Sem home office

Pesquisa revela que 6 em cada 10 jovens fluminenses têm que sair de casa para trabalhar durante a pandemia

Em meio à pandemia da Covid-19, a maioria dos adolescentes e jovens fluminenses, de 15 a 24 anos, ainda precisa trabalhar fora de casa para ajudar na complementação de renda familiar.
É o que revela uma pesquisa nacional realizada pelo Espro (Ensino Social Profissionalizante), instituição filantrópica sem fins lucrativos, feita com 13.619 entrevistados de 18 estados do país, mais o Distrito Federal. O levantamento mediu diferentes aspectos da vida dos entrevistados em cinco momentos do ano passado, do início da pandemia (abril) até os primeiros anúncios concretos de vacinas contra a doença (novembro).
Entre os temas abordados, estão informações e preocupações com a Covid-19, medidas de proteção utilizadas, bem-estar, emprego e estudos. O recorte do Rio de Janeiro aborda dados das cinco ondas da pesquisa, sobre um total de mais de 1.560 respondentes.
De acordo com o levantamento, 62,5% dos jovens fluminenses dizem que precisaram sair de casa para trabalhar em novembro, seja todo os dias (55%), seja em sistema de rodízio (7%). Apenas 14% estavam trabalhando no esquema de home office, enquanto no Brasil o índice é de 25%.
O levantamento mostra que, à medida que o tempo passa, mais jovens estão trabalhando fora de casa. Em abril, o percentual de fluminenses nessa situação era de 12,7%. Em setembro, o índice já era de 46,52%, até chegar aos atuais 62,5%. “O jovem fluminense enfrentou um cenário preocupante durante todo o ano passado, ao ter de circular para trabalhar e, ao mesmo tempo, não poder deixar de complementar a renda dentro de casa”, afirma Alessandro Saade, superintendente executivo do Espro, que em 41 anos de existência já encaminhou mais de 315 mil jovens aprendizes para o primeiro emprego.
“Ao mesmo tempo, os resultados apontam que é preciso oferecer cada vez mais capacitação e acesso a tecnologias para que o adolescente e o jovem possam estar prontos para as principais tendências do mercado pós-pandemia, como o teletrabalho”, complementa o especialista.
Saúde mental
Saade afirma, ainda, que a pesquisa revelou que a pandemia tem causado intensa pressão psicológica sobre o jovem brasileiro – o que não é diferente no Rio de Janeiro. Os jovens fluminenses dizem que estão mais ansiosos (85%), mais cansados (80%) e mais preocupados (76%) do que o normal. “Esses índices, comparados a outras respostas da pesquisa, indicam que os jovens vivem um momento de agonia, tanto em relação ao futuro da economia
do país quanto à de casa, além da preocupação constante com a saúde de parentes e amigos”, concluiu.
Espro
Há 40 anos o Espro – Ensino Social Profissionalizante se dedica a formar talentos e tem uma história focada na transformação social. Durante esse período, foram mais de 315 mil encaminhamentos e 729 mil atendimentos sociais, desempenhando um papel estratégico na formação de adolescentes e jovens em busca do primeiro emprego e, sobretudo, no desenvolvimento de cidadãos conscientes e protagonistas para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
A instituição está presente em todo o território nacional, com filiais e polos em 16 estados, alcança 2.202 municípios e capacita anualmente mais de 17 mil jovens em situação de vulnerabilidade, por meio dos Programas Jovem Aprendiz e Formação para o Mundo do Trabalho.
Além disso, o Espro oferece também diversos projetos e ações sociais que alcançam também as famílias e comunidades dos aprendizes. Os jovens podem se inscrever pelo site https://www.espro.org.br.

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