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A crise provocada pela Covid-19 chegou mais cedo às montadoras. A MAN (Volks), em Resende, foi uma das primeiras a suspender temporariamente os contratos de trabalho, com redução de salários e jornadas. A medida foi decidida com o Sindicato dos Metalúrgicos, sendo aprovada pelos trabalhadores, em votação pela internet na terça, 14. Segundo a MAN, as mudanças seriam necessárias para evitar demissões em massa nas empresas do consórcio modular e da própria fábrica.

A primeira mudança será a redução de 25% nos salários dos trabalhadores do administrativo. Para não sentir a diferença no bolso, os funcionários receberão do governo Federal um percentual referente a 25% do seguro-desemprego (para quem tem direito). A medida começa a valer a partir do dia 27 e será estendida por três meses, período no qual a empresa prometeu não demitir nenhum funcionário.

Para os trabalhadores da produção, a MAN pagará 30% dos salários e o governo Federal compensará o restante com 70% do seguro-desemprego (também para quem tem direito). Para esse grupo, a medida valerá por dois meses e não haverá desconto proporcional das férias e do 13º salário. Vale lembrar que os trabalhadores do consórcio modular estão em casa desde o dia 24 de março, em férias coletivas, e eles devem retornar ao trabalho no dia 27 de abril.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, as mudanças foram negociadas dentro do Acordo Coletivo 2020. O resultado foi expressivo: 1.628 trabalhadores aceitaram os termos do novo acordo, contra apenas 14 que votaram contra. Foram registrados 5 votos brancos e 2 nulos. Ainda de acordo com o Sindicato, as medidas aprovadas passarão a ser aplicadas a partir do dia 27 de abril.

Respiradores

No início da semana, o governador Witzel publicou no Twitter que estaria em negociação com a MAN para a produção de respiradores para pacientes da Covid-19. Ao que tudo indica, Witzel desconhecia que a fábrica estava em negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos para justamente evitar demissões, suspender contratos de trabalho e reduzir salários. A crise foi instalada, segundo a própria MAN, pelas medidas adotadas pelos governos no enfrentamento do Coronavírus.

No Twitter, Witzel disse que ligou para o presidente da MAN, Roberto Cortes, e teve com o empresário uma conversa bastante produtiva, no sentido de fechar parcerias para que a montadora fabrique respiradores artificiais para uso de pacientes com Covid-19. Em nota, a MAN confirmou a conversa com o governador e informou que a fábrica de Resende está parada e os operários em férias coletivas até 27 de abril.

PSA e Nissan

Nas montadoras de Porto Real e Resende, Peugeot e Nissan, respectivamente, também ocorrerão mudanças na jornada de trabalho e nos salários dos operários. Na Peugeot, funcionários do administrativo que podem realizar suas atividades em home office terão reduzidos 20% na jornada e nos salários e não receberão complemento do governo Federal. O pagamento de férias e 13º salário será calculado sobre 80% dos salários e a empresa se comprometeu a manter os demais benefícios, exceto combustível e vale-transporte.

Para os funcionários da produção, a redução inicial nos salários e na jornada será de 70%. A base de cálculo de férias e 13º salário também será calculada sobre 80% dos salários. A proposta da Peugeot foi aprovada por 1.584 trabalhadores, sendo que apenas 38 foram contrários. A montadora informou que a interrupção da produção em Porto Real foi estendida até 31 de maio, mas que as atividades do armazém de peças de reposição seguem normalmente. A empresa se comprometeu a não demitir nenhum funcionário enquanto durarem as mudanças.

Na Nissan de Resende, não há detalhes do acordo firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo apurado, haverá redução de jornada e de salários de todos os trabalhadores no período compreendido de 22 de abril até 21 de maio. A montadora, a exemplo das demais, se comprometeu a não demitir no período.

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