Suspense no ar

Neto prevê problemas para OS do Hospital São João Batista e para Samuca

Em entrevista ao programa Dário de Paula na manhã de quinta, 21, o prefeito Antônio Francisco Neto criou o ‘suspense do ano’ ao deixar claro, nas entrelinhas, que o ex-prefeito Samuca terá problemas com a Justiça. Ele e a AFNE – Associação Filantrópica Nova Esperança -, que foi contratada para administrar o Hospital São João Batista, ainda sob intervenção judicial desde o final do ano passado.
Vejam o que Neto disse ao responder a Dário se ele iria mesmo parar de reclamar da situação que encontrou ao tomar posse como novo prefeito de Volta Redonda: “Não tem jeito. Agora estamos sofrendo ameaças de um bloqueio (de recursos para atender) para o Hospital São João Batista. O município já paga R$ 2 milhões para os funcionários que desceram do Hospital São João Batista com a chegada da OS. Essa OS ainda vai dar o que falar… o prefeito (Samuca) vai ter que responder pelo que ele fez, pela falta de fiscalização, pelo dinheiro que foi jogado fora. Eu acho que quem faz o que ele fez não pode sair impune. É uma verdadeira vergonha o que aconteceu com o município de Volta Redonda!”, disse, sem dar detalhes do que pode acontecer nos próximos dias, ou semanas.

 

Smac (I) – Neto confirmou na entrevista que vai determinar uma auditoria completa das contas do Palácio 17 de Julho. “As irregularidades são imensas. Vai na Smac (secretaria de Ação Social). Lá, o ex-secretário pegou recursos para viajar e não prestou contas. Nós vamos entregar (o caso) ao Ministério Público para que ele preste contas. Para não cometer injustiças. O ex-secretário Marcão (Marco Provençal) pegou recursos públicos e não prestou contas do dinheiro que ele pegou para viajar a Brasília. E não é pouco dinheiro. Ele vai ter que prestar contas”, revelou.

Smac (II) – Procurado pelo aQui para responder às acusações, Marcão não deixou por menos. “Prestei conta de todas as viagens que fiz, tanto que o Conselho de Assistência aprovou minhas contas”, retrucou, aproveitando para alfinetar o atual prefeito. “Ele deveria trabalhar e parar de ficar procurando chifre em cabeça de cavalo”, ironizou, para logo completar: “Afinal de contas, os bloqueios que ele está reclamando são referentes aos precatórios de quando ele foi prefeito. Cabe a ele mesmo pagar”, disparou, referindo-se aos bloqueios que o Palácio 17 de Julho anda sofrendo por conta de dívidas não pagas por Samuca.

Dívidas (I) – Aliás, os bloqueios ocuparam boa parte da entrevista de Neto a Dário de Paula. “Eu prometi que não falaria mais da situação em que nós encontramos a prefeitura, mas a cada dia que passa a situação é mais delicada”, justificou, passando a dar detalhes do que já sofreu. “Nós assumimos na segunda, dia 4, e no dia 5 veio um bloqueio do Tribunal de Justiça para pagar o precatório que não foi pago em 2019 e o de 2020 que tinham (governo Samuca) prometido pagar R$ 25 milhões. Não foi pago nem um tostão. Nós recebemos R$ 2 milhões e meio. Tudo foi bloqueado. Depois, mais R$ 2 milhões e meio do Fundo de Participação dos Municípios também foi bloqueado para pagar o INSS que não era recolhido e estava em atraso. Veio a segunda semana de governo, e bloquearam mais 2 milhões e meio de reais”, contou.

Dívidas (II) – Segundo Neto, logo a seguir mais R$ 2 milhões do FPM foram bloqueados, o que o levou a pensar: “Agora eu vou conseguir trabalhar com o dinheiro que nós vamos arrecadar!”. Ledo engano. “Vieram R$ 10 milhões e o Tribunal de Justiça bloqueou o dinheiro todo”, lamentou, anunciando que outros recursos, prestes a entrar no caixa, serão bloqueados. “Ninguém consegue trabalhar sem um tostão”, desabafou. “A minha receita é quase zero, e olha que nós estamos trabalhando”, comparou.

Dia a dia – Pelo que Neto disse a Dário, apesar da falta de dinheiro, a cidade já mudou desde que ele assumiu o cargo. “Estamos limpando a cidade toda, a cidade tá toda limpa. Estamos tapando os buracos, cortando o gramado, o mato, capim. A secretaria de Saúde está conseguindo se organizar, porque lá tá uma verdadeira bagunça. Nós estamos há menos de 20 dias no governo, e já fizemos muita coisa”, ponderou.

