Secretaria da discórdia

Mateus Gusmão

O aQui bem que avisou que a votação para a criação da secretaria para Pessoas Com Deficiência em Volta Redonda iria dar o que falar. Deu. Apesar da proposta do prefeito Neto ter sido aprovada por 18 votos a dois, o clima não foi dos melhores entre os parlamentares. Isso porque Jari e Rodrigo Furtado, que votaram contra, justificaram suas posições dizendo que, em tempos de Covid-19, a nova pasta iria gerar mais custos ao Palácio 17 de Julho. Detalhe: quem vai assumir o cargo de secretário será o vereador Washington Uchôa.
O mal-estar é porque os vereadores que votaram com Neto se sentiram incomodados com os discursos dos que votaram contra. “Do jeito que o Jari e o Rodrigo se posicionaram, fica ruim para a gente. Parece que eles são a favor de economizar dinheiro público e a gente, que votou a favor, é a favor de criar cargos, gerar despesas. Não é bem assim”, desabafou um deles, pedindo para não ser identificado.
Quando Rodrigo Furtado usou a tribuna, por exemplo, a Casa estava cheia de manifestantes da ‘Ocupação da Paz’. Ao discursar contra a nova pasta, foi aplaudido. “Hoje, nós estamos vendo uma discussão sobre a criação de cargos e uma nova secretaria. Mas não vemos discussão sobre o retorno das cestas básicas para os alunos da rede municipal. Por isso, digo que voto contra a criação da nova secretaria”, pontuou.
Jari adotou a mesma linha, destacando que a Coordenadoria Municipal Para Pessoas Com Deficiência nunca foi instalada. E que, após a reforma administrativa feita por Samuca, o setor foi incorporado à secretaria de Ação Comunitária. “Por isso, eu voto contra o aumento de gasto público nesse período de pandemia. Estou seguindo minha coerência, pois na Legislatura passada votei contra a criação de duas novas secretarias. Agora eu também voto contra. Não é o momento de aumentar gastos”, destacou Jari.
O vereador Dinho votou com Neto e reclamou de Jari, dizendo que votou contra a criação de duas secretarias no governo Samuca. “O que ele não falou foi que as secretarias nasceram e morreram no mesmo governo. Elas tinham prazo. Essas secretarias nem existem mais. As pessoas precisam falar o todo”, disparou Dinho. “Do jeito que foi falado aqui, parece que foram criadas duas secretarias e agora estamos aprovando mais uma. Mas não. As duas malfadadas secretarias já foram extintas e agora estamos criando uma (da pessoa com deficiência), que vai funcionar e ser útil”, completou, ressaltando que quem votou favorável à proposta deveria se posicionar. “Se não, ficam todos com cara de tacho”, disse.
O discurso de Dinho fez com que outros vereadores se posicionassem. Edson Quinto foi um deles. “Não vai ter aumento de gastos. Foram transferidos cargos de outras secretarias para que fosse montada essa nova pasta. Não é um cabide de emprego. Eu tenho certeza de que a gente vai ter bons frutos desta secretaria. As pessoas com deficiência sofrem muito”, alegou.
O futuro secretário, pastor Washington, por sua vez, disse que, de fato, foi convidado para assumir a pasta, e ressaltou que espera que a nomeação seja oficializada. Depois, fez um discurso emocionado. “Eu vejo algumas pessoas falando que esse não é o momento de se criar a secretaria para Pessoas com Deficiência. Aí, eu penso: e quando será esse momento? Gente, isso é um investimento. Tenho certeza que o trabalho vai gerar coisas boas e políticas públicas importantes”, crê o pastor-vereador.
Com a provável ida do pastor Washington para a nova secretaria, quem assumirá a sua cadeira na Câmara será Vampirinho (Republicanos). Ele é ex-assessor do ex-deputado Deley de Oliveira, e hoje mantém ligações políticas com o grupo do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis.

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