‘Salvem a escolinha’

Secretário anuncia a Betinho Albertassi que Escola Militar não será fechada

Vinícius de Oliveira

A Escola Militar do Corpo de Bombeiros de Volta Redonda (EMCB-VR) anda na corda bamba. Servindo como promessa eleitoreira que ajudou a eleger o agora afastado governador Wilson Witzel, a unidade, que funciona nas dependências no antigo Ciep 403, no Açude, foi basicamente abandonada pela secretaria Estadual de Educação, até então responsável, conforme acordo firmado em 2019 entre governo do Estado e o Corpo de Bombeiros, pela cessão de professores. Contudo, desde o início da pandemia, o acordo foi quebrado e a unidade ficou sem receber novos professores e, por isso, não pôde matricular novos alunos.
Conforme o jornal apurou, a unidade militar precisaria ao menos de seis professores, mas a secretaria estadual de Educação também não se encontra em situação confortável, pois não sabe, ainda, se poderá atender a carência de suas próprias escolas. Sem contar que, por conta da Covid, muitos desses profissionais são do grupo de risco e não poderiam atender aos alunos presencialmente num futuro próximo. “Durante o período de pandemia, considerando o caso de servidores com comorbidades, a Seeduc estabeleceu critérios rigorosos para a cessão de profissionais a outros órgãos, priorizando preservar a saúde do corpo docente e também garantir que as escolas da própria rede estejam com o quadro completo de docentes no início das aulas”, afirmou a secretaria à imprensa.
Contudo, a Seeduc esqueceu de comunicar sua decisão aos cerca de 800 alunos que estavam à espera de 60 vagas para o primeiro ano do ensino médio. Muitos desses pais – que não haviam feito a matrícula em nenhuma outra escola, acreditando que seus filhos iriam conseguir a vaga no EMCB – entraram em pânico. O fato acendeu um alerta vermelho na Associação de Moradores do Açude, liderada por Alan Cunha, que só faltou adaptar o famoso bordão de Miguel Falabella: “salvem a professorinha”. Neste caso, poderia ser ‘salvem a escolinha’.
Alan Cunha mobilizou os moradores e foi atrás do Poder Público. Em pouco tempo, não faltou pai para assumir a paternidade da criança. Primeiro, o vereador Rodrigo Furtado foi correndo ouvir a comunidade escolar em questão junto de sua equipe. Postou foto e tudo nas redes sociais avisando a seus seguidores que já estava a par do assunto e buscaria uma solução. Não conseguiu.
O deputado Marcelo Cabeleireiro soube do ti-ti-ti e também correu para tentar resolver o imbróglio, procurando até o governador em exercício, Cláudio Castro, além de protocolar uma indicação na Alerj. “Educação é prioridade. Meu mandato está à disposição da população para buscar junto ao governo do Estado soluções para problemas como esse que o Colégio Militar está atravessando. Felizmente, o secretário de Educação assumiu o compromisso de manter a unidade em funcionamento”, empertigou-se o deputado.
Não satisfeito com a garantia do deputado, o vereador Betinho Albertassi conseguiu uma entrevista com o próprio secretário estadual de Educação, Comte Bittencourt. E conseguiu o que todos tentavam: arrancar de Comte a notícia oficial de que a escola militar não fechará os portões. “Quero tranquilizar a população de Volta Redonda. A orientação do governador Cláudio Castro é não fechar qualquer unidade de ensino. Asseguro que o Colégio Militar não será fechado”, declarou o secretário.
Betinho Albertassi, é claro, comemorou. “Eu acredito que a educação é a melhor forma de transformar a vida das pessoas. Fico feliz em poder contribuir. Agradeço ao secretário pelo comprometimento em manter a escola aberta e agora vamos pleitear a ampliação da quantidade de vagas”, declarou.
O secretário, embora tenha tranquilizado os pais, não soube dizer quando a Seeduc poderá ceder os seis professores necessários para a unidade militar. Pior: os 11 que já estão lá se recusam a voltar a trabalhar presencialmente ou mesmo on-line até que essa questão se resolva. A assessoria da escola militar também não soube ou preferiu não dar os detalhes. A equipe de reportagem do aQui entrou em contato com a EMCB e mandou seis perguntas para a unidade. Não obteve nenhuma resposta. O órgão limitou-se a dizer apenas que “a informação sobre o fechamento dos colégios não procede”. Depois da chiadeira, óbvio.

Deixe uma resposta