Tapetão esticado

Edimar & Cia finalmente tomam posse no Sindicato dos Metalúrgicos

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Por Pollyanna Xavier

Na segunda, 12, depois de uma longa novela, que ainda não terminou, Edimar Miguel Pereira, cipista da CSN, conseguiu tomar posse como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Líder da chapa 2, que disputou as eleições da entidade em julho, Edimar só conseguiu subir a rampa da sede da Rua Gustavo Lira, onde fica o gabinete da presidência, porque a Justiça autorizou. Ao entrar no prédio, gravou uma live onde fez um apelo aos trabalhadores para que voltem a acreditar no Sindicato e, principalmente, que se sindicalizem.
Ontem, 16, Edimar & Cia se concentraram na Praça Juarez Antunes e seguiram em caminhada para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos para, simbolicamente, tomarem posse em conjunto. Pelo caminho, repetindo o trajeto dos primeiros protestos contra a antiga diretoria e contra a CSN, foram cantando o coro de ‘o peão voltou’.
A posse aconteceu sub judice, ou seja, Edimar assumiu a presidência com a autorização da Justiça, devido à existência de uma ação de nulidade, ajuizada por Jovelino José Juffo, líder da chapa 1. Nela, Jovelino denuncia o tratamento diferenciado que a chapa 2 obteve da Comissão Eleitoral e ainda as possíveis violações ao estatuto, que teria permitido alguns privilégios para favorecer o grupo de Edimar.
O imbróglio foi parar nos tribunais superiores do Trabalho (TRT e TST), e as eleições chegaram a ser suspensas. Com a suspensão, Edimar não tomou posse e aguardou mais de 130 dias para que isto acontecesse. Em novembro, a Justiça do Trabalho declarou improcedente o pedido de Jovelino e classificou o pleito como legítimo. Apesar da vitória, a sentença da juíza Monique Kozlowski não autorizou a posse dos eleitos, o que fez com que o MPT buscasse a autorização.
Em outra decisão pró-chapa 2, a juíza do trabalho determinou a reintegração dos metalúrgicos demitidos pela CSN, beneficiando integrantes da chapa de Edimar. A CSN acolheu a decisão, mas recorreu à Justiça e o recurso ainda não foi apreciado. Já a sentença da nulidade das eleições, que abriu caminho para Edimar tomar posse, também vem sendo questionada por recursos. Jovelino, inclusive, ingressou com um recurso especial e embargos de declaração, para tentar reformar a decisão magistrada. Ou seja, o mandato de Edimar ainda corre perigo.
O que pensa a diretoria deposta?
Silvio Campos, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, e seus diretores
acataram, sob protestos, a decisão judicial de entrega das chaves e a posse de Edimar. Se dizem “estarrecidos” com os rumos que tomaram as últimas eleições, com a posse de membros inelegíveis e com a postura da Justiça em dar “anuência às irregularidades” apuradas no pleito. “A eleição trata do mandado de 2018 a 2022, que foi cancelada pela Justiça com base no estatuto do Sindicato. Em seguida, realizam as eleições de 2022 quebrando o mesmo estatuto e dão posse a uma diretoria eleita que não cumpre as regras do próprio estatuto”, criticaram.
Para a diretoria destituída, o estatuto do Sindicato teria sido “adaptado” para que a “chapa irregular eleita pudesse concorrer” às eleições e ainda “ser empossada de forma irregular”. “Essa diretoria que está entrando, que prega a retidão e a honestidade, está entrando no Sindicato pela porta dos fundos, sem ter uma equipe completa, porque eles não têm todos os diretores. Isso nunca aconteceu antes. E o estatuto não permite isto, ele é rígido”, comentou a diretoria, acrescentando que, historicamente, os grupos de Edimar são sempre impugnados.
“Eles vêm tentando montar chapa desde 2010, mas nunca conseguiram (…) foram impugnados todas as vezes por estarem irregulares. Aliás, eles não conseguem nem mesmo completar o número de diretores, tal qual aconteceu esse ano. Só entraram com a ajuda da Justiça”, constataram, acrescentando que Edimar possui um histórico de judicializar tudo aquilo que não consegue conquistar pelas vias normais.
Outra questão pontuada pela diretoria de Silvio Campos é que os novos dirigentes já chegaram desrespeitando os funcionários do Sindicato que estavam com férias programadas, inclusive férias coletivas. “Eles cancelaram tudo. Primeiro sinal de desrespeito à categoria já foi dado”, ironizaram.