Volta ao ninho católico

Dário de Paula reestreia na Rádio Sintonia do Vale na segunda, 3 de maio

Dário de Paula, um dos maiores comunicadores da região, será recebido de braços abertos na manhã da próxima segunda, 3, pelo Bispo de Volta Redonda, Luiz Henrique, para reestrear seu programa na Rádio Sintonia do Vale (98,6 FM). Não é para menos. A volta do filho pródigo poderá ressuscitar, em termos de mercado, a rádio da Cúria Diocesana, de onde o radialista saiu em 2015 para tentar um voo quase solo à frente da Rádio Nova Sul Fluminense, adquirida por ele e mais dois sócios da família Nader. Na época, a mudança atingiu o caixa da Sintonia, que perdeu seu maior faturamento.
Em entrevista exclusiva ao aQui, Dário disse que a mudança de dial teve como motivo as divergências entre ele e os sócios na condução dos negócios da Nova Sul Fluminense. Mas disse que, pelo menos por enquanto, continua na sociedade. “Eu participei da administração por um período, mas não consegui colocar em prática muita coisa que pensei para a rádio. O futuro vai dizer se continuo sócio. Posso até vender minha participação para eles”, ressaltou, deixando no ar que a influência da esposa e parceira de trabalho, a jornalista Helenice Netto, pesou na decisão. “A volta vai tranquilizar muito a minha vida. Quando eu entrei para a Nova Sul Fluminense minha mulher não era favorável”, pontuou.
No ar há 25 anos, sempre com o programa que leva o seu nome, Dário relembra que deixou a Rádio 88, dominada por evangélicos, mudando-se para a emissora católica em março de 2013 para desenvolver a meta estabelecida pelos novos parceiros de torna-la uma rádio evangelizadora. Mais tarde, em março de 2015, a parceria foi rompida amigavelmente e Dário deixou a Sintonia do Vale para participar do relançamento da Rádio Sul Fluminense, que estava falida e fora do ar.
Agora, aposta na reestruturação da Sintonia do Vale, que está estreando equipamentos novos e terá toda a programação modificada. Detalhe: com os dedos do comunicador. “Acho que a Sintonia tem uma estrutura muito boa, vai colocar em funcionamento um transmissor de 5 kilohertz, que vai ter um bom alcance em Barra do Piraí, Piraí, Pinheiral, Barra Mansa, Resende, Porto Real, Itatiaia, Quatis. Vamos chegar até Angra dos Reis”, apontou, ressaltando, no entanto, que o Programa Dário de Paula manterá o mesmo estilo e formato. “A única mudança é a frequência. A cobertura vai ser ampliada porque em Barra do Piraí e Piraí, por exemplo, vai pegar melhor. Teremos mais presença no jornalismo. A mudança vai ser muito positiva”, aposta.
Dário garante estar consciente do papel que a Sintonia tem para a comunidade católica e para a Diocese. “Me aproximei mais do clero, é preciso destacar que é uma rádio do povo de Deus, é uma rádio evangelizadora, com um público predominantemente católico. Fiz um acordo, inclusive, para ajudar na programação, incluindo campanhas evangelizadoras”, afirmou.
Nova programação
Dário também explicou como será a nova programação da Sintonia do Vale, com algumas mudanças de horário já a partir de segunda, 3. “Haverá uma programação evangelizadora de meia-noite às 4 horas. Às 4 horas, o padre Juarez Sampaio vai entrar com um programa de sertanejo raiz, e o Amorim – do Arena da Viola – vai ajudá-lo, como voluntário. O público sertanejo aqui na região é muito grande. Às 5h45min começa a sequência para a entrada do meu programa: o Hino Nacional, a Consagração a Nossa Senhora, a Ave Maria cantada pela Sara Bentes, e às 6h começa o meu programa, com o tradicional “Pra Começo de Conversa”. Teremos a mesma equipe, os mesmos quadros. O meu programa vai até às 9 horas, quando entra o padre e cantor Rafael Duque, com o programa ‘Bom dia, Sintonia’, que já existia. O padre Rafael faz muito bem, mas estamos profissionalizando o programa, que é voltado para a dona de casa, com dicas e notícias. O ‘Bom dia, Sintonia’ segue até às 11h30min, quando começa a preparação para a transmissão da missa, a partir das 12h15min. A missa é transmitida ao vivo, da Igreja de Nossa Senhora das Graças, até às 13h. A comunidade católica prestigia, principalmente agora, com tantas comunidades fechadas por causa da pandemia”, detalhou o jornalista.
