sábado, maio 2, 2026
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VOLTA REDONDA: Prefeitura tem cerca de R$ 140 milhões a receber de ISS só de três empresas

A privatização da CSN provocou uma mudança profunda também fora do chão de fábrica da Usina Presidente Vargas. O hospital que a empresa mantinha, e que era nota 10 no atendimento à família siderúrgica, foi parar e ainda está nas mãos de alguns grupos empresariais. Estranhos à cidade do aço. O Vita, o primeiro, foi um deles. Foi um desastre. Acabou substituído pelo ICC, de Fortaleza. E o que era ruim conseguiu piorar. 

  Só para que o leitor tenha ideia, há quem garanta que, com as últimas chuvas, o atendimento aos pacientes do CTI do Hospital Santa Cecília, na Vila, foi prejudicado por conta de goteiras existentes no centro cirúrgico, relata uma testemunha ouvida pelo aQui, que pede que seu nome não seja revelado, afinal, ela presta serviços ao antigo Hospital da CSN.  

  A gestão e a falta de investimentos na unidade hospitalar, segundo algumas testemunhas, também seriam problemáticas. As consultas que os profissionais de saúde recebiam em até 10 dias (via Bradesco Saúde) passaram a ser quitadas em até um ano. Hoje, estariam sendo pagas em cerca de três, quatro ou seis meses. 

  Para piorar, o grupo que assumiu a unidade em substituição ao Hospital Vita enfrenta uma pendenga judicial com o Palácio 17 de Julho. Milionária. Seria, vejam só, da ordem de R$ 34 milhões de impostos não pagos referentes ao ISS (Imposto Sobre Serviços). “O hospital deve R$ 11 milhões aos cofres públicos. Já o plano de Saúde – LIV – deve outros R$ 23 milhões”, detalha uma fonte do aQui, referindo-se às duas empresas que vieram do Ceará para substituir o antigo Vita e o Bradesco Saúde.  

  Ou seja, o grupo contratado pela CSN para ser responsável pela saúde de milhares de operários deve, sozinho, R$ 34 milhões só de ISS em Volta Redonda. “O Neto ajuizou uma ação de cobrança do ISS, e o caso está aguardando julgamento de recursos em instâncias superiores”, confirma uma fonte da área jurídica da Prefeitura de Volta Redonda. 

    Segundo ela, o grupo de Fortaleza alega, em sua defesa, que seria isento do pagamento de ISS por ser uma empresa com fins filantrópicos. “Ela até pode ser, mas em Fortaleza. Não em Volta Redonda”, rebate a fonte do meio jurídico do Palácio 17 de Julho. 

O ISS, aliás, que o ICC teria deixado de recolher aos cofres do Palácio 17 de Julho refere-se ao período de agosto de 2020 a dezembro de 2025. Já o Plano de Saúde LIV teria deixado de recolher o imposto no período de 2021 a 2025. Detalhe: as duas empresas continuam não recolhendo ISS. Algo como R$ 600 mil mensais, dispara a fonte. 
Tem mais. O Hospital Vita, que perdeu a gestão do antigo Hospital CSN, foi embora de Volta Redonda e deixou muitos restos a pagar. Deve cerca de R$ 92 milhões, e as pendências, inclusive, já teriam sido incluídas na Dívida Ativa do município.
Outros hospitais
Por conta das pendengas judiciais envolvendo o ISS, o aQui decidiu levantar a situação dos demais hospitais particulares de Volta Redonda. Descobriu, entre outras coisas, que o H.Foa, hospital da Fundação Oswaldo Aranha, que assumiu o antigo Hinja, hospital da família do ex-prefeito Gotardo Netto, não deve um tostão aos cofres do Palácio 17 de Julho referente a ISS. A informação foi confirmada por Eduardo Prado, presidente da fundação: “O H.FOA não deve absolutamente nada de ISS”, disparou, para logo acrescentar: “Da dívida passada do Hinja, boa parte já foi paga, e outra foi parcelada, cujo parcelamento está rigorosamente em dia”, garantiu.
Quanto ao Hospital Unimed, uma curiosidade. Segundo a fonte ouvida pelo aQui, a empresa teria deixado de recolher ISS à Prefeitura de Volta Redonda. O período, ela não quis detalhar, mas garantiu: “A Unimed negociou (com Neto) e está pagando”, garantiu a fonte. “Acho até que já quitou e regularizou tudo”, informou.   

A Unimed, procurada pelo aQui para falar a respeito do acordo, para surpresa geral, negou a existência da dívida. Veja a nota que a assessoria de imprensa da cooperativa dos médicos de Volta Redonda enviou à redação: “A Unimed Volta Redonda esclarece que não possui dívida relacionada ao Imposto Sobre Serviços (ISS) junto ao município de Volta Redonda”, escreveu. “Reforça seu compromisso com a transparência, a responsabilidade fiscal e o cumprimento da legislação”, acrescentou, encerrando o assunto sem confirmar ou negar se chegou a fazer qualquer acordo com o prefeito Neto relacionado ao pagamento do ISS.

