Neto: “Povo não merece ‘pó preto’ que sai da UPV”

'Pó preto' continua sendo alvo de críticas e motivo de reuniões. Neto diz que povo de Volta Redonda não merece poluição

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Ato contra o pó preto em 2022 não atraiu muita gente

Depois de se livrar numa boa dos sindicalistas de oposição, que fracassaram nas rodadas de negociações pelo acordo salarial 2023/ 2024, a direção da CSN está sendo pressionada por um assunto indigesto, que dura anos – ou décadas. É o pó preto que sai dos altos-fornos da Usina Presidente Vargas e cai por toda a cidade do aço. Antes, caía nos bairros mais próximos da usina, agora atormenta quem mora em todos os cantos do município.
E o que era um assunto de pequenas proporções e repercussão, envolvendo apenas alguns ambientalistas, religiosos e políticos, em sua maioria desafetos do presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, graças às redes sociais – em especial aos memes e às fotos que têm sido publicados – pode tomar novos rumos, forçando as autoridades a arregaçar as mangas. Exemplo é que um ‘grande ato’ contra a poluição provocada pela CSN está sendo organizado para o dia 23 de julho, às 10 horas, na Praça Brasil. “Bom dia a todos. Este é um grande ato que está sendo construído pela sociedade civil e diversas instituições e organizações. Contamos com a presença de todos deste grupo que foi criado justamente para discutir e promover ações contra toda a poluição em nossa região Sul Fluminense, em especial a provocada pela CSN. Salvem na agenda o dia 23/07 e vamos ocupar as ruas contra esse cenário ambiental catastrófico que se encontra em Volta Redonda!”, destaca a convocação que está sendo feita em vários grupos da internet.
A CSN oficialmente não se pronuncia. Mantém silêncio, mas nos bastidores se movimenta. Na quarta, 28, dia do aniversário do empresário Benjamin Steinbruch, por exemplo, promoveu um encontro entre Luiz Paulo Barreto, diretor institucional da empresa, e o prefeito Neto, que estava acompanhado pelo ex-governador Luiz Fernando Pezão, entre outros. Foi no Hotel Bela Vista, e contou ainda com a presença de Alexandre Lira, espécie de diretor industrial, que Neto não conhecia, embora esteja na UPV desde fevereiro.
Coube a Neto confirmar a realização da reunião do ‘pó preto’ em entrevista ao programa Dário de Paula. “A questão do pó preto foi abordada, prefeito?”, indagou o comunicador. “Com toda a certeza. Eu já disse como tem sido importante manter o bom relacionamento da CSN com o município”, disse Neto, confirmando a participação dos dois diretores da CSN. “O Luiz Paulo é uma pessoa de bem”, disparou. “Falamos muito sobre isso (pó preto)”, acrescentou.
Neto aproveitou para relembrar que técnicos da prefeitura de Volta Redonda já estiveram no interior da UPV para checar a questão. “Não gostamos nem um pouco do que nós vimos. Achamos que houve um descaso com as pessoas que trabalham nessa área”, avaliou, criticando abertamente a postura da CSN. O que não quer dizer que isso seja uma tônica. “Eu sei que um equipamento foi comprado por R$ 240 milhões, e a empresa, pelo que me disseram, já está negociando (a compra de) mais 2 filtros”, disse. “O povo de Volta Redonda não merece isso”, disparou, indo além: “Temos um orgulho muito grande de ter a CSN em Volta Redonda, mas temos que viver da melhor maneira possível. Ninguém suporta o barulho, o ‘pó preto’, e ontem foi dito muito sobre isso”, afirmou.
Segundo o prefeito, a direção da CSN não pode reclamar da sua postura, nem das críticas que faz diante dos problemas ambientais provocados pela usina siderúrgica. “A CSN sabe minha opinião, e o Luiz Paulo (diretor) concorda com muito do que estamos falando, até porque não tem como discordar. Estamos sofrendo muito, e isso precisa acabar”, afirmou. “Eu jamais vou elogiar a CSN em função do pó preto infernal que Volta Redonda está sofrendo”, acrescentou.
Apostando no bom relacionamento que tem mantido com a CSN, Neto chegou até a defender a posição de Benjamin Steinbruch. “Hoje, o bom relacionamento existe, e isso é bom para a cidade, bom para a população. Eu respeito muito a posição do presidente da CSN. Ele tem a obrigação e o dever de defender os interesses dos acionistas, mas eu tenho a obrigação de defender a população de Volta Redonda. E muitos desses interesses são interesses dos dois” finalizou. Dele e da CSN, é claro.