Segundo Dário, à tarde, a programação terá um perfil um pouco mais voltado para uma rádio comercial. A ideia, diz o radialista, é tornar a Sintonia do Vale uma rádio autossustentável. “A tarde vai ter evangelização, mas com um conteúdo mais equilibrado e um padrão profissional. Esse era o desejo principal da Diocese quando assumiu a rádio – ter uma rádio evangelizadora. Mas com uma programação um pouco mais popular o comércio também será prestigiado. O objetivo é esse, ter publicidade para que não saia mais dinheiro da Igreja Católica para manter a rádio. As despesas são altas, tem a energia elétrica, são diversos profissionais”, pontuou, afirmando ainda que o Programa Dário de Paula continua com os mesmos parceiros comerciais. “Eu tenho meus patrocinadores tradicionais, que seguem comigo”, destaca.
A programação da noite, de acordo com Dário, vai continuar, com pequenas alterações de horário. “À noite, o programa do Valtenir Grigório vai continuar. Ele é um ótimo comunicador e faz um programa musical de flashbacks, que era das 20 horas à meia-noite. Um excelente programa. O que vamos fazer é colocar o noticiário da Agência Nacional das 20 às 21 horas, e o Valtenir fará de 21horas em diante até a meia noite”, explicou.
Sem sacanagem
O Programa Dário de Paula sempre foi marcado pelo jornalismo preciso, mas nos últimos anos passou a ser mais descontraído e com bom humor. As brincadeiras entre Dário e Sérgio Luiz – colunista esportivo do aQui e do programa – são diárias. E vão continuar, mas com pequenas mudanças. “Vai ser uma rádio com um perfil mais popular e comercial, em relação ao que era. É uma rádio do povo de Deus, então tem palavras que não pegam muito bem. Mas já fazíamos na rádio evangélica (88 FM, grifo nosso), temos uma certa autocensura”, alerta.
Dário vai além. “’Sacanagem’, por exemplo, é um termo inadequado para uma rádio católica. Mas vou continuar contando piadas, sacaneando o Sérgio Luiz quando o Vasco perder (para o Flamengo em especial), e aguentar ele me sacaneando quando o Flamengo perder. Se bem que está difícil, isso aí! (risos)”, comentou Dário, explicando que o humor dá a leveza necessária ao programa. “Vamos continuar com esse bom humor. Até porque começamos com uma coisa pesada, mas necessária, que é o noticiário policial. Para as pessoas continuarem ouvindo o programa, elas querem continuar dando risada. Então vai ter esse bom humor, as brincadeiras com o Sérgio Luiz, a gente faz bom uso desse bom humor dele”, avalia.
A relação com os políticos de expressão também vai continuar, de acordo com o radialista. “O espaço vai continuar aberto para os prefeitos da região, de Barra do Piraí, Pinheiral, Piraí, para o deputado federal Antônio Furtado, que traz verba de Brasília para a região, para o deputado estadual Marcelo Cabeleireiro, para o agora secretário estadual de Turismo Gustavo Tutuca, que é muito importante para a região. Para o Cristino Áureo, que as pessoas lembram pouco, mas faz um bom serviço pela região”, disse ele, acrescentando: “Vamos dar mais espaço para todos os políticos da região, não só no meu programa, mas em toda a programação da rádio. Isso é legal para a rádio e para toda a região”.
Briga com Samuca
Uma das marcas do Programa Dário de Paula é a entrevista com o prefeito de Volta Redonda – seja quem ele for – sempre às quintas-feiras. No ano passado, com a pandemia, além do encontro de quinta, Dário abriu espaço quase diário para o ex-prefeito Samuca Silva. Tudo ia bem até que um questionamento de Dário sobre a utilização do Hospital Santa Margarida – arrematado em leilão pela prefeitura por R$ 11 milhões, em 2017 – fez a relação entre ele e Samuca azedar.
“Efetivamente, na minha relação com o Samuca, só quem perdeu fui eu. Eu abria espaço no meu programa para ele falar todo dia – durante a pandemia – o que eu encarava como uma prestação de serviço para a comunidade, para manter a população informada. O que aconteceu foi que o vereador Jari fez um vídeo mostrando o Hospital Santa Margarida – que a prefeitura havia gasto uma fortuna para comprar – vazio, sem pacientes, sem atender ninguém, não servindo para nada. Isso foi em setembro, e eu vi o vídeo”, explicou Dário, afirmando que a partir daí questionou o prefeito.
“O Samuca entrava no ar todo dia, ao vivo. Falei que um vereador de oposição – nem falei que havia sido o Jari – havia feito um vídeo onde não havia ninguém no Santa Margarida. Perguntei para ele a primeira vez porque não havia ninguém, ele enrolou e não respondeu. Perguntei pela segunda vez, ele enrolou de novo. Na terceira vez, ele respondeu: “Eu não estou te entendendo! O hospital não foi comprado para isso”, já com um tom mais ríspido. Ele não gostou, mas voltou ao programa. Em setembro veio a lei eleitoral, e com isso algumas restrições de participações de políticos. Ele parou de ir ao meu programa, mas foi em outros”, contou Dário, que não poupou “elogios” ao desafeto: “Entendo a atitude dele de não querer ir, ser questionado: gastou mal o dinheiro da Covid – tanto é que Barra Mansa ainda tem R$ 35 milhões para gastar – montou um hospital de campanha superfaturado, que o Ministério Público está investigando”, afirmou, disparando: “Temo que ele possa vir a ser preso pelo que fez”.
No fundo, Dário acredita que foi beneficiado pela briga com Samuca, porque teria escapado de um calote: “No fundo até dei sorte. Nos três últimos meses de governo a prefeitura não anunciou mais no meu programa. Anunciou em outros veículos até o fim do governo, mas só pagou até setembro. Ou seja, não anunciei de graça para a prefeitura”, relatou, afirmando ainda que a situação com Samuca nunca havia ocorrido em seus 25 anos de programa: “Foi a primeira vez que um prefeito retrucou assim uma pergunta”. Dário completou, com bom humor: “Como dizia a minha avó, num ditado que é uma redundância: “Sinto muito, mas lamento”. É isso”.
Mas e a relação com o atual prefeito, como andam? Dário disse que eles são amigos, mas não escapam de situações tensas, como a ocorrida há cerca de duas semanas, quando Dário questionou o tempo de espera para fazer um teste de Covid no posto de saúde da São João. O detalhe é que o próprio Dário havia sido vítima do “chá de cadeira”.
“O problema com o Neto é que eu sou amigo dele. Acho que sou mais amigo dele que ele é meu amigo (risos). Outro dia houve uma coisa, mas não foi briga. O Neto tem boas ideias, o pessoal faz, mas não é com a velocidade que ele imagina, ou que contam pra ele. O que eu disse é que ele não estava sendo bem informado sobre aquilo (atendimento no postinho da São João)”, afirmou o radialista, apontando, no entanto, uma diferença fundamental entre Neto e Samuca: “O Neto sempre falou comigo que não foge de nenhuma pergunta. Isso é uma vantagem. Rola uma bola quadrada pro Neto, ele mata no peito, domina e chuta. O Samuca, isola a bola e ainda fica bravo”.

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