Já a assessoria de imprensa do grupo ICC, também procurada pelo aQui, adotou outra tática. A de não responder às perguntas enviadas pela reportagem. Se resolver se pronunciar após a publicação desta matéria, o espaço estará à sua disposição.

Passivo aviário

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Rica coloca funcionários em aviso prévio, e demissões ameaçam economia de Rio Claro e Barra do Piraí

Pollyanna Xavier 

Já se passaram 108 dias desde que o Inea interditou a granja da Rica no distrito de Passa Três, em Rio Claro. O aviário está vazio, os frangos foram retirados e não há mais qualquer movimentação de caminhões no local. A unidade foi interditada no dia 16 de dezembro de 2025, a poucos dias do Natal, devido a uma série de irregularidades sanitárias e ambientais. Os funcionários ainda batem ponto diariamente na fábrica, mas já foram colocados em aviso prévio. Desde então, uma campanha pela proteção dos empregos foi lançada nas redes sociais. A adesão é grande, mas as chances de uma reversão são pequenas.

A granja de Passa Três chegou a ter 500 operários; em sua maior parte, moradores de Lídice e da Fazenda da Grama. Hoje, a unidade tem apenas uns 50 funcionários e, se todos forem demitidos, certamente, o impacto social e econômico no distrito será pior. A empresa ainda  tem, em Rio Claro, no total, algo em torno de 200 a 300 funcionários, distribuídos entre as quatro plantas do município.

Para se ter uma ideia do estrago, no entorno da granja de Passa Três existe uma vila, habitada basicamente por funcionários da Rica. “A empresa, se não me engano, é a segunda maior empregadora de Rio Claro, só perde mesmo para a própria prefeitura”, comentou uma fonte do aQui, pedindo anonimato. “Vai afetar o comércio, a cidade, todo mundo”, alertou. Isso sem contar no consumidor final de todo o país, já que as unidades da empresa em Rio Claro produziam de três a 4 milhões de frangos/mês.

Tem mais. A fonte lembra que na unidade da Rica existente em Bananal (SP), muitos trabalhadores são de Rio Claro. “A fábrica de ração da Rica em Bananal, na divisa com o estado do Rio, emprega muita gente de Rio Claro, e estes também podem ser demitidos”, destaca.     

A Rica, pelo que apurou o aQui, padeceu por três males: troca de comando, descaso ambiental e abandono sanitário. O primeiro, inclusive, levou aos dois últimos. O fato é que, em julho do ano passado, a empresa saiu das mãos da Reginaves Indústria e Comércio de Aves e passou à gestão do Grupo Fictor. Esse grupo, até então desconhecido, tentou comprar o Banco Master um dia antes de ele cair, oferecendo inacreditáveis R$ 3 bilhões pela instituição. A cifra é duas vezes o valor de mercado do próprio Fictor, que tenta provar que tinha capital suficiente para bancar a proposta. 

Aliás, foi por conta desses R$ 3 bilhões que o Fictor virou alvo da Polícia Federal. Com a oferta bilionária e o escândalo do Master, investidores correram para resgatar recursos aplicados nas empresas do grupo, provocando uma severa restrição de liquidez. Sem ter como honrar os pedidos de resgate, o Fictor abriu falência: o grupo protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, e, a partir deste episódio, as granjas voltaram ao domínio da Reginaves. 

O problema é que, para conseguir voltar a operar a unidade de Passa Três, os antigos donos (Reginaves) precisam firmar um Termo de Ajustamento de Condutas com o Inea e o Ministério Público, com vários asteriscos no rodapé: eles terão de realizar todas as adequações exigidas pelo Inea e cumprir as etapas obrigatórias para obter a Licença de Operação (LO). Em bom português, precisam enfrentar um processo burocrático oneroso, porém necessário para voltar a operar com garantias ambientais e segurança sanitária. “Isso não ocorrerá”, dispara uma fonte do setor. “É melhor fechar”, preconiza.

A saga da granja de Passa Três é só um exemplo do que vem acontecendo com a empresa Rica. É que as outras duas unidades da marca localizadas em Barra do Piraí correm o risco de serem fechadas de vez – elas também foram interditadas pelo Inea – e mais centenas de trabalhadores devem perder seus empregos. O problema veio à tona em janeiro, quando o prefeito de Pinheiral, Luciano Muniz, pediu ao Inea uma fiscalização nas unidades, porque os moradores do entorno se mobilizaram para reclamar do mau cheiro e da infestação de moscas em razão das granjas. Na ocasião, o Inea encontrou um cenário de horror: carcaça de aves misturadas às aves vivas, animais doentes, ração estragada e até a captação superficial de recursos hídricos, sem autorização legal. 

