Não foi o primeiro

Lojas Nalin já teve princípio de incêndio em 2020

Na manhã de segunda, 22, o vídeo de um incêndio nas lojas Nalin, na Avenida Amaral Peixoto, viralizou nas redes sociais. O fogo destruiu a loja e causou a interrupção do tráfego de uma das maiores avenidas da cidade para que o Corpo de Bombeiros pudesse fazer o seu trabalho. Mas, pouco tempo depois, um novo vídeo começou a circular e mostrava outra loja da Nalin pegando fogo. Fake news? Nada disso. Surpreendentemente, na mesma hora, outra loja da rede pegou fogo em Vilar dos Teles, bairro de São João de Meriti. A coincidência é enorme, e a hipótese de ligação entre os dois incêndios está sendo investigada pela Polícia Civil.
Só que no caso de Volta Redonda, a tragédia já era esperada. Mais precisamente desde junho de 2020, quando um cliente esteve na loja da Amaral Peixoto, e, enquanto esperava a esposa fazer compras, flagrou um princípio de incêndio em uma ligação elétrica, no terceiro andar da loja. Eletricista aposentado, graças à experiência, ele conseguiu apagar o fogo, alertar os funcionários e tirar as pessoas do local onde estava ocorrendo o sinistro. Depois de salvar a loja de um imenso prejuízo material e tirar várias pessoas de uma situação de risco – e não receber nem um copo d’água dos funcionários –, ainda teve que esperar 40 minutos para passar o cartão e concluir a compra que havia feito. Por tudo isso, resolveu processar a loja.
O aQui teve acesso exclusivo ao processo, e algumas das informações são de cair o queixo. Por exemplo, não havia saídas de emergência no interior da loja e nenhum dos funcionários parecia preparado para combater qualquer tipo de incêndio. Além disso, um dos extintores que lhe entregaram para tentar apagar o princípio do incêndio estava praticamente vazio. Pior. O andar funcionava como depósito de materiais inflamáveis – roupas, acessórios, prateleiras de madeira, etc.
Tentando afastar as prateleiras e retirar tudo que era material inflamável, para que o fogo não se alastrasse, o aposentado sofreu queimaduras nos braços, por causa do plástico derretido que pingava dos fios elétricos. “Em um momento de tamanha aflição, o autor (o aposentado) podia ter corrido para se salvar. Mas assim não fez. Procedeu conforme todos os seus treinamentos – mesmo sem o dever de fazê-lo – e salvou o estabelecimento e os funcionários que estavam presos no andar”, descreve o processo.
“É chocante saber que a empresa não cumpre os requisitos mínimos estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor, quais sejam: o respeito à saúde e segurança dos clientes. A imperícia da empresa foi o fator preponderante para que o fato ocorresse, uma vez que não adotou as medidas de segurança e sinalização suficientes para evitar o primeiro incêndio”, afirmou o advogado do aposentado, Gabriel Perete, acrescentando ainda que nenhum dos fatos descritos na ação inicial do processo foi contestado pela empresa
O aQui tentou entrar em contato com representantes das lojas Nalin, por e-mail e telefone, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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