Terceira onda

Secretaria de Saúde culpa novas cepas pelo aumento de mortes em Volta Redonda

Mateus Gusmão

Como o aQui já mostrou nas duas últimas edições, o número de mortes pela Covid-19, em Volta Redonda, já é maior em 2021 do que em todo o ano de 2020. E, com a cidade ainda patinando com a campanha de vacinação, os vereadores locais promoveram uma audiência pública para discutir o caso. Foi na quarta, 28, de forma semipresencial, com transmissão pelo Facebook. Apesar da importância, o evento não atraiu quem devia e terminou sem nenhum encaminhamento específico.
Apenas três vereadores participaram da audiência: Walmir Vitor (PT), Halisson Vitorino (PP) e Cacau da Padaria (PMB). Detalhe: os parlamentares da Comissão Permanente de Saúde não estiveram presentes – Jari (PSB), Conrado (DC) e Dinho (PAT). A secretária de Saúde, Conceição Souza, também não deu as caras, mandando, para representá-la, o médico sanitarista Carlos Vasconcelos, do setor de Vigilância em Saúde. Já o Conselho Municipal de Saúde limitou-se a enviar uma carta cobrando medidas mais efetivas de combate à Covid-19.
Segundo o infectologista Carlos Vasconcelos, Volta Redonda registrou um aumento de óbitos em 2021 por conta das variantes da Covid-19, as famosas novas cepas. “Essa terceira onda está acontecendo justamente quando foram identificadas as novas cepas circulando no estado do Rio. Não estamos com o aumento de casos tão explosivos, mas a letalidade permanece alta”, disse, ressaltando que uma pessoa internada com o coronavírus na rede pública pode ficar em média até 30 dias hospitalizada.
Ele foi além. Destacou que a cidade já teve duas outras ondas da Covid-19. A primeira, em maio e junho de 2020, com as primeiras flexibilizações e aumento de casos. Depois, no final de 2020 e início de 2021. “Isso em decorrência das festas de final de ano”, frisou. “Chegamos a ter 1.400 casos confirmados em uma semana, no início de janeiro. Não conseguimos detectar esse aumento com tanta clareza para tomarmos medidas mais claras de controle”, acrescentou Carlos Vasconcelos.
Para o médico da Saúde, que representava Conceição, Volta Redonda tem uma taxa menor de letalidade no estado do Rio, entretanto, maior que a média nacional. “Nós temos uma boa qualidade de diagnóstico. Nós testamos bastante. Temos um número maior de casos porque temos mais como testar, o que permite que a gente diagnostique mais. Isso faz com que nossa taxa de letalidade seja maior”, crê, ressaltado, entretanto, que os casos de Covid-19 não estão, de acordo com ele, crescendo de forma explosiva.
“Estamos conseguindo conter a explosão de casos. Mas estamos tendo casos mais graves, mais letalidade”, destacou, ressaltando que o governo do Estado reduziu Volta Redonda à bandeira laranja, que seria de risco moderado de transmissão do vírus. “Mas na secretaria de Saúde ainda estamos tratando como bandeira Vermelha, mais grave, porque a taxa de letalidade continua alta”, destacou.
Respondendo a algumas perguntas, Carlos Vasconcelos falou sobre a falta da Coronavac. “Nós seguimos os protocolos do Ministério da Saúde”, disparou, tentando eximir Conceição de qualquer responsabilidade. “Nós recebemos uma nota técnica do Ministério da Saúde dizendo que era para usar todas as primeiras doses, que seria garantida a entrega das segundas doses, o que não aconteceu. Não guardamos vacinas. Lugar de vacina é no braço”, destacou, esquecendo que outras cidades atuaram de forma diferente: não acreditaram na nota técnica do governo Federal.
Questionado sobre as formas de diminuir as mortes pela Covid-19, o médico da secretaria de Saúde foi taxativo. “Vacinar, vacinar, vacinar”, disparou, apontando outros caminhos. “Precisamos de mais testes para fazer com que as pessoas também se isolem. A cada pessoa com Covid-19, o ideal seria a gente testar pelo menos cinco pessoas que tiveram contato com ela, e assim por diante. Assim, a gente consegue diminuir o número de casos. Porque quem puder estar com o vírus vai ficar em casa. Não existe spray milagroso, remédio milagroso. Precisamos ter fé, rezar. E seguir as medidas”, concluiu. Ele está certo, desde que seja tudo bem organizado, né?

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