Casa Editorias Barra Mansa TRE joga um balde de água fria no sonho de Marcelo Cabeleireiro

TRE joga um balde de água fria no sonho de Marcelo Cabeleireiro

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A postagem nas redes sociais do aQui na noite de segunda, 9, dando conta, com exclusividade, que o exdeputado estadual Marcelo Cabeleireiro tinha fechado um acordo com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, précandidato ao governo do Estado nas eleições do ano que vem, caiu como uma bomba no meio político de Barra Mansa. “Verdade?”, indagavam os políticos, afinal, Cabeleireiro até aquele dia ainda apostava na sua volta à Assembleia Legislativa. A definição do caso, contra as ambições do ex-deputado, é claro, agilizou a definição dos passos seguintes de Cabeleireiro, que esteve na sede da Rio Luz para ser anunciado como reforço da equipe de Eduardo Paes. “O sonho acabou”, definiu um dos seus adversários, referindo-se à decisão da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro (ver box) de não alterar a composição da Assembleia Legislativa. “Ele já tinha montado o gabinete. Estavam todos esperando ser chamados”, garantiu, pedindo anonimato.

Ela vai além. Diz que o político barra-mansense, indo trabalhar na Rio Luz, empresa ligada à prefeitura do Rio de Janeiro, acabou surpreendendo os seus próprios eleitores. “Ele traiu o Bacellar”, disparou, referindo-se ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que, assim como Eduardo Paes, também é pré-candidato ao governo do Estado em 2026. E todos apostavam que Bacellar teria o apoio de Cabeleireiro. Reiterando seu pedido de não ser identificada, a fonte garante que Marcelo Cabeleireiro iria apoiar Bacellar em 2026 porque, nas eleições para prefeito de Barra Mansa, em 2024, o presidente da Alerj teria participado ativamente da campanha de Cabeleireiro. “Ao fechar com Eduardo Paes para trabalhar na Rio Luz, o Marcelo está traindo o Bacellar”, sentenciou. “Ele já traiu o Rodrigo Drable, já traiu o Cláudio Castro e agora está traindo o Bacellar. Se bobear, vai acabar traindo o Paes”, ironizou.

O acordo de Eduardo Paes com Marcelo Cabeleireiro passou, como o aQui noticiou, pela nomeação do ex-deputado para um cargo político na empresa Rio Luz. A contratação foi anunciada na segunda, 9, por Rafael Thompson, que é o presidente da Companhia Municipal de Energia e Iluminação do Rio de Janeiro, responsável pela manutenção e gestão da iluminação pública na cidade maravilhosa, com sede em Botafogo. “Eu estou recebendo aqui esse amigo, Marcelo Cabeleireiro, sempre deputado estadual e que agora faz parte da família Rio Luz. Ele vai ser a pessoa que vai cuidar das relações institucionais. Vai falar com vereadores, vai falar com deputados para trazer cada vez mais iluminação para a cidade do Rio de Janeiro, não é isso, Marcelo?”, disse, ao lado de um sorridente Marcelo Cabeleireiro.

“Quero agradecer a oportunidade de fazer parte dessa equipe vencedora, juntamente com o nosso prefeito Eduardo Paes. Estou aí pra somar e ouvir as pessoas, ouvir o coração, nossos vereadores, nossos deputados, para que a gente possa melhorar a qualidade de vida do cidadão carioca”, comentou Marcelo Cabeleireiro, cuja nomeação saiu no Diário Oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro com data retroativa a 5 de junho. O engraçado é que, até a tarde de quinta, 12, o exdeputado estadual ainda não tinha postado uma linha nas suas redes sociais para dar as boas novas aos seus eleitores. Um deles, em mensagem ao aQui, fez o seguinte comentário: “Considero um bom lance de abertura do Marcelo no tabuleiro de xadrez das próximas eleições. Considero, ainda, Eduardo Paes muito bom de MKT (Marketing) e Gestão e um jogador que joga sempre de Brancas (peças), de iniciativa, e difícil de ser batido”, pontuou. “O tempo dirá se minhas observações foram corretas ou se Eduardo (Paes) só é Rei no município do RJ (Rio de Janeiro), pontuou, para encerrar, deixando uma pergunta no ar: “E você (leitor), o que pensa?”.

 

Sem mandato
A ida de Marcelo para a Rio Luz, com salários ainda não conhecidos, só foi possível graças à interpretação tomada pela Justiça Eleitoral de que ele não teria direito, ao contrário do que sonhava, de assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O TRE-RJ, em nota, anunciou que a decisão do STF – de se fazer uma nova totalização dos votos para os cargos de deputado federal e estadual nas eleições de 2022 – não teria gerado mudanças no resultado das eleições, uma vez que nenhum candidato a deputado estadual ou federal foi eleito por média e com votação nominal menor do que 20% do quociente eleitoral. A totalização das Eleições 2022, realizada com base na legislação em vigor, diz o TRERJ contemplava os seguintes critérios para a distribuição das vagas das eleições
proporcionais:

1. Critério do Quociente Partidário: são considerados eleitos por partido ou federação
os candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% do quociente
eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da
votação nominal que cada um tenha recebido;

2. Critério de média 80/20: as vagas não preenchidas pelo critério anterior serão
distribuídas pelo cálculo da maior média, desde que o partido tenha atingido 80% do
quociente eleitoral e tenha em sua lista candidatos que atendam à exigência de votação
nominal mínima de 20% do quociente eleitoral;

3. Critério da média 80: não havendo mais partidos com candidatos que tenham a
votação nominal mínima de 20% do quociente eleitoral, as vagas remanescentes
serão distribuídas pelo cálculo da maior média entre todos os partidos que tenham
atingido 80% do quociente eleitoral. A Suprema Corte concluiu, no entanto, que a restrição imposta ao último critério pela cláusula de desempenho partidário (80% QE) é inconstitucional por violar os princípios do pluralismo político, da soberania popular, da representatividade e da proporcionalidade partidária.

Desta forma, não preenchidas todas as vagas pelo segundo critério (média 80/20),
as vagas remanescentes deveriam ser distribuídas entre todos os partidos e federações participantes, independente de votação mínima, o que não ocorreu no estado do Rio de Janeiro. Isso porque, das 46 vagas disponíveis para deputado federal no estado do Rio, as
36 primeiras foram preenchidas com base no primeiro critério (votos nominais iguais ou superiores a 10% de acordo com os quocientes partidários alcançados). E as 10 vagas remanescentes foram preenchidas de acordo com o segundo critério, que contempla os partidos que atingiram pelo menos 80% do quociente eleitoral (QE) e apresentaram
candidatos com votação nominal igual ou superior a 20%.

O mesmo aconteceu no caso das vagas para deputado estadual no estado do Rio.
Das 70 vagas disponíveis, 58 foram preenchidas pelo primeiro critério e as 12 vagas remanescentes foram preenchidas de acordo com o segundo critério. Ou seja, que Marcelo Cabeleireiro se prepare para as eleições de 2026 se ainda tiver o desejo de retornar à Alerj

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