No volante

Neto anuncia grupo de trabalho para discutir crise do transporte de passageiros; sindicalista oferece apoio com garantia de empregos

Em entrevista a Betinho Albertassi durante o programa Fato Popular na manhã de terça, 23, o prefeito Neto prometeu criar um grupo de trabalho para debater os problemas enfrentados pelas empresas de ônibus que operam em Volta Redonda. E que, conforme o aQui mostrou na edição passada, anunciaram ter fôlego para sobreviver por apenas mais 90 dias. “Eu não tenho dúvida nenhuma de que estão falando a verdade”, disse, referindo-se à entrevista publicada com Paulo Afonso, presidente do Sindpass, que enumerou os problemas enfrentados pelas empresas de ônibus, como falta de reajuste nas tarifas, aumento dos custos e concorrência de motoristas de aplicativos piratas, tipo Uber, que rodam ‘pela cidade do aço’.
Neto, entretanto, assim como Samuca fez nos últimos quatro anos, esculachou a Sul Fluminense, uma das empresas – a mais problemática, ainda sob intervenção judicial. “Eu quero agradecer as empresas, com exceção da Sul Fluminense, que estão recolhendo ISS, que é uma obrigação delas. Eu estou criando um grupo de trabalho com representantes das empresas, dos rodoviários, da Câmara, do poder público, e das associações de moradores. Vamos buscar alternativas sem precisar aumentar a passagem”, prometeu o prefeito. Ou seja, não pretende atender à reivindicação dos empresários, que estão há mais de 10 anos pleiteando um aumento no preço da passagem dos ônibus em Volta Redonda.
Neto garantiu a Betinho Albertassi, hoje já exercendo também o cargo de vereador, que o povo que anda de ônibus não consegue dar conta de um reajuste nas passagens. “O povo tá com muita dificuldade para ter mais um reajuste”, disse, como se algum reajuste tivesse sido concedido pela prefeitura de Volta Redonda pelo governo Neto ou pelo governo Samuca.
Neto até tentou ser um pouco benevolente. “Eu acho que eles (empresários) têm razão. A situação está muito complicada mesmo. Muito difícil. Mas nós vamos criar o grupo de trabalho para melhorar o transporte público. Reconhecemos também que tem muita deficiência, mas precisa avançar. A população depende do transporte público. Temos alguns desafios para vencer, mas eu tenho certeza absoluta que nós vamos com esse grupo de trabalho melhorar essa situação”.
Garantindo a Betinho que o decreto criando o grupo de trabalho seria criado ainda na terça, 23, Neto anunciou que uma licitação, como sonhava Samuca, não passa pelos seus planos, já que demora demais para sair do papel – Samuca, por exemplo, passou quatro anos falando, falando e falando na licitação, que não saiu. “Temos que buscar soluções para o transporte público, com rapidez. Isso não pode demorar muito, senão as empresas quebram e a gente não consegue melhorar o transporte”, justificou. “A princípio (a solução, grifo nosso) seria uma nova licitação. Como nós sabemos da dificuldade que é fazer uma nova licitação, queremos de todas as maneiras melhorar o transporte público sem licitar”, completou. “Isso que é o desejo das empresas de ônibus”, disparou.
Na entrevista ao Fato Popular, Neto revelou que, apesar de estarem à beira da falência, ele já teria conseguido uma tarefa que Samuca não conseguiu. “Estive conversando com os representantes das empresas de ônibus e pedi a eles para pagarem o ISS. Eles estão recolhendo o ISS, não como deveria ser, mas estão recolhendo. Com exceção da Sul Fluminense, que insiste em não recolher”, pontuou.
Por último, ao falar dos problemas financeiros do Palácio 17 de Julho, Neto confessou a Betinho Albertassi que, ao contrário das empresas de ônibus, a prefeitura de Volta Redonda já está falida. “Não tem dinheiro pra nada”, disparou. “Todo dinheiro que entra nós estamos guardando para pagar o funcionalismo”, disse, revelando que teria conseguido repassar uma parte do dinheiro que a Câmara tem direito por lei. “Passamos um pouco, não conseguimos passar o dinheiro todo”, detalhou, dando a entender que os recursos que consegue estaria tendo que repassar, por ordem judicial, aos interventores do Hospital São João Batista. “Devido à famosa intervenção do Hospital São João Batista, nós tínhamos que passar algum recurso”.
O prefeito deixou claro que até o dia da entrevista, na terça, ainda não tinha conseguido pôr fim à intervenção judicial do Hospital São João Batista e, coincidência, disparou críticas à unidade. “Lamentavelmente, ainda estamos sob intervenção. Estamos tentando resolver, é importante para o nosso município”, disse, para logo completar: “As reclamações da saúde pública dos nossos hospitais continuam muito, muito grandes, e isso eu digo de todos os hospitais. Muita gente, quando fala do São João Batista, culpa o poder público, mas o poder público não tem nada a ver. O Hospital está sob intervenção e nós precisamos retomar a administração”, ponderou, voltando a afirmar que tem o melhor administrador que um hospital pode ter, “que é o engenheiro Faria, pessoa supercompetente”.

Sindicato dos Rodoviários busca solução para manter empregos

Zequinha: o cenário é dramático

A crise enfrentada pelos empresários do transporte público em função da Covid-19 pode ter consequências mais duras para os trabalhadores e a população. Pelo menos é o que pensa o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Volta Redonda e Região, José Gama, o Zequinha. “É um momento muito difícil para todos. Desde 2017, já vínhamos enfrentando dificuldades, mas a pandemia trouxe um cenário muito mais devastador e que atingiu diretamente o transporte de passageiros. Com as medidas necessárias para enfrentar a situação, com o fechamento de escolas e comércio, vimos o número de passageiros reduzir drasticamente e, com isso, o impacto atingiu os trabalhadores”, explicou.
Com isso, segundo Zequinha, a manutenção dos postos de trabalho passou a ser prioridade para o sindicato, assim como manter os salários em dia. Em nota, a direção da entidade aponta os desafios da categoria. “Vimos com muita preocupação o documento onde o Sindpass aponta um possível colapso do transporte rodoviário, alegando grandes dificuldades. Entendemos que o cenário é dramático, mas também sabemos que pode haver saída. É preciso, neste momento, falarmos a mesma linguagem e criarmos uma comissão para dialogar com o poder público, municipal, estadual e federal, e encontrarmos uma saída viável e que não prejudique os trabalhadores. Não podemos ser omissos e entendemos que a saúde financeira das empresas afeta os rodoviários”, disse Zequinha.
Com o aumento do combustível anunciado pelo governo Federal, a situação vem se agravando ainda mais. Por isso, Zequinha informou que procurou o prefeito Neto (DEM) para apresentar a situação da categoria e buscar medidas que deem um socorro às empresas com a garantia da empregabilidade. “Não tenho problema em procurar o poder público e pedir essa ajuda dentro do âmbito municipal. Vamos também buscar os deputados estaduais e federais que representam a nossa região. A verdade é que sem existir empresa não há emprego e se, para defender os trabalhadores, precisarmos discutir possibilidades para a melhoria da saúde financeira das empresas, que seja. Eu não vou e não posso me omitir neste momento”, garantiu o sindicalista.

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