O flagrante ambiental aconteceu nas granjas de Dorândia e Vargem Alegre, ambas em Barra do Piraí. Nessa operação, o Inea multou a Rica em R$ 1 milhão e interditou as unidades, determinando que a empresa regularizasse a situação e buscasse o licenciamento ambiental obrigatório. Na semana passada, o Inea voltou às granjas para acompanhar o cumprimento das exigências e, mais uma vez, não gostou do que viu: em Vargem Alegre foi sentido um forte odor vindo de instalações insalubres e foram identificados maus-tratos às aves. Já em Dorândia, o cenário era mais animador: a empresa já havia retirado os animais e iniciado a limpeza dos aviários para a remoção dos resíduos, além de começar a demolição dos fornos de incineração. 

Defesa dos empregos 

Com a situação incerta, moradores de Rio Claro e Barra do Piraí, principalmente aqueles que têm parentes trabalhando nas granjas, resolveram lançar uma campanha pró-Rica nas redes sociais. Eles fizeram um cartaz com imagens de guerra e escassez e três hashtags com as frases #SomosTodosRica, #EmpregosImportam e #RespeitoÀsFamílias. Na publicação, sem pai da ideia, deixam claro que não são contra a adequação, mas que interditar as unidades “é desumano”. “Mais de 800 empregos em risco. Famílias dependem dessa renda para sobreviver; Não é só uma empresa, são vidas. Sim à adequação e não à interdição!”, escreveram. Há quem ache que a campanha estaria até sendo bancada pela Rica. 

Para engrossar o coro, prestadores de serviços da Rica também demonstraram apoio à empresa. A Produsa Ltda – uma empresa de Barra Mansa especializada em análise de água – divulgou um comunicado em defesa da Rica. Nele, a Produsa diz que a relação com a empresa remonta a década de 1990 e que ela foi construída com base em confiança, continuidade e cooperação técnica. “O eventual encerramento das atividades de uma empresa do porte da Rica representa não apenas um impacto direto nas operações de parceiros comerciais, como também uma repercussão econômica mais ampla”, escreveram. O documento encerra falando da importância da continuidade das operações da Rica, considerando sua relevância histórica, econômica e social. 

O aQui tentou falar com a Rica, até para saber o destino dos operários e se a empresa pretende firmar o TAC com o MP e o Inea, o que poderá garantir a continuidade dos serviços e o estancamento das demissões, mas ninguém da empresa foi encontrado. O espaço permanece aberto para a manifestação da Rica. 

Top nacional

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EDUCAÇÃO: Rio de Janeiro tem 5 universidades entre as mais empreendedoras do Brasil

Cinco universidades do Rio de Janeiro estão entre as mais bem-avaliadas do país no Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras (Iese) 2025, divulgado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aparece em 30º lugar no ranking nacional, seguida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 32º, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em 34º, e pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em 37º. A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) também aparece no levantamento, na 57ª posição. No recorte regional, o Rio de Janeiro aparece em 3º lugar no desempenho do Sudeste, atrás de São Paulo e Minas Gerais e à frente do Espírito Santo. 

Nesta edição, foram coletadas 34 mil respostas de estudantes de 92 universidades e 29 institutos federais de todas as regiões do país. Além do ranking geral, o estudo reúne análises por região, pesquisa de percepção discente e recortes por dimensão, como cultura empreendedora, inovação, extensão, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro.

“Mais do que mostrar posições, o Iese ajuda a tornar mais visível o impacto que a educação empreendedora pode gerar dentro e fora das instituições. Quando a gente olha para esses resultados, o que aparece não é só desempenho, mas a capacidade de formar jovens com repertório para transformar realidades, propor soluções e contribuir de forma concreta com o desenvolvimento do país”, diz Vithória Rodrigues, presidente executiva da Brasil Júnior. 

Veja a classificação das universidades do Rio de Janeiro no estudo:

  • 30º Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • 32º Universidade Federal Fluminense
  • 34º Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • 37º Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • 57º Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

No desempenho dos institutos federais, o Rio de Janeiro também aparece no estudo com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, que figura entre os resultados nacionais divulgados pela Brasil Júnior. 

O estudo mostra como universidades e institutos federais se estruturam para estimular o empreendedorismo no ambiente acadêmico. Pela metodologia do Iese, a proposta é identificar pontos que precisam de atenção e indicar oportunidades de melhoria a partir de indicadores ligados ao ecossistema empreendedor universitário.

A Brasil Júnior conduz o relatório desde 2016. Divulgado a cada dois anos, o levantamento busca contribuir para a melhoria da vivência universitária e da qualidade do ensino superior brasileiro.

Top 10 nacional

1º- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
2º- Universidade de São Paulo (USP)
3º- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
4º- Universidade Federal de Itajubá (Unifei)
5º- Universidade Federal de Viçosa (UFV)
6º- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
7º- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
8º- Universidade Federal de Lavras (UFLA)
9º- Universidade do Vale do Taquari (Univates)
10º- Universidade de Brasília (UnB)

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