Sob pressão

Prefeitura desmente irregularidades na pasta e diz que creche no Tangerinal vai revolucionar o segmento

0
1090

Há algumas semanas, a Secretaria de Educação de Volta Redonda voltou ao radar de amigos e inimigos, especialmente os últimos. No campo da batalha, o alvo preferido tem nome e sobrenome: o do engenheiro Sérgio Sodré. E é em cima dele que, às vésperas das eleições, as pressões sobre a pasta se intensificam. Um caso emblemático se desenrolou em 8 de fevereiro, dias depois de Sodré completar um ano como gestor da SME.
O pai de um aluno com TEA (Transtorno do Espectro Autista), identificado como Rafael Marques, entrou em uma escola no Santo Agostinho, onde o filho foi matriculado, e, indignado com a falta de cuidador para o menino, fez um vídeo soltando cobras e lagartos em Sodré, secretário de Educação, e até no prefeito Neto. Chegou a dizer que os enforcaria. O caso foi parar na 93a DP.
Para piorar, o vereador Raone, de oposição, fez algumas acusações contra a administração, que vão desde a falta de investimento mínimo constitucional na Educação, que seria igual a 25% do orçamento municipal, até a deterioração dos prédios escolares, falta de professores etc. A mais recente aconteceu na semana passada, quando o parlamentar falou de um possível rombo milionário nas contas do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica).
Raone disse que, em 2023, o montante recebido pelo município proveniente do Fundeb seria de R$ 222.244.486,70. E que os gastos declarados teriam chegado a R$ 254.938.386,70, resultando, teoricamente, em um déficit de R$ 32.693. 900,00. O vereador garantiu até que avisou às autoridades – incluindo o prefeito, o secretário de Educação, o Conselho Municipal de Educação e o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb (CAC), cobrando explicações sobre as irregularidades que ele teria identificado. “É absurdo um governo que se elegeu defendendo a reconstrução de Volta Redonda não cumprir com a legislação educacional”, disparou.
Questionada sobre o assunto, a prefeitura de Volta Redonda, através da sua Secretaria de Comunicação, desclassificou a teoria do rombo milionário. “Foi um erro material, de digitação. Não há irregularidade alguma, tanto que Volta Redonda segue recebendo os repasses normalmente do Fundeb”, garantiu a pasta.
Em meio a tantos boatos e desmentidos, surge uma esperança: a inauguração da supercreche no Tangerinal, batizada de Dauro Aragão, em homenagem ao ex-presidente da FOA. O imóvel foi adquirido pelo Palácio 17 de Julho, como aQui noticiou com exclusividade, e Sodré, em vídeo, garante que será uma unidade de primeiro mundo, com métodos pedagógicos promissores baseados nos estudos de Maria Montessori e estrutura de alta qualidade.
O investimento foi tão significativo que a prioridade dos Recursos Humanos da SME passou a ser contratar professores e cuidadores para a futura creche municipal, que deverá ser inaugurada em abril. Mas pudera, a nova unidade tem potencial para atender 400 crianças de até quatro anos e de todos os bairros possíveis, “desde que as crianças estejam cadastradas no sistema e haja interesse dos pais”, frisa a Secretaria de Comunicação do governo Neto. “É a realização de um sonho para um pesquisador e educador. Vocês podem ter certeza de que não tem nada igual no Brasil, esse Centro Municipal de Educação Infantil realmente é um projeto de ponta, e Volta Redonda merece isso”, avaliou Sodré nas redes sociais.
A Secom vai além. Destaca a importância estratégica da localização da creche, alegando que fica próxima ao centro urbano e de fácil acesso para a classe trabalhadora. “[O Tangerinal foi escolhido] pela oportunidade que foi criada com a
desocupação do prédio por parte do UniFOA. Um prédio que, como todos sabem, já está bem preparado para receber projetos educacionais. Fizemos as adequações necessárias, algumas adaptações, e teremos uma unidade referência. A creche fica em um ponto central da cidade, com fácil acesso de ônibus e em um bairro onde milhares de mães e pais de família vão trabalhar todos os dias”, disse, salientando que as vagas serão preenchidas normalmente pela fila do cadastro que a SME mantém, a partir da chamada escolar.