Pires na mão

Sodré corre atrás de verbas e empresas; só uma delas deve gerar 1.000 empregos.

Roberto Marinho

A crise financeira do Palácio 17 de Julho, com os cofres vazios, é o maior problema do governo Neto, que está há exatos 31 dias administrando a prefeitura de Volta Redonda. Não é para menos. O município está na lista negra (inadimplente) do INSS e Tesouro Nacional, em nível federal, e Tribunal de Justiça, em nível estadual. Tem mais. Os salários do governo Samuca ainda estão atrasados, os fornecedores estão a ver navios e, pior, o pagamento de janeiro tem tudo para atrasar.
Como o problema é dinheiro, é preciso correr atrás dele. É o que está fazendo um dos mais experientes integrantes da equipe de Neto, o engenheiro Sérgio Sodré, que assumiu a secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMDET), além do Escritório de Gestão de Projetos (EGP). Os dois órgãos são responsáveis por procurar fontes de financiamento público e costurar parcerias, seja com empresas ou entidades de classe, como Aciap e CDL. Mas o caminho é longo, define Sodré: “Temos que tomar várias atitudes agora, para que num segundo momento a gente consiga realmente fazer tudo aquilo que pensa”.
Confira abaixo a entrevista exclusiva com Sérgio Sodré, novo secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Volta Redonda, onde, entre outras, anuncia, sem revelar o nome, que uma empresa (da área de telemarketing, grifo nosso) está de mudança para a cidade do aço e deve gerar cerca de 1000 novos empregos. Outra novidade anunciada por ele: o prefeito Neto vai lançar um projeto de reforma da Rua 33. “Será a grande obra do governo nesse primeiro ano”, dispara.

aQui – Como o senhor encontrou a secretaria, e quais são as suas prioridades?
Sérgio Sodré – Vamos ter dois momentos de governo: esse primeiro, que é o retrato da situação que nós encontramos, onde as dificuldades são muitas, até por falta de recursos. Vemos que o prefeito elegeu três prioridades, que é o pagamento do funcionalismo, as questões na área da saúde – que afetam demais a população – e a manutenção das vias públicas, que estavam muito prejudicadas.
Em relação à minha secretaria – e, na verdade, acontece com todas –, estamos trabalhando com um quadro muito reduzido (de pessoal). Na minha, especificamente, foram aglutinadas a parte que fazia captação de recursos (EGP) e a de desenvolvimento econômico e turismo. Estamos com uma equipe pequena, mas altamente motivada. São cinco pessoas, um número muito reduzido. Mas estamos trabalhando das oito da manhã às oito da noite.
Neste primeiro momento, há muita dificuldade. A gente sabe que não pode pedir recurso, pessoal, porque a prioridade do prefeito é outra e temos que entender. Se estivesse no lugar dele, estaríamos com as mesmas prioridades. É um período muito difícil que temos que passar. Dentro disso começamos a trabalhar para um segundo momento, que eu chamaria de construção. Teremos que tomar várias ações para que nesse segundo momento consigamos realmente fazer tudo aquilo que pensamos.
Mas temos uma equipe bastante comprometida, os secretários estão muito comprometidos, e o Neto escolheu muito bem o secretariado. Os secretários percebem como um todo que o problema deles é menor que o problema do prefeito. Tem que ter a paciência de não colocar tudo aquilo que ele imaginou, e pensar em um segundo momento.

aQui – Que ações a pasta está desenvolvendo para garantir novos recursos?
Sodré – Tenho tido reuniões com a Caixa Econômica toda semana. Vamos conseguir fazer um conjunto de obras através de emendas parlamentares e editais de ministérios, e o recurso vem através da CEF. É esse acompanhamento que estamos fazendo agora. Brevemente o prefeito vai anunciar um conjunto de obras cujas origens são estes editais e também as emendas parlamentares.

aQui – São obras de infraestrutura?
Sodré – Sim. São reformas de quadras, obras de manutenção, e a principal deste momento vai ser a revitalização da Rua 33, que o prefeito vai anunciar em breve.

aQui – Exatamente o que será feito?
Sodré – Eu não gostaria de atropelar o prefeito. No primeiro ano deve ser a principal obra do governo, então acho que ele que deve detalhar o que vai ser feito. O que estamos fazendo agora é o acompanhamento da liberação dos recursos, e aí entramos no processo de licitação. É um esforço conjunto da Caixa com a minha secretaria, até para fazer pressão sobre a gente mesmo. Uma pressão dos dois lados que se torna positiva, para vencer a burocracia que é normal no serviço público.

