População otimista

O Presidente eleito Jair Bolsonaro, fala com a imprensa após reunião com os futuros comandantes das Forças Armadas, no Comando da Marinha, em Brasília.
O Presidente eleito Jair Bolsonaro, fala com a imprensa após reunião com os futuros comandantes das Forças Armadas, no Comando da Marinha, em Brasília.

Com a posse de Jair Bolsonaro e de sua equipe ministerial, aos poucos a população brasileira vai se inteirando sobre os temas que serão tratados como prioridade pela nova administração. Uma sondagem da Confede-ração Nacional de Diri-gentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que o cidadão brasileiro está, majoritariamente, otimista com o novo governo, mas elege uma série de problemas que merecem atenção das autoridades. Na avaliação dos entrevistados, a defi-ciência na saúde pública (54%), o aumento da criminalidade e da violência (52%) e o desemprego (47%) deverão ser os prin-cipais problemas a serem enfrentados por Bolsonaro.
O ranking de preocu-pações é seguido pela insa-tisfação com a educação (43%), combate à corrup-ção (42%), assim como a atual crise econômica (29%). Tratado por espe-cialistas em finanças pú-blicas como um assunto fundamental para recolo-car o país na rota do cres-cimento econômico, o ajuste fiscal nos gastos do governo ficou apenas na nona colocação na lista de prioridades, na opinião dos brasileiros, com 20% de citações.
Os temas menos mencionados pela popu-lação como um problema a ser resolvido foram a preservação do meio ambiente (6%), a questão da mobilidade urbana (5%) e a poluição (5%). Para o presidente da CNDL, José César da Costa, governos novos costumam contar com a boa vontade da população e do mercado no início do mandato, mas esse voto de confiança dependerá de ações práticas e resultados rápidos. “Tanto na cam-panha quanto na posse, o presidente adotou um discurso forte do ponto de vista econômico, prome-tendo austeridade nos gastos da máquina pública e atenção especial à questão da reforma da previdência e às privatizações.O sucesso dessas empreitadas dependerá, em grande medida, da capacidade de articulação da equipe do novo presidente junto ao Congresso. Do lado do cidadão, o que se espera é que a indústria e os setores de comércio e serviços voltem a empregar, estimulando o consumo e fazendo o dinheiro circular novamente entre trabalha-dores e empresários, promovendo a volta da sensação de bem-estar da população”, afirma Costa.
De modo geral, 66% dos brasileiros acreditam que haverá mais inves-timentos em segurança pública com a posse do novo governo, 59% têm a expectativa de que vão surgir mais oportunidades de emprego e 54% acham que haverá melhora na qualidade de ensino nas escolas públicas. Há ainda 57% de brasileiros que esperam uma diminuição dos casos de corrupção, queda da inflação (45%) e diminuição dos índices inadimplência (39%).
Só 13% estão pessimistas
A sondagem apurou que 64% dos brasileiros estão otimistas com a mudança de governo e possuem a expectativa de que o país irá melhorar. Por outro lado, 13% estão declaradamente pessimistas com o futuro, 15% mostram-se indi-ferentes e 7% não sou-beram avaliar. De