Na linha

Por Roberto Marinho

A MRS Logística acaba de divulgar os números de acidentes (abalroamentos e atropelamentos) nas ferrovias sob concessão da empresa em 2018. A boa notícia – se é que se pode falar assim – é que os números foram exatamente iguais aos do ano anterior: 101 ocorrências. A má notícia, para o Sul Fluminense, é que todas as cidades no trecho registraram aumentos, com exceção de Volta Redonda, que registrou queda.

 

No total, foram registrados 14 acidentes no trecho da MRS que corta o Sul Fluminense. A cidade de Barra do Piraí, com dois acidentes em 2017, registrou cinco ocorrências em 2018. Pinheiral aparece com três casos; Resende, dois; e Itatiaia e Quatis, com um acidente cada. Detalhe: nenhuma destas quatro cidades teve acidentes na linha férrea em 2017.

 

Volta Redonda, por sua vez, que teve um acidente em 2017 – uma jovem de 23 anos, moradora de Barra Mansa, teve um pé amputado após ser atropelada por um trem nas proximidades do Buraco Quente, no Jardim Amália II – felizmente não teve nenhum caso em 2018. Isso confirma a tese da MRS de que os casos não têm nenhuma distribuição geográfica específica, já que outras localidades que não tiveram acidentes em 2017 voltaram à lista no ano seguinte. 

 

Barra Mansa contabilizou dois acidentes em 2018, mesmo número do ano anterior. Em um deles, um jovem de 20 anos morreu ao ter o corpo cortado ao meio pelo trem. Ele tentava atravessar a linha férrea no bairro Estamparia, em um local onde não era permitido o trânsito de pedestres (trecho corrido), justamente por causa do risco de atropelamentos. No outro acidente, um homem foi atropelado na passagem de nível, no Centro da cidade, e teve ferimentos leves. Segundo a MRS divulgou na época, o homem, que seria um morador de rua, estaria alcoolizado e não teria prestado atenção ao apito do trem.

 

A maior causa dos acidentes, segundo a concessionária, é justamente a imprudência e a desatenção de pedestres e motoristas ao cruzar a linha férrea, não observando e obedecendo a sinalização. “Apesar de todos os esforços de conscientização junto às pessoas que convivem com a ferrovia, os acidentes continuam sendo causados pelo comportamento inadequado de uma minoria de pessoas que ainda insistem em se arriscar nas proximidades da linha férrea. Estamos falando de imprudência, desatenção e falta de avaliação dos riscos na hora de atravessar a ferrovia.”, disse Washington Noé, gerente geral de Segurança e Meio Ambiente da MRS.

 

De acordo com os números da MRS, nos últimos dois anos 78% dos acidentes ocorreram no chamado “trecho corrido” – locais onde não há passagem de nível e é proibido o trânsito de pedestres ou veículos. Em 30% destes casos, as pessoas envolvidas estavam alcoolizadas. Em relação aos abalroamentos, 48% são causados pela desatenção dos motoristas, e 85% dos condutores são do sexo masculino, de acordo com os dados da MRS.

 

A empresa afirma que as dicas para evitar os acidentes são muito simples: seguir a orientação das placas afixadas nas passagens em nível; parar antes de cruzar a ferrovia; olhar para os dois lados e escutar. Com essas atitudes, de acordo com a MRS, o número de acidentes diminuiria muito.  

Cenas da imprudência em Juiz de Fora e Barra do Piraí

Confira algumas das cenas de imprudência capturadas pelas  câmera de segurança da MRS. Notem que, mesmo com toda a sinalização adequada, os pedestres insistem em se arriscar:

http://bit.ly/2FF2pwF

http://bit.ly/2MhwiEq

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