Polêmica na sala

Mães reclamam que colégio afastou professores com Covid-19 e não relatou casos aos pais dos alunos

Roberto Marinho

O Colégio Nossa Senhora do Rosário, um dos mais tradicionais de Volta Redonda, não estaria repassando aos pais dos alunos as informações de que três professores e um estudante da instituição teriam sido contaminados, fora dos muros da escola, pela Covid-19. Além disso, não teria afastado as turmas onde os professores davam aulas para o ensino presencial, limitando-se a substituí-los, o que estaria deixando algumas mães apreensivas. “Um aluno do ensino médio teve Covid e o colégio não comunicou aos professores”, disse uma delas. “Em maio, um grande número de professores do ensino médio teve Covid, inclusive a diretora, que ainda está afastada, e de novo houve essa questão de não comunicar a ninguém”, completou.
Segundo ela, que pediu para não ter seu nome revelado, os pais sentiram que alguma coisa estaria acontecendo quando os alunos notaram a ausência dos professores, que foram substituídos. “Alguns alunos comentaram a ausência dos professores, mas nada foi comunicado a eles”, disse ela, afirmando que os professores do ensino médio teriam tido a Covid-19.
Mesmo assim, de acordo com a mãe, os alunos não foram afastados das aulas presenciais, como prevê a legislação. “Nada é claro, é tudo na surdina, escondido. Tem muita mãe insatisfeita com essa questão da comunicação. A gente reclama e parece que não é ouvido”, comentou, garantindo ter procurado a direção da escola “inúmeras vezes”. Tem mais. Disse que algumas mães teriam recorrido ao Ministério Público Estadual pelo endereço eletrônico do órgão. “Até onde sei, eu e outra mãe fizemos denúncia ao Ministério Público, de forma anônima, no site deles. Essa denúncia é para ver se a escola acorda”, justificou.
Outra mãe que entrou em contato com o aQui se queixou da falta de transparência da direção do colégio. “A comunicação é muito ruim, eles não passam informações concretas para todos os pais, igualmente. Não tem uma divulgação ampla de tudo, inclusive das coisas do dia a dia. Passa pra um, que passa para outro”, disse, aproveitando para reclamar da permanência dos alunos nas turmas dos professores substituídos. “O problema é a questão da Covid, a falta de divulgação dos professores e alunos que estão com suspeita, ou casos confirmados, e não afastar as turmas e colocar no ensino remoto. Igual fazem em outros colégios que temos notícia”, pontuou.
De acordo com as mães, a falta de comunicação não atrapalha apenas os alunos que estão no ensino presencial. Os que estão tendo aulas pelo ensino remoto, às vezes, estariam ficando sem aulas. “Na semana passada, meu filho ficou com as outras crianças meia hora sem professor. Só ficamos sabendo o que houve porque uma mãe ligou para lá. A escola não avisou nada. Então, não existe comunicação”, reclamou, garantindo que os avisos sobre falta de professores são feitos por um grupo de WhatsApp, onde uma mãe é notificada pelo colégio e repassa a informação para o grupo. “E se ela não estiver disponível? Se não puder ver a mensagem na hora que recebe? É tudo muito primário”, comparou.
Ela foi além. Reclamou que o número de alunos nas aulas on-line – no ensino fundamental – seria excessivo. “São turmas cheias – com até 24 alunos. Juntaram duas turmas para dar uma sala só, mas é muita criança. E nada disso foi conversado. Eu cansei de reclamar, não reclamo mais”, disse, afirmando que pretende tirar o filho da escola. “Só não tirei porque ainda não consegui vaga no colégio que eu quero”, explicou.
‘Não é bem assim’
Em entrevista por telefone, a diretora do Colégio Nossa Senhora do Rosário, Lija Maria Teodoro, confirmou que está afastada da escola por estar convalescendo da Covid-19. “Peguei em uma reunião fora do colégio, fiquei muito mal”, afirmou, adiantando que três professores também foram afastados com suspeita de Covid, sendo que um deles não foi confirmado. Quanto ao fato de os alunos não terem sido transferidos para o ensino remoto, Lija disse que isso ocorreu porque, quando os casos (dois) foram confirmados por exames laboratoriais, os professores já estavam afastados das aulas há mais de 15 dias.
“Se os professores tivessem tido contato com as turmas, eu suspenderia. Mas não foi o caso. Existe um protocolo médico, eu tenho uma equipe. Já havia passado o tempo de contágio”, argumentou, afirmando ainda que houve pelo menos dois outros casos em que as turmas foram para o ensino remoto. “Houve um caso no segundo ano do ensino médio e um caso no sétimo ano, onde as turmas ficaram 14 dias em casa, assim que soubemos dos casos”, disse a diretora, adiantando que o Rosário, como a escola é conhecida, passa por uma completa sanitização uma vez por semana. “Temos muito cuidado com a vida, até porque as irmãs (freiras) moram lá”.
A diretora também encaminhou uma nota como resposta, que reproduzimos na íntegra. Em tempo, o “pai alterado” citado por Lija na nota não foi ouvido pelo aQui e não é a fonte das reclamações registradas pelo jornal. Procurada pelo aQui, a secretaria de Educação de Volta Redonda informou que nenhuma denúncia relacionada ao Colégio Nossa Senhora do Rosário chegou aos canais oficiais do poder público.

Confira a íntegra da nota enviada ao aQui pela direção da escola:

“O Colégio Nossa Senhora do Rosário é uma Instituição que está há 66 anos primando por uma educação de qualidade, alicerçada em valores.
Todos os protocolos em prevenção à Covid-19 são seguidos com muito rigor, pois nos preocupamos com a saúde, não só de nossos alunos, como dos professores, dos funcionários, dos coordenadores, das Irmãs que residem no Colégio e dos pais e responsáveis. Enfim, de toda a comunidade educativa. Todos somos importantes e, com este vírus, o cuidado sempre é coletivo.
Não registramos em nossas agendas, nem da recepção, nenhuma mãe que tenha procurado o Colégio para tratar deste assunto de “falta de transparência” e de “falta de aviso por professores com covid”. Todos os pais são atendidos e, sempre solicitamos que agende para terem a devida atenção. Além de atendimentos presenciais, temos outros canais de comunicação, como o aplicativo Clipescola e WhatsApp, estando sempre em interação com pais e alunos.
Tivemos no dia 06/05, a presença de um pai muito alterado, na recepção do Colégio Sr. E., e pediu para ser atendido pela coordenadora e a mesma não pode atendê-lo naquele momento pois estava em reunião com os professores e ele falou sobre este assunto e ameaçou, que, “se não tivesse retorno até 11h”, iria denunciar na Secretaria de Saúde. O Colégio o respondeu que iria atendê-lo, assim que terminasse a reunião, mas que ele ficasse à vontade para procurar a SMS (secretaria municipal de Saúde, grifo nosso).
Quando a coordenadora acabou a reunião, ligou para o pai e o pai não a atendeu, falou que “agora não vou atendê-la, pois não estou à disposição desta coordenadora”.
Foi falado que foram três mães que procuraram o Jornal e uma não tinha mais filho no Colégio. Levantamos os alunos que saíram e a única mãe que pediu para sair, foi porque estava com problemas financeiros e optou por manter o filho no Estado, no qual ela é diretora.
Informamos que o ensino é híbrido, o responsável pode optar por assistir as aulas remotas ou presenciais, fazemos escala de aulas presenciais, por semana. Uma semana está presencial o ensino fundamental e o ensino médio é remoto e noutra semana inverte.
Desta forma, se o professor ou aluno que tiver covid, pelo menos 07 dias ficarão em quarentena e, dependendo do professor que às vezes dá aula, uma vez por semana, dez ou mais dias. Colocamos a escala semanal de aulas presenciais intercaladas como um procedimento de cuidado e prevenção.
Temos as fiscalizações dos órgãos competentes e os mesmos sempre fiscalizam o Colégio e relatam que o Colégio está muito bem estruturado e organizado em seus procedimentos de prevenção. Não existe risco zero, mas buscamos com muito rigor, seguir os protocolos exigidos pelos órgãos oficiais.
Estas mães não procuraram o Colégio e, agir no anonimato, fica muito difícil de resolver e não tem motivo de não buscar o Colégio para os esclarecimentos dos fatos.
Colocamo-nos à disposição e enfatizamos a seriedade com que lidamos não apenas com o ensino de qualidade, mas com todos os protocolos exigidos pelos órgãos competentes”.

 

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