“Pau que dá em Chico dá em Francisco”. O ditado é antigo, e, numa boa, tenta demonstrar igualdade e isonomia. Entretanto, pelo menos na secretaria de Ordem Pública de Volta Redonda, comandada por Luiz Henrique, a expressão não cola. É o que dá para se notar pelas ações da pasta, que acumula uma gama de serviços públicos, como poda de árvore, troca de lâmpadas, retirada de bancas de jornais, apreensão de motos barulhentas e con- trole total da Guarda Municipal. O que vem gerando, é claro, muita reclamação por parte dos volta- redondenses.
Um bom exemplo dessa situação foi dado pelo publicitário Davi Tedesco, que solicitou em meados de 2022 uma simples poda de árvore pela Central de Atendimento Único (CAU), órgão subordinado à pasta de Luiz Henrique. O detalhe é que, nove meses depois do pedido, Davi não obteve retorno e resolveu reclamar à Ouvidoria Municipal. Em e-mail, Tedesco anexou prints da conversa que teve com a CAU, através do WhatsApp. “No dia 30 de julho 2022 abri um protocolo através da CAU solicitando a poda das árvores da Avenida 17 de Julho (no Aterrado). As árvores estão encostando nos carros estacionados, além de obstruir iluminação pública, deixando a rua muito escura, principalmente nos dias de não movimento do comércio local. Este protocolo nunca foi atendido. Além da poda das ár vores, seria muito importante aumentar a iluminação pública da rua”, escreveu.
A Ouvidoria, como era de se esperar, respondeu a Davi. Mas, surpreendentemente, não disse quando o serviço seria executado. E, vejam só, enviou um texto – muito mal-escrito, por sinal, que reproduziremos a seguir na íntegra – que a secretaria de Ordem Pública tem ‘orientado’ a Ouvidoria a usar. “A Secretaria Municipal de Ordem Pública/ SEMOP, esclarece que devido as mudanças climáticas e altos índices de quedas de árvores, esta, vem trabalhando incansavelmente para atender todas as demandas e em principal as emergenciais, portanto, informamos que sua solicitação será repassada para a realização de vistoria no local pelo Departamento de Licenciamento Ambiental e após estará sendo inserida em nosso cronograma para execução, com isso, não temos como precisar data”, informaram.
Enquanto não atende de forma ligeira o pedido feito por um cidadão há nove meses de uma simples poda de árvore, em outras frentes de trabalho, a Semop acelera para atender pedidos feitos por ‘ilustres’ cidadãos. Um dos casos aconteceu na Colina no domingo, 23, e foi testemunhado por um repórter do aQui. Envolveu uma moradora que contratou uma caçamba para dispensar o entulho que seria gerado com a obra que faz em sua residência. A caçamba foi colocada pela empresa responsável pelo serviço de aluguel em uma vaga de estacionamento localizada em frente à residência da moradora, que fica em cima de um bar.
Na manhã de domingo, por volta das 10 horas, dois agentes da Guarda Municipal chegaram pedindo que a moradora retirasse a caçamba ou a empresa que alugou o equipamento poderia ser multada. “Tem que ter autorização da secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana (STMU) para colocar caçamba na rua”, disparou um dos GMs, revelando que a ordem para que eles fossem executar o serviço teria sido enviada, via WhatsApp, pelo titular da Semop. “A ordem veio do coronel”, disse, de forma ríspida. Tendo questionado qual coronel, ouviu: “O Luiz Henrique, da Ordem Pública”, completou.
O caso chamou a atenção de moradores que vivem reclamando de abusos por parte dos bares situados na praça. “A gente liga para a Guarda Municipal e ninguém faz nada. Está impossível dormir por conta do som alto de alguns bares, que nem alvará para música ao vivo têm. A gente reclama e ninguém vem aqui ajudar. Os bares colocam mesas nas vagas de estacionamento, ocupando as vagas dos carros, espalham mesas nas áreas das crianças na praça e nada acontece”, disse Valéria Hamar. Detalhe: um grupo de moradores da Colina está organizando um abaixo-assinado para encaminhar as denúncias ao Ministério Público.
Megaoperação
Na manhã de ontem, sexta, 28, a pasta de Luiz Henrique liberou release aos jornais dando conta que a secretaria de Ordem Pública teria feito no dia anterior uma ‘megaoperação de choque de ordem, visando à segurança primária” no Complexo da Vila Brasília, em Volta Redonda. A ação teria sido liderada pelo tenente-coronel Luiz Henrique e, ao final da ‘batida’, os GMs teriam recolhido ao Depósito Público Municipal seis automóveis por motivo de abandono, e sete motos por irregularidades. Tem mais. Cerca de 20 veículos, em estado de abandono, teriam sido levados, ‘com ajuda do Poder Público’, para locais apropriados e seguros de áreas particulares.
O release dá a entender que Luiz Henrique teria comandado a ação, que teria contado com a participação de 50 agentes da Semop, do 5o CPA (Comando de Policiamento de Área), do 28o BPM (Batalhão de Polícia Militar) e da Guarda Municipal de Volta Redonda. “A ação foi planejada após denúncias recebidas pelos canais de comunicação disponibilizados pelo Governo Municipal, sobre veículos em estado de abandono nas vias públicas, causando insegurança e transtornos a moradores locais; motos sem placas; motos barulhentas, entre outras”, detalha a pasta. “Queremos dar uma resposta positiva aos moradores que nos procuram, denunciando os transtornos. Eles estão apenas solicitando uma melhoria na qualidade de vida e não vamos poupar esforços para atingir esse objetivo”, finalizou Luiz Henrique, que não respondeu aos internautas que o criticaram por se envolver no caso da caçamba da Colina.

