FOA e IACC avançam em parceria para formação de profissionais em oncologia
A aproximação entre a FOA (Fundação Oswaldo Aranha) e o Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC) avançou com a presença, em Volta Redonda, do diretor-geral do instituto angolano, Fernando Miguel, que esteve na instituição acompanhado da diretora administrativa da entidade, Edna Viegas, para conhecer as estruturas do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) e bater o martelo quanto à formação e ao intercâmbio de profissionais da saúde.
A parceria começou a sair do papel em janeiro, quando uma comitiva do IACC esteve no H.FOA e no UniFOA para conhecer os serviços, os fluxos assistenciais e as práticas desenvolvidas na área de oncologia. Na ocasião, o grupo demonstrou interesse em trocar experiências e estabelecer uma cooperação com a instituição. “Nós ficamos muito interessados em fazer intercâmbio com a cidade de Volta Redonda e com a FOA”, afirmou Fernando Miguel.
A aproximação gerou até a presença de dois representantes do instituto: o físico médico Higidio Miezi Eduardo, assessor de Direção e coordenador de intercâmbio internacional em oncologia do IACC, e Adelina Virgílio David da Silva, gestora de pessoal da instituição. Agora, com a presença de Fernando e Edna, as conversas avançaram para a estruturação de um programa de capacitação que prevê que profissionais angolanos venham ao Brasil para treinar na FOA e que profissionais do UniFOA também possam viajar para Angola para compartilhar conhecimentos e experiências diretamente com as equipes do país.
“Estabelecermos parceria com esta fundação para inicialmente começarmos a treinar recursos humanos angolanos aqui e, posteriormente, profissionais daqui da FOA irem para Angola para treinar também os nossos profissionais in loco”, explicou Fernando Miguel.
A parceria também envolve a criação de um fellow voltado à capacitação de profissionais angolanos que vão permanecer em Volta Redonda para acompanhamento e formação. Segundo a reitora do UniFOA, professora Ivanete de Oliveira, a iniciativa representa uma oportunidade de internacionalização da instituição e de ampliação da formação acadêmica e profissional. “Hoje estamos aqui para consolidar a proposta de um fellow, por meio do qual vamos capacitar profissionais angolanos que vierem ao Brasil para um período de formação na nossa instituição”, destacou, aproveitando para acrescentar:
“Da mesma forma, nós também vamos até Angola para estudar um pouco mais a questão epidemiológica do país e conhecer outras doenças que sabemos que têm características diferentes das encontradas no Brasil. A partir da realidade que temos hoje na saúde pública brasileira, conseguimos contribuir e colaborar muito com esse outro país, que é Angola”, afirmou.
A troca, segundo Ivanete, poderá gerar oportunidades de mobilidade acadêmica para estudantes e ampliar a experiência internacional. “E isso para os nossos estudantes vai ser a oportunidade de mobilidade acadêmica, de internacionalização e vai contribuir bastante para a formação de todos nós”, pontuou.
Para o presidente da FOA, Eduardo Prado, a parceria é resultado direto do trabalho desenvolvido em Volta Redonda na área de prevenção e cuidado oncológico. Segundo ele, a experiência do município com o rastreamento do câncer despertou o interesse dos profissionais angolanos e motivou a aproximação entre as instituições. “O programa de rastreio do câncer aqui na cidade de Volta Redonda, que é um sucesso, ganhou o mundo e foi parar lá em Angola”, afirmou, destacando o papel da FOA e do H.FOA na assistência oncológica e na formação de profissionais, ressaltando que a cooperação poderá levar para Angola experiências desenvolvidas na instituição.
“A FOA e o UniFOA estão propondo um trabalho em conjunto de capacitação, treinamento dos profissionais de Angola aqui no Brasil, das práticas de sucesso que o nosso hospital tem”, disse. “Então, nós vamos fazer uma parceria muito positiva nesse treinamento, nesse fellow, para esses profissionais da área de saúde. Nós vamos não só salvar vidas aqui em Volta Redonda e na região, mas também lá em Angola, através dos conhecimentos que serão destinados a esses profissionais”, afirmou.
A perspectiva de longo prazo também foi destacada pelo diretor-geral do IACC, Fernando Miguel, que aposta no intercâmbio. “Esse movimento vai começar, vai e vem: os nossos vêm, os vossos também vão, de forma que, no futuro, porque nunca é demais sonhar, quem sabe a FOA tenha uma sucursal lá em Angola”, sugeriu. É, quem sabe?

