Vai piorar

Pollyanna Xavier

Ao contrário do que ocorre nos países atingidos pela Covid-19, onde a maioria das vítimas é idosa, no estado do Rio os mais infectados são pessoas com menos de 60 anos. Pelo menos é o que mostram as estatísticas. Dos quase 4 mil infectados no estado, 71,24% tem entre 0 e 59 anos. Em Volta Redonda, a situação é semelhante. Até a última  quinta, 76,8% dos infectados tinham menos de 60 anos. Os dados constam no painel da secretaria de Estado de Saúde para o monitoramento do coronavírus em todo o território fluminense e contrariam a tese de que a doença não teria tanto impacto na população mais jovem. É uma prova de que o isolamento vertical, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, pode ser um tiro no pé.

A questão do isolamento vertical custou a cabeça do ministro Luiz Henrique Mandetta – demitido na quinta, 16. Após sua saída, alguns prefeitos de cidades fluminenses, como o de Três Rios, Petrópolis e Paraíba do Sul, entre outros, receberam uma circular do comando da 1ª Região Militar solicitando informações sobre a capacidade instalada dos cemitérios municipais. A situação, claro, acendeu um alerta entre os prefeitos, especialmente das cidades que não possuem leitos de UTI em suas unidades de saúde. Segundo o próprio painel da SES-RJ para monitoramento da Covid-19, mais de 300 mortes já foram registradas no Estado e outros 130 óbitos seguem sendo investigados.

Essa semana, o prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, usou suas redes sociais para repetir o que vem falando desde o início da quarentena. “Façam o isolamento. Protejam seus filhos. A doença não está poupando criança, nem jovem e isto está evidente. Mantenham seus filhos em casa, não deixem que vão para a rua”, pediu. O apelo foi dado depois que os jornais noticiaram que EPIs e testes rápidos adquiridos pelo Brasil foram parados na aduana americana e ficaram confiscados nos EUA. “O presidente americano chegou a dizer que não quer que ninguém tenha os produtos contra a Covid-19, é só pra eles. Que decepção! Como é que um presidente americano diz uma coisa dessas? Os exames rápidos que deveríamos receber essa semana não chegaram no Brasil. Foram confiscados nos EUA”, lamentou Rodrigo.

Rodrigo falou ainda da situação do Equador, que enfrenta uma crise estrutural com corpos espalhados pelas ruas, e do temor de que esta situação se repita no Brasil. “Não temos capacidade operacional para enfrentar isto”, admitiu o prefeito, pedindo, mais uma vez, que as pessoas respeitem o isolamento. Segundo a última atualização da prefeitura, Barra Mansa tinha 25 casos confirmados de corona vírus, 38 suspeitos, um óbito e dois pacientes internados no CTI do Hospital Santa Maria, sendo um em ventilação mecânica e outro em ar ambiente, além de outros dois em enfermaria.

Volta Redonda

Segundo a última atualização do prefeito Samuca, a cidade do aço registra 800 casos suspeitos, 174 confirmados, 7 óbitos e três mortes suspeitas. A situação dos hospitais era a seguinte: 7 pacientes internados no Hospital das Clínicas, sendo dois em UTI e cinco em enfermaria; 3 pacientes suspeitos no HSJB, sendo dois transferidos para o Hospital Regional, sendo que um já teve alta; 5 pacientes internados no Hospital da Unimed, sendo dois no CTI e três na enfermaria; 4 pacientes internados na enfermaria do Hospital do Retiro, em ar ambiente, sem gravidade.

 As informações sobre o Hospital Regional deixaram de ser atualizadas no boletim diário que mostra a situação dos hospitais da cidade do aço. O que se sabe é que houve grande movimentação no hospital durante toda a semana, com a chegada de pacientes vindos de todos os cantos do Estado. Na segunda, o aQui divulgou com exclusividade que a unidade mantinha nove corpos de pacientes que morreram entre sexta, 10 e domingo, 12, ensacados em leitos comuns, aguardando transporte funerário ou rabecão. Os corpos eram de pacientes da Baixada Fluminense e Grande Rio.

Na terça, Samuca anunciou 19 mortes no Hospital Regional, sendo 3 de pacientes de Volta Redonda – a SES-RJ, porém, não confirmou esses óbitos porque o Lacen-RJ ainda não liberou os resultados dos exames. Na quarta, um caminhão chegou à unidade, vindo do Rio, trazendo um contêiner frigorífico para armazenamento de corpos. A secretaria estadual de Saúde, é claro, se fez de morta e nem isso informou aos jornais da região. Para os jornalistas da pasta, está tudo como dantes no quartel de Abrantes. Ninguém morreu para eles.

Deixe uma resposta