Por Vinicius de Oliveira
Na tarde de terça, 27, moradores de Volta Redonda perceberam uma estranha mancha de óleo nas águas do Rio Paraíba rumo a Pinheiral. Um internauta, inclusive, encaminhou ao aQui um vídeo através do qual era possível identificar uma substância viscosa. “A mancha é muito grande. Não é pouco óleo. Está bem concentrado. Falaram em mortandade de peixe para baixo do rio. É bem extensa a mancha. Dá pra ver muito longe”, insistiu o internauta, que captou as imagens na altura da Voldac.
Imediatamente o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) foi acionado e chegou a avisar a Rio+Saneamento, responsável pela captação de água no Paraíba. Alertada, a concessionária interrompeu o abastecimento de água em Pinheiral. “A pedido do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que apura um vazamento de óleo no Rio Paraíba do Sul, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, a Rio+Saneamento interrompeu temporariamente a captação de água bruta e abastecimento ao município de Pinheiral”, anunciou.
No dia seguinte, o Inea enviou técnicos do Gecom, um departamento do próprio instituto, para tentar descobrir as causas do problema. Mas chegaram tarde demais. O óleo já havia desaparecido. Pelo menos foi essa a justificativa dada pelo Inea. “Em vistoria durante esta quarta-feira, 28, equipes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) não identificaram sinais de derramamento de óleo nos trechos percorridos”, disse, em nota.
Segundo o Inea, durante toda a manhã de quarta seus técnicos vistoriaram uma vasta extensão do leito, passando por Volta Redonda, Pinheiral e Três Rios. “Provavelmente se dissipou”, resumiu um técnico ouvido pelo aQui. “Vale destacar que, segundo análises de água feitas pela concessionária Rio+Saneamento, o Rio Paraíba do Sul encontra-se dentro dos padrões de qualidade estabelecidos”, reforçou.
A notícia de que o óleo simplesmente desapareceu causou estranheza na população, principalmente entre os que viram os vídeos na internet onde a substância era bastante nítida. Mas a evaporação desse tipo de matéria não é totalmente absurda. Ela pode acontecer a partir de um fenômeno conhecido como intemperismo. “Uma vez derramado, o óleo imediatamente sofre alterações da sua composição original, devido a uma combinação de processos físicos, químicos e biológicos chamados conjuntamente de intemperismo. A taxa do processo não é constante, sendo mais efetiva nos primeiros períodos do derrame”, explica Vivian Martinho, da Universidade Federal do Rio Grande.
A ambientalista, que tem um estudo sobre “Dispersão de manchas de óleo na área de atuação do porto do Rio Grande”, diz que o óleo dispersa da água a partir de vários fatores que devem ser levados em consideração. “As velocidades que governam esses processos dependem de fatores climáticos (temperatura e vento), ambientais (energia do ambiente e salinidade) e do tipo de óleo (leve, moderado ou pesado). Desta forma, um modelo que considere esses processos, melhor representará o comportamento da mancha”, disse.

