É só o começo

Protocolo de segurança para volta às aulas ainda não foi seguido à risca, denunciam professores

Um mês depois de decretar o retorno do ensino presencial (ainda sem aluno), os casos de Covid nas escolas de Barra Mansa já começam a preocupar professores. A escola Municipal Washington Luiz, por exemplo, no bairro Saudade, teve que ficar fechada por dois dias seguidos após serem detectados dois profissionais infectados e mais um suspeito. “Vai dar m****, sim ou com certeza?”, ironizou uma professora ao comentar a situação em um grupo de WhatsApp.
De acordo com informações do Sindicato dos Profissionais da Educação de Barra Mansa (Sepe-BM), ao menos mais cinco escolas já teriam detectado casos de professores e funcionários infectados pelo vírus e estariam funcionando normalmente. São elas: Iracema Pamplona, Maurício Amaral, Creche Menino Jesus, Pereira Bruno e Vila Elmira.
Somente nos dias 23, 24 e 25, a prefeitura decidiu testar em massa os professores e demais profissionais que atuam na Educação. A ação se concentrou no CEI (Centro de Educação Integrada) Vieira da Silva, no Centro. Segundo a assessoria de comunicação do governo, “foi mais uma medida para garantir o retorno seguro das aulas na rede municipal de ensino. Previstas para serem retomadas no dia 1º de março, as atividades seguirão uma metodologia de ensino híbrido, combinando os aprendizados em ambientes virtual e presencial”.
De acordo com o secretário de Educação, Marcus Vinícius Barros, os testes serão ofertados a todos os profissionais das 68 unidades escolares da rede, envolvendo cerca de três mil pessoas. “Hoje, o procedimento foi realizado nos trabalhadores que atuam diretamente na secretaria de Educação, no prédio do Centro Administrativo. Nesta quarta e quinta-feira, os testes serão efetuados em todos os profissionais do setor, de 8 às 17 horas, no CEI, na Rua Cristóvão Leal, 121, Centro”, garantiu.
O secretário de Saúde, Sérgio Gomes, também destacou que a iniciativa visa identificar os casos assintomáticos entre os profissionais para garantir uma volta mais segura às aulas presenciais. “Os testes em massa são ferramentas que fortalecem o trabalho de prevenção e combate à Covid-19. Mesmo com o início da aplicação das doses, continuaremos a testagem. O exame rápido é uma das maneiras mais eficazes de evitar a proliferação do vírus e identificar cidadãos infectados”.
Mas os secretários não conseguiram acalmar o coração dos profissionais da Educação. Fotos denunciando aglomeração nos dias de testagem pipocaram nas redes sociais. “Quando cheguei por volta das 11 horas vi muita aglomeração. Todos os colegas, lamentavelmente (mais de 150 pessoas), estavam pacificados na fila. Eu informei ao responsável pela testagem que não iria fazer. Ligaram para SME e disseram que eu estava me recusando. A SME pediu para avisar que não era obrigatório, mas que quem estivesse se recusando a fazer teria que assinar um termo de recusa. Disse que não assinaria recusa, mas sim, ausência total de condições para realizar o teste. Por fim, depois de muita discussão, assinei dessa forma mostrando a insensatez do governo”, relatou uma professora.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Barra Mansa, nenhum professor é obrigado a se submeter ao teste. “O teste não é obrigatório; caso o professor não vá fazer, ele não vai ficar sabendo se tem, já teve ou não teve. Barra Mansa é a única cidade da região que faz testagem em massa para a população e agora abriu o serviço para os profissionais da educação visando a prevenção da proliferação da doença neste início de ano letivo. O professor que não fizer o teste pode ir trabalhar normalmente”, anunciou. “O professor que fizer o exame e constar positivo ficará de quarentena e não irá trabalhar, sem levar falta. O professor que não estiver com Covid e faltar levará falta”.

Volta Redonda
Na cidade do aço, o prefeito Neto vem tentando ganhar tempo antes de decretar o retorno presencial na rede municipal. Como o aQui noticiou na semana passada, a prefeitura tinha até a última segunda, 15, para apresentar ao Ministério Público um protocolo que garantisse a reabertura das escolas públicas, já que o governo havia liberado para as particulares. A determinação partiu do juiz titular da 6ª Vara Cível, André Aiex Baptista Martins, em decisão tomada no dia 5 de fevereiro.
Na quinta, 25, a equipe de reportagem do aQui entrou em contato com a secretaria de Comunicação para averiguar se o prazo determinado pela justiça havia sido cumprido e se a pasta teria apresentado ao MP o protocolo de retorno com as medidas cabíveis. “O prazo de entrega é hoje (25). O documento está sendo finalizado”, informou o secretário, Rafael Paiva. Enquanto isso, a rede particular enfrenta seus próprios problemas e denúncias.
Conforme protocolo liberado pela prefeitura, as instituições privadas poderiam adotar o que chamam de sistema híbrido. Ou seja, metade da turma ficaria em casa e a outra metade na escola. No meio disso tudo, o professor deveria se dividir para dar atenção aos dois grupos praticamente ao mesmo tempo. “Não dá. A gente vai aos dois extremos: total apatia deles, que é desesperador; ou efusividade desnorteadora. Eu tenho facilidade de controlar turmas. Mas hoje no sétimo ano ‘tava’ todo mundo falando ao mesmo tempo em sala e no Meet (plataforma de videoconferência, grifo nosso). Todos se atropelando. Gente em sala querendo tirar dúvidas e gente no Meet falando que não tinha ouvido. Isso por cima de gente comentando tópico que eu já havia encerrado no minuto anterior”, reclamou um professor da rede privada. Estava desorientado e revoltado.
Tem mais. Reclamou que sequer poderia se movimentar na sala de aula sem causar transtorno. “Eu fico preso perto do celular e computador. Não tem dinâmica nenhuma. Nas vezes que eu cheguei mais perto do quadro/mapa, o pessoal de casa reclamou que não me ouvia. Se eu der um minuto de atenção exclusiva para o Meet, o pessoal da sala aproveita para falar descontroladamente”, desabafou sem revelar a escola onde trabalha.
Mas em uma unidade no Santo Agostinho a situação não é muito diferente. Outra professora, que pediu anonimato e não revelou o nome de sua escola, contou como tem sido sua rotina. “Eu entro na sala de aula e fico lá em torno de duas horas. Depois, uma professora de inglês entra, eu corro para outra sala com o tablet e dou 30 minutos de aula on-line para os alunos que ficaram em casa. O que eu falo na sala falo com eles on-line, porém a gente sabe que não é a mesma coisa do presencial”, avaliou. “Mas eu confesso que prefiro estar na escola do que presa dentro de casa”, avaliou.

 

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