Por Mateus Gusmão
O governador Cláudio Castro, reeleito, se gaba em dizer que o Rio de Janeiro está com as finanças controladas e distribuiu milhões de reais para agradar aos 92 prefeitos fluminenses. Isso às vésperas das eleições de outubro. Não satisfeito, concedeu aumento para servidores e injetou milhões em contratações sem transparência na Fundação Ceperj, entre outros. Mas como nem tudo são flores, se sobra recursos para fazer política, falta para quem realmente precisa.
É o caso das pessoas com deficiência que precisam passar por perícia médica no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), entre outras, para poder renovar sua carteira de habilitação. É que o órgão estadual, que sempre teve fama de rico pelas arrecadações provenientes de multas, entre outras, decidiu que as perícias só podem ser feitas na capital do estado. Ou seja, se uma pessoa com deficiência (PCDs) precisar do serviço, ela tem que se deslocar até a cidade maravilhosa – gastando recursos do próprio bolso – para ter acesso ao serviço. Detalhe: as perícias médicas não estão acontecendo em cidades do interior por… Falta de recursos do Detran-RJ.
O caso foi parar na Assembleia Legislativa, onde o deputado Jari de Oliveira (PSB) apresentou uma indicação solicitando ao governador Cláudio Castro a adoção de medidas para o retorno de perícias médicas no Sul Fluminense. “Obrigar o deslocamento do usuário do interior do estado para ser submetido aos serviços de perícia médica do Detran é um descaso. É inconcebível retroagir na qualidade do atendimento dos serviços públicos estatais. Atualmente, só a capital presta esse serviço em caráter permanente. A perícia médica itinerante pelo interior está muito longe de atender a demanda existente”, disse Jari, ex-vereador de Volta Redonda.
O governador Cláudio Castro não respondeu ao ofício de Jari. Mas o Detran, sim. E no argumento para não realizar mais as perícias médicas no interior, o órgão justifica que as atividades estão centralizadas no Rio, pois o serviço está sendo feito por funcionários do próprio órgão. E não em clínicas terceirizadas, como acontece em outros casos. Tem mais. Justificou que está tendo uma alta demanda para perícia por conta da interrupção dos serviços durante o período mais acirrado da pandemia da Covid-19.
Entretanto, o próprio Detran admite que o ideal seria a terceirização do serviço – contratando clínicas no interior para
fazer as perícias médicas. Mas diz que a falta de recursos atrapalha. “Considerando o momento em que se encontra o estado do Rio, em especial no que tange a necessidade de equilibrar as contas públicas, esta diretoria espera obter outras opções, a fim de avaliar a vantajosidade para a administração pública, para a execução dos serviços necessários ao bom desenvolvimento de suas atividades”, comentou o órgão em resposta ao ofício da Alerj.
O Detran informou ainda que está realizando estudos técnicos e que identificou, no quadro funcional de outros órgãos do estado, a existência de servidores for mados em medicina e com especialização em medicina do trânsito. “Por essa razão, enviamos ofício a essas entidades, visando verificar a possibilidade de ceder, para o Detran, esses profissionais, todavia, até o momento, não obtivemos retorno”, concluiu. Enquanto isso, os PCDs da região ainda precisam gastar uma boa bufunfa para ir ao Rio de Janeiro. É pena.
Vila Santa Cecília ganha semáforo que auxilia deficientes visuais
Se por um lado o governo do Estado anda maltratando as pessoas com deficiência, em Volta Redonda a situação parece ser bem diferente. Prova disso é que na quinta, 15, foi inaugurado um dispositivo sonoro na travessia de pedestres na Rua Doze, em frente ao Sider Shopping, na Vila. O equipamento traz instruções em braille e auxilia deficientes visuais a trafegarem com mais segurança. A ferramenta funciona através de uma caixinha instalada no poste, ao lado da faixa de pedestres.
Ao acionar o botão, o pedestre precisa aguardar o início do bip sonoro, que sinaliza quando o semáforo está fechado para os veículos. Assim, ele poderá iniciar a travessia com segurança. O semáforo com dispositivo sonoro é o segundo instalado em Volta Redonda – o primeiro foi em frente à Ilha São João – em uma parceria entre as secretarias municipais de Transporte e Mobilidade Urbana (STMU) e a da Pessoa com Deficiência (SMPD).
O professor de Educação Especial Rafael Eleutério, 42, que é cego desde o nascimento, aprovou a instalação do dispositivo e destacou a importância da ferramenta, que garante mais segurança e autonomia aos deficientes visuais. “O sinal sonoro é algo que promove muita autonomia, mas é importante que o motorista respeite esta sinalização. E o sinal sonoro não substitui a solidariedade. As pessoas podem ajudar o deficiente a atravessar. Podem oferecer o auxílio”, afirmou Rafael.
