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2020 foi o ano mais violento dos últimos seis em Barra Mansa

Roberto Marinho

Na edição passada (no 1.248) o aQui publicou uma reportagem sobre um estudo desenvolvido pelo ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro) provando que a Covid-19 e o consequente isolamento social, ao contrário do que sugere o senso comum, não impactou de forma decisiva na redução da criminalidade no estado do Rio. Tal fato aconteceu nas cidades do Sul Fluminense, como Volta Redonda, cujos números estão disponíveis nas redes sociais do aQui, como o Facebook. Aproveitando os dados do ISP-RJ sobre Barra Mansa, podemos dizer que os mesmos efeitos – pandemia e isolamento social – não diminuíram significativamente a criminalidade na cidade; pelo menos não em todos os casos.
Um dos exemplos é o número de homicídios registrados em 2020 e nos anos anteriores, período sem Covid-19. No ano passado foram registrados 42 assassinatos em Barra Mansa, o maior número de vítimas dos últimos três anos. Na verdade, com exceção de 2017, quando ocorreram 45 homicídios, 2020 foi o mais violento dos últimos seis anos em Barra Mansa. Para se ter uma ideia, em 2018 foram 38 assassinatos; em 2019, houve 40 vítimas. As tentativas de homicídio seguiram a mesma tendência, mas de forma ainda mais crítica: 2020 teve mais ocorrências – 141 – que todos os seis anos anteriores.
Além dos homicídios, dentro dos chamados Índices Estratégicos de Segurança estão também os roubos de carga, de rua, e de veículos. Todos apresentaram queda em 2020. No caso do roubo de cargas, houve uma queda de quase 50% – 15 ocorrências em 2019, contra oito em 2020. Mas isso pode ser explicado, como aponta o estudo do ISP-RJ, por medidas tomadas pelas autoridades de segurança do estado especificamente para esse tipo de crime.
No caso dos roubos de rua e de veículos, o relatório do instituto classifica esses crimes como “de oportunidade”, ou seja, ocorrem ao acaso e dependem de haver vítimas (ou veículos) na hora e local em que o criminoso esteja “trabalhando”. Esses tipos de crimes são os que podem ter sido afetados pela pandemia, pela diminuição da circulação de pessoas e, consequentemente, veículos, como aponta o ISP-RJ.
Os estupros também apresentaram diminuição, mas essa já era uma tendência observada desde 2017. Em 2020 foram registrados 38 casos, com uma ligeira queda em relação aos 41 de 2019. É importante ressaltar que a questão da violência contra a mulher vem sendo observada de perto pelo ISP-RJ. O instituto mostra que pode estar havendo subnotificação da violência contra a mulher. Na maioria dos casos – cerca de 70% -, a agressão ocorre dentro de casa, pelo parceiro ou alguém próximo da família. Com o isolamento social, a convivência entre agressor e vítima é inevitável, e muitas mulheres silenciam por medo de uma retaliação. É preciso destacar também que a maioria das vítimas – cerca de 70% – é menor de 17 anos. Dessas, 25% são menores de 12 anos.
171
Os estelionatários trabalharam bastante em Barra Mansa no ano passado. Mas, embora tenham feito 178 vítimas – contra os 137 lesados em 2019 -, eles não conseguiram superar o recorde de 200 pessoas enganadas em 2018. Ou seja, ao que parece, a pandemia não ajudou a turma do ‘171’ a cometer seus crimes. O mesmo para os casos de extorsão que apresentaram uma ligeira queda entre 2019 e 2020 – 11 contra 7 casos, respectivamente.

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