Quadro-negro ou tablet?

Barra Mansa decreta volta às aulas presenciais; Volta Redonda continua on-line até segunda ordem

O prefeito Rodrigo Drable conseguiu autorização da Justiça para marcar o início das aulas presenciais em Barra Mansa. Depois de apresentar ao Ministério Público um plano de ação envolvendo um protocolo de segurança, as escolas poderão reabrir a partir do dia 22 de fevereiro de forma híbrida, ou seja, parte dos alunos ficará em casa e outra parte na escola. Antes disso, os professores deverão retornar ao trabalho já na próxima segunda, 1º. A determinação vale tanto para a rede municipal quanto para a privada.
E pode ser que ao retornar eles recebam uma boa notícia: “Nós voltaremos às aulas presenciais em Barra Mansa a partir de 1º de março. Para isso, temos que estruturar as escolas do ponto de vista de segurança, de higiene e de equipamentos necessários. Barra Mansa está fazendo o pedido ao Ministério da Saúde para que se dê prioridade na próxima etapa de vacinação aos professores maiores de 60 anos e com comorbidades, porque estes, a princípio, continuam afastados e nós precisamos que eles voltem à atividade. Da mesma maneira, também é importante e justo que sejam vacinados os cobradores de ônibus, os motoristas, os caixas de mercado e os atendentes de farmácia, porque todas essas profissões são necessárias para o funcionamento da vida da sociedade”, revelou Drable.
Ao ser questionado sobre a manifestação que o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação está propondo para não voltar às aulas, mesmo compondo o Comitê Municipal de Educação que definiu o protocolo de retorno aulas, Drable se posicionou. “Eu entendo a preocupação que eles têm, mas eu entendo também que foi criado um protocolo que dá segurança e condições adequadas para voltarmos com as aulas. Defendo que os maiores de 60 anos com comorbidades sejam vacinados para o retorno da atividade, mas tanto os nossos professores, quanto outras profissões necessárias à sociedade, têm que voltar a trabalhar”, pontuou.
O anúncio da volta às aulas foi feito por Drable na terça, 26, durante reunião com a vice-prefeita Fátima Lima, e o Sepe, entre outros. Segundo a prefeitura, a metodologia de ensino híbrido pretende combinar os aprendizados em ambientes virtual e presencial. “As aulas em sala de aula voltarão de forma gradativa, respeitando uma ocupação máxima que poderá ser de 50%, 30% e 25%”. O que significa que o quantitativo de crianças que poderão ficar no mesmo espaço vai depender do tamanho da sala, pois deverão respeitar o distanciamento social preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Antes do retorno, representantes do Comitê Municipal de Volta às Aulas visitarão as unidades de ensino para garantir que os protocolos sejam respeitados”, completou.
Drable fez questão de defender a iniciativa de voltar com as aulas presenciais e considerou que o município está se tornando uma referência no Sul Fluminense. “Barra Mansa criou um grupo de trabalho formado por profissionais, representantes das escolas privadas e públicas, dos cursos livres e universitários. O objetivo desse grupo foi formalizar um protocolo para retorno às aulas que garantisse a segurança tanto dos alunos quanto dos professores. Isso foi feito com sucesso e Barra Mansa é uma referência. A volta às aulas se tornará presencial em 1º de março, considerando que nesta data já teremos o início de uma vacinação já consolidada e a diminuição dos riscos. Efetivamente, o retorno às aulas vai acontecer”, pontuou.
Quem ficou aliviado foi o setor privado, que vinha pressionando Drable para reabrir as escolas. Segundo levantamento do Codec-BM (Conselho de Desenvolvimento Econômico de Barra Mansa) feito em junho de 2020 com 17 instituições privadas do município – dos níveis infantil, fundamental, médio e superior –, foram registradas 653 desistências e 32 demissões. Desde o início da pandemia até junho, a inadimplência atingiu 43% dos alunos matriculados.
“Estamos receosos com os impactos negativos da pandemia no setor de educação privada de Barra Mansa. Temos feito muitos esforços para administrar a crise da Covid-19 e procurado o apoio das autoridades e da sociedade em geral porque entendemos que, além de um nicho extremamente importante para o desenvolvimento do município, temos um importante compromisso social e econômico como geradores de emprego e renda”, avaliou Arivaldo Corrêa Mattos, presidente do Codec.
Representantes das principais instituições privadas de Barra Mansa chegaram a se reunir no final do ano passado no UBM, por intermédio da Associação Comercial para discutir o cenário atual e as propostas de ações para superar a crise causada pela Covid-19. Em resposta, Rodrigo Drable desenhou o protocolo de retorno às aulas, que está sendo colocado em prática agora.
Ao contrário dos donos de instituições de ensino particulares, que comemoram o retorno das aulas presenciais, professores da rede pública local não gostaram da ideia. O Sepe-BM convocou até uma carreata para protestar. “No dia 1 de fevereiro, vamos às ruas, com todos os cuidados necessários, em Defesa da Vida!”, diz uma carta aberta da categoria divulgada nas redes sociais.
Para a vice-prefeita de Barra Mansa, Fátima Lima, a preocupação dos professores é infundada. “As aulas presenciais retornarão no dia 1 de março uma vez que já iniciamos o processo de vacinação e teremos mais segurança. O comitê municipal de Educação elaborou um documento com o protocolo de retorno, observando todas as recomendações sanitárias. Teremos acompanhamento da Secretaria Municipal de Saúde”, resumiu a vice.
Como funcionará?
De acordo com informações colhidas junto à prefeitura, as aulas presenciais em Barra Mansa funcionarão em espécie de rodízio entre as turmas. Em uma semana, metade da turma comparece à escola. Na semana seguinte, os que não foram anteriormente, revezam com os que foram. Vale lembrar que o retorno não é obrigatório. Os pais poderão decidir se querem mandar o filho para a escola ou não. Para garantir acesso aos que ficarem em casa, a prefeitura pretende manter aulas online.

Deixe uma resposta