de 2018.

 

A Cosip, no fundo, no fundo, é a velha taxa de iluminação. Só trocou de nome por conta de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou a antiga taxa  inconstitucional. A diferença é que a contribuição pode ser alterada a qualquer momento, já a taxa é permanente.  Rodrigo Drable, por exemplo, chegou a dizer ao aQui que no caso de Barra Mansa a taxa ficará sendo cobrada até a prefeitura quitar a divida para com a Light. “Depois disso, ela acaba”, prometeu. 

Penúltimo capítulo?

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Edson Albertassi, Samuca, Zé Iran e José Beraldo (DER)

Paolla Gilson

A novela da construção da Rodovia do Contorno, que já dura cerca de 20 anos (foi iniciada na gestão Baltazar), parece se aproximar do penúltimo capítulo. Nesse sentido, alguns estão aproveitando o cenário para buscar espaço como protagonista da trama. O prefeito Samuca Silva, o secretário estadual de Obras, José Iran, e os deputados estaduais Edson Albertassi e Gotardo Netto são alguns deles e compareceram na manhã de segunda, 25, no trevo do Santo Agostinho, para assistir o reinício das obras de conclusão da tão aguardada Rodovia do Contorno. Mas será que ela sai mesmo? 

 

“Tem tudo para ser concluída, sim!”, calcula o deputado estadual Edson Albertassi (PMDB). “Só não sai esse ano se São Pedro não deixar”, brinca, referindo-se à possibilidade das chuvas atrasarem o andamento das obras. Mas o parlamentar, que foi quem viabilizou a retomada das obras graças às verbas que obteve para o DER (Departamento Estadual de Rodagem), aposta que em, no máximo, dois meses, com a ajuda de São Pedro, o último capítulo, o da inauguração da rodovia, será transmitido ao vivo e a cores. “Vamos entregar a Rodovia do Contorno para a cidade, pois este é um sonho que vamos concretizar”, pontuou.

 

O secretário de Obras, o voltarredondense José Iran, fez coro à previsão de Albertassi. “Temos apenas 6% de obras a realizar, boa parte  voltada para limpeza, sinalização vertical e horizontal de pelo menos 10 quilômetros de um total de 13 quilômetros e alguma pavimentação (apenas 800 metros)”, explicou, ressaltando o papel da Assembleia Legislativa para o retorno das obras. “Esta retomada tem uma importância muito grande da Alerj, através do deputado Albertassi”, justificou, aproveitando para lembrar que a conclusão da Contorno faz parte de uma agenda positiva definida pelo governador Luiz Fernando Pezão.

 

Em julho, como foi noticiado com exclusividade pelo aQui, o governo Pezão  liberou R$ 7 milhões para a finalização da obra e R$ 6 milhões para quitar as dívidas para com a Acciona, responsável pela conclusão da rodovia, que faz parte da BR-393, administrada por ela. Os recursos alocados por Albertassi para o DER são provenientes da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que é uma verba específica para investimentos em construção de novas estradas ou manutenção de estradas já existentes.

 

Samuca, que há 20 anos soltava pipa no trevo do Santo Agostinho, também poderá se tornar um dos principais protagonistas dos capítulos finais da novela, já que, durante sua gestão, a tão sonhada obra poderá ser finalmente entregue. Com um sorriso de orelha a orelha, o chefe do Executivo conversou com as autoridades presentes, tirou fotos, deu longas entrevistas e gravou vários vídeos para serem divulgados nas redes sociais. “Estou muito feliz de participar deste momento”, declarou.

 

Samuca aproveitou para destacar o apoio da prefeitura na limpeza da área ao longo da via. “Desde cedo, mesmo não estando previsto no contrato com o DER, já estávamos na rodovia com uma grande estrutura para retirar lixo e entulhos acumulados ao longo desse tempo de obras paradas. Uma ação para não gerar novos atrasos. Todo nosso empenho está à disposição para que, em 60 dias, como afirmou o próprio estado, essa tão importante obra esteja concluída”, justificou.

 

Samuca também revelou que o trecho urbano entre os bairros Santo Agostinho e Conforto será municipalizado após a entrega da Rodovia do Contorno à Acciona (leia-se governo Federal) para que não haja preocupações com relação à falta de manutenção. Quando isso ocorrer, quem for utilizar a Contorno ficará sabendo se a concessionária irá ou não criar um posto de pedágio (previsto no edital de privatização da BR 393) a caminho da Via Dutra passando por Volta Redonda. Representantes da Acciona, entrevistados pelo aQui, fugiram do assunto, alegando que não tinham autonomia para falar em nome da empresa.

Desconfiado

Apesar do clima otimista entre todos, o deputado estadual Gotardo Netto deu uma de “desacreditado”. Tanto que, assim que chegou e Albertassi foi cumprimentá-lo, o ex-prefeito brincou questionando-o, como um dos protagonistas, se a obra iria mesmo ser concluída. “Estamos participando e espero que esta seja a última etapa desse processo. Estou sendo bem franco. Todos os processos e questões que existiam foram sanados e a expectativa é mesmo o cumprimento deste prazo de 60 a 90 dias, no máximo, para entregar essa obra para a população da nossa região”, ponderou. 

 

A desconfiança de Gotardo tem fundamento. Afinal, a inauguração da rodovia já foi prometida muitas vezes. Há quem diga, por exemplo, que o ex-prefeito Paulo Baltazar chegou a fazer, por volta de 1976, a inauguração da Contorno – na verdade, de um trecho de 100 metros que foi asfaltado durante a sua gestão.  “Quando fui prefeito, havia um projeto executivo da obra. Na época, nós desenvolvemos o processo executivo, mas a obra tinha embargos. Primeiro por conta de prestação de contas junto ao Tribunal de Contas da União. Havia embargo no Ibama, no Inea e ainda um processo muito pesado no Ministério Público Federal por conta do não cumprimento de algumas questões”, revelou Gotardo, referindo-se a processos movidos, entre outros, pelo próprio ex-prefeito Baltazar, por Maurinho Campos (hoje assessor de Samuca) e Mauro Coelho, da Associação de Moradores do Vila Rica, de oposição ao ex-prefeito Neto.

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