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Igreja apresenta TAC, mas parou de mostrar os fiéis

Roberto Marinho

Depois de provocar revolta em boa parte da população de Volta Redonda ao juntar mais de 3 mil pessoas no feriado de Carnaval – de 13 a 16 de fevereiro – durante encontro religioso de jovens, a Cadevre (Catedral das Assembleias de Deus de Volta Redonda) foi multada pela prefeitura, enquadrada pelo Ministério Público e fechada por ordem da Justiça. Para voltar a funcionar, prometeu assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Palácio 17 de Julho, garantindo que ia tomar uma série de medidas, como limitar o número de fiéis; oferecer álcool em gel; manter portas e janelas abertas; obrigar o uso de máscaras; disponibilizar microfones individuais para os celebrantes e músicos, etc. Na verdade, tudo que já deveria ter feito antes.
O TAC foi assinado no final do mês de fevereiro (dia 23), pelo prefeito Neto, pelo responsável pela Cadevre, pastor Rinaldo Silva Dias, e pela procuradora-geral do município, Arleuse Salotto Alves. Desde então, a igreja voltou a funcionar, com limitação de público, tendo que cumprir todas as orientações estipuladas no documento. Mas houve relatos de que entre o fechamento da igreja e a assinatura do documento, os fiéis foram orientados a ir para uma igreja de Barra Mansa, que passou a ter superlotação nas semanas seguintes. O fato causou irritação nos frequentadores da igreja barra-mansense, que chegaram a comentar a questão nas redes sociais.
“A igreja de Volta Redonda foi fechada por desobediência. Fizeram um congresso de jovens nessa pandemia, o pastor (Rinaldo, grifo nosso) autorizou. Ganhou multas, a igreja está fechada. Agora o pastor está de esperteza, mandando os irmãos de Volta Redonda virem para Barra Mansa, fazer reuniões. Daqui a pouco Barra Mansa vai ser multada pelo tanto de pessoas. Absurdo isso”, disse uma internauta em uma mensagem a que o aQui teve acesso.
A igreja de Barra Mansa não foi multada – ou não foi flagrada – e a Cadevre conseguiu autorização para voltar a funcionar na cidade do aço. Com pequenos grandes detalhes. Um deles é que as imagens dos cultos, que antes eram divulgadas nas redes sociais da Cadevre, mostravam o público nas três galerias que a igreja do Laranjal possui; agora, as câmeras ficam fixas no palco. Mostram somente os celebrantes e os músicos. Nada dos fiéis.
Pelo menos duas das regras – o uso individual de microfones e a higienização dos mesmos – estariam sendo seguidas. Mas não dá para saber se as outras estão sendo cumpridas, já que, em nenhum momento dos cultos, as galerias são mostradas. O que é uma pena.

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