Na mesa

CSN não vai à reunião com sindicatos, mas estende data-base até 31 de maio

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Por Pollyanna Xavier

Um mês após lançar uma campanha salarial unificada, recheada de itens inalcançáveis, como o de exigir um reajuste salarial de 22%, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Edimar Miguel, estava animado até a manhã de ontem, sexta, 28, para debater a agenda em uma reunião oficial com a direção da CSN. Seria de forma on-line, com a presença de representantes do Ministério Público do Trabalho, que teria feito os convites a todos os envolvidos na polêmica. Só que a reunião não serviu nem para a leitura da pauta. É que a CSN não mandou nenhum representante. “A empresa não pode se reunir com quem não é da base da siderurgia”, justificou, conforme relato de uma fonte do meio sindical.
A justificativa da direção da CSN faz sentido. É que na campanha unificada que Edimar elaborou com outros sindicalistas e advogados de Volta Redonda, o Sindicato Metabase, de Minas Gerais, foi incluído. Não deveria, pois representa apenas os trabalhadores da CSN Mineração, e não os da siderurgia. “Os ativos são diferentes, e a CSN é só uma acionista da CSN Mineração. Possuem CNPJs diferentes, e as empresas têm capital aberto, com ações na bolsa. A Mineração tem, inclusive, acionistas japoneses, que não iriam entender e aceitar que Volta Redonda decidisse o que é melhor para os operários de Minas Gerais. O próprio MPT de Minas poderia questionar essa invasão de competência”, explicou a fonte.
Ela foi além. Disse que unificar a pauta para conduzir a campanha salarial da CSN, inclusive com a presença de sindicatos de fora para reforçar uma negociação local, pode prejudicar os trabalhadores da UPV. “Tudo o que a CSN faz reflete em seus resultados. Ela não é dona sozinha de todos os ativos. Então, tudo o que se faz aqui, em Minas, no Rio, no Paraná ou em qualquer outro lugar que tenha empresa do grupo CSN precisa ser comunicado e até apreciado pelos acionistas”, explicou.
A unificação da campanha reuniu os sindicatos dos Engenheiros, Vigilantes e dos Metalúrgicos de Volta Redonda, e ainda os sindicatos Meta base – que defende os mineiros de Congonhas – e o dos Portuários, em Itaguaí, Rio. Na pauta, há itens fora da realidade do mercado, como o pedido de reajuste salarial de 22%, frente a um INPC de 6,24% (acumulado de abril/23). Além de uma PLR de 10% do Ebitda e ainda o fim do banco de horas. Esta última reivindicação é controversa, uma vez que na Volks, em Resende, o próprio Edimar Miguel defendeu a sua manutenção.

DATA-BASE
A boa notícia é que a CSN decidiu prorrogar a data-base do acordo dos trabalhadores da UPV, que vence na próxima terça, 2, até o dia 31 de maio. “O Sindicato enviou um pedido à CSN para que a data-base fosse prorrogada para que os trabalhadores da Usina Presidente Vargas não saíssem prejudicados. Se não acontecesse a prorrogação, todos os benefícios seriam cancelados. Pensando nos operários, a CSN, para mostrar boa vontade, concordou em prorrogá-los. Espera que até lá o Sindicato envie a sua pauta de negociações à direção da CSN, o que não aconteceu até ontem, sexta”, detalhou outra fonte consultada pelo aQui. Outro detalhe frisado pela fonte é que a CSN não está se recusando a negociar o ACT de seus funcionários. “A questão é que ela quer uma negociação individual, e não coletiva. Cada unidade tem suas realidades e particularidades, por isso ela não quer unificar nada. Vai atender aos sindicatos de forma individual”, destacou.