Nem rezando

O complicado caso da obra na Matriz de Barra Mansa atraiu o Ministério Público local, que fez questão de participar da audiência pública que aconteceu na noite de quarta, 19, na Câmara. Sem emitir qualquer opinião, os representantes do MP ouviram os dois lados da história. E, como era esperado, a Cúria, na pessoa do padre Milan, acompanhado de alguns leigos, defendeu as mudanças radicais no mural que ornamenta o altar do templo. Da mesma forma, os críticos à obra expuseram seu ponto de vista.

Durante a audiência, a Mitra voltou a justificar a obra alegando que a principal intenção da cúpula católica seria oferecer acessibilidade aos fiéis, já que a Matriz não conta com essas facilidades para deficientes, previstas em lei. Os críticos até admitiram um acordo, desde que as obras não atingissem o mural original. Foi o bastante para tudo voltar à estaca zero. A Igreja, por exemplo, não disse nem que sim, nem que não. Inclusive, a Cúria foi provocada pelo aQui, através de sua assessoria de imprensa a se manifestar sobre a alternativa. Não responderam.

A esperança dos dois lados dessa briga, que já deixou de ser Santa, são os órgãos oficiais: o MP e o Conselho de Cultura de Barra Mansa. Só que, se depender dos dois, o desfecho ainda vai demorar a ser costurado. Acontece que os representantes do Conselho, da mesma forma que os do MP, entraram mudos e saíram calados, deixando as quase 80 pessoas presentes na audiência tanto ou mais divididas do que quando entraram. “Nem rezando vai dar acordo”, opinou uma delas.

Os esforços dos que são contrários à obra continuam. Representantes deste grupo, conforme haviam prometido, enviaram cópias de abaixo-assinado ao Ministério Público e à Igreja local. “Para o Vaticano, ainda vamos esperar mais a próxima semana para ver o desenrolar da audiência pública. E então, se o impasse continuar, enviaremos cópia ao papa Francisco”, explicou uma das lideranças.

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