aQui – Existem outros projetos ou linhas de trabalho?
Sodré – Na semana passada tivemos uma reunião com a gerência do Banco do Brasil, temos vários projetos em mente. A reunião foi boa, mas um pouco decepcionante: existe um ranking das cidades – que são divididas em A, B, C e D – no qual para conseguir financiamentos de grandes valores, para fazer obras pesadas, precisa estar com no mínimo um ‘C’ nesse ranking. Não estando em ‘C’ e isso independe do gerente. É uma restrição do Tesouro Nacional, o que afeta também (conseguir verbas) com a CEF, com o BNDES, que eu já estava costurando, com carência maior, prazo maior, taxas melhores. Mas isso também cai na mesma situação. Não adianta apresentar projeto porque Volta Redonda está ranqueada em C – (C menos).
Temos que melhorar a capacidade de pagamento, aumentar a arrecadação para sair dessa situação. É uma avaliação quadrimestral, se não for nesse primeiro quadrimestre, esperamos que no segundo quadrimestre, pelo menos, Volta Redonda vá para o C, onde é possível pegar pelo menos um determinado valor de financiamento. Mas hoje não depende da boa vontade de ninguém. Senti muito boa vontade do gerente do Banco do Brasil na região para nos ajudar, mas não depende dele.
Essa é uma situação de construção para o segundo momento. Temos feito também contato com as associações de classe, universidades, com o Sebrae.

aQui – O que está sendo discutido nessas reuniões?
Sodré – Estamos tentando construir aquilo que não seja necessário nenhum recurso da prefeitura no momento. Os recursos de hoje são para pagar o funcionalismo, a saúde, cuidar da manutenção das vias.
Estamos costurando com o Sebrae uma parceria para uma espécie de rodada de crédito para empresas privadas. A prefeitura serviria como facilitadora para colocar os empresários em contato com as instituições financeiras, que apresentam as linhas de crédito para este público. Em um segundo momento, os empresários falam sobre as dificuldades que tem para conseguir esses créditos, porque a burocracia, as exigências, assustam o pequeno e médio empresário, alguns até desistem. Conhecendo essas dificuldades, os bancos buscam ajudar os empresários a vencer essas dificuldades. Isso está em construção – tenho reunião com o Sebrae na semana que vem – as instituições financeiras estão sendo contatadas, e o Banco do Brasil vai participar.

aQui – Qual é o objetivo?
Sodré – Se o empresariado estiver bem, vai gerar empregos e vai melhorar a arrecadação do município. Nós temos que facilitar esse crédito de alguma forma para o empresário, para ele melhorar, ter mais lucro e criar mais empregos. Achamos que vai ser positivo para a cidade.

aQui – Quais as novidades para o polo metalmecânico?
Sodré – No polo metalmecânico temos uma situação nova, que é a aprovação da lei do aço, que o ICMS vem de 19% para 3%, isso também se torna atrativo para as empresas do setor metalmecânico. Mas isso não é uma coisa automática, precisa de qualificação. Estamos tentando marcar uma reunião com a secretaria estadual de Fazenda para conhecer esses critérios, e o Metalsul para orientar seus associados.

aQui – Há a perspectiva da vinda, a curto prazo, de alguma empresa para a cidade?
Sodré – Já temos uma empresa que está vindo e vai ser anunciada pelo prefeito, pois as negociações já estão bem avançadas. A geração de empregos vai ser muito boa, cerca de 1.000 vagas, pelo menos. E, na semana que vem, representantes de uma empresa de metalurgia virão para nos encontrar. Estávamos conversando por telefone, agora chegamos à conclusão que tem que ser presencial.

aQui – Quais as estratégias para atrair empresas para Volta Redonda?
Sodré – Estamos tentando vender a cidade da melhor forma possível. Para vir para uma cidade, ela tem que ser atrativa: tem que ter boas escolas, bons hospitais, segurança, lazer, as vias urbanas bem cuidadas.
Todo mundo tem que ajudar nesse processo de tornar Volta Redonda atrativa. Isso tudo faz parte do convencimento para que uma empresa resolva trazer seus colaboradores para Volta Redonda. Eu até brinco com meu pessoal, que façam esse exercício: você mora em Florianópolis, e precisa de 10 motivos para mudar para Volta Redonda.
Então é realmente um período de construção. Temos esse primeiro momento de muita dificuldade, mas tenho plena convicção que o Neto vai fazer um governo excelente para a cidade.

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