Pedidos – Segundo Neto, um detalhe tem sido verificado por ele. “Existe uma cobrança imensa de pessoas querendo emprego no poder público. Tiramos mais de duas mil pessoas para poder viabilizar nosso trabalho. Não está sendo fácil. Confesso que nunca imaginei que o município estivesse na situação que está. Além de faltar dinheiro, está tudo destruído”, pontuou.

Detalhes (I) – Para exemplificar o caos que ele entende ter encontrado, Neto contou que teve uma discussão com Vitor Hugo, presidente da Fundação Beatriz Gama, sobre o que fazer para atender três casas-abrigo existentes no município. “Há uma cobrança imensa do Ministério Público e com razão”, crê. “Nós devemos ter hoje umas 30 crianças abrigadas e isso nos consome 60 funcionários. Não é fácil, está tão difícil. Está todo mundo desgastado porque todos buscam resolver os problemas. Você vai no Hospital do Retiro, não tem ar refrigerado funcionando. Vai no Cais Aterrado, no Cais Conforto, a mesma coisa”, revelou.

Detalhes (II) – Provocado por Dário, que assumiu desde a campanha eleitoral ser inimigo político de Samuca, Neto falou das reclamações sobre o antigo Hospital Santa Margarida, que, segundo o radialista, do jeito que está não pode funcionar como um hospital em Volta Redonda. “De lugar nenhum!”, disparou o prefeito. “Vai visitar os banheiros… O banheiro feminino, que vergonha! O descaso é tão grande e é em tudo. O estádio (Raulino de Oliveira)… Se você for ao estádio, você vai ver o que eles fizeram com ele… Aquilo é coisa de maluco, Dário! Tá tudo destruído!”, contou.

Detalhes (III) – A choradeira continuou. “Não tem um lugar da prefeitura… Foi tudo, tudo, tudo abandonado, destruído. Os carros da garagem… O que é aquela garagem? O que aconteceu na nossa garagem é uma vergonha. Que me desculpem os responsáveis passados, mas um desmando total, total, total. Pra refazer isso…”, lamentou o prefeito. “A Guarda Municipal vai ficar responsável pela garagem. Os carros totalmente destruídos, mas totalmente destruídos. Roubaram tudo que tinha de valor na maioria dos carros. Tudo vai ser apurado!”, prometeu, de forma irritada.

Otimista – Apesar da crise e da choradeira, Neto manteve o otimismo. “Com o passar do tempo, nós vamos provar que o que fizeram com Volta Redonda foi a maior covardia que fizeram até hoje, mas nós fomos eleitos para resolver os problemas. Vamos resolver. Daqui a um tempo, a Smac vai começar a realizar… a Fundação Beatriz Gama já começou, a saúde vai voltar a ser digna para o povo de Volta Redonda. Eu tenho certeza absoluta que nós vamos dar a volta por cima”, pontuou.

Câmara – A falta de dinheiro no Palácio 17 de Julho criou mais um problema para Neto. Na quarta, 19, ele teria que repassar cerca de R$ 2 milhões e 700 mil para a Câmara de Vereadores, relativos ao famoso duodécimo que, por lei, é obrigado a destinar à Casa de Leis. “Só consegui repassar R$ 1 milhão e meio, porque não tenho de onde tirar mais dinheiro”, justificou.

Hospital (I) – Enquanto espera por uma decisão da Justiça para que possa reassumir a administração e o dia a dia do Hospital São João Batista, Neto confessou no programa Dário de Paula que anda batendo de frente com os interventores da unidade. “O pessoal que assumiu o Hospital São João Batista quer pagar todo mundo em dia, eu também gostaria de estar pagando todo mundo em dia”, ironizou, referindo-se, certamente à ordem da Justiça para que adiante quase R$ 10 milhões dos cofres vazios do Palácio 17 de Julho para o custeio do Hospital São João Batista referente a janeiro, mês que ainda não terminou. “Existe aí um conflito e eu acho que todo mundo já sabe da nossa discussão com os interventores. Nós estamos loucos para poder voltar a administrar o São João Batista, já fizemos o pedido. Temos pessoas competentes!”, ponderou o prefeito.

Hospital (II) – Indagado se tinha apresentado o planejamento para reassumir o São João Batista, Neto foi além na resposta. “Foi apresentado com o aval da Defensoria Pública. O Ministério Público é favorável à retomada pelo município. O Cremerj já se manifestou favorável também”, relatou, mostrando que só depende da liberação da Justiça. “O mais importante: o Faria é muito competente. Criamos uma comissão, o Faria faz parte, o Dr. Caio, a Mônica, a Cláudia, a Dora… São pessoas que já estão lá trabalhando para que a gente retome a administração do Hospital São João Batista”, detalhou.

Deixe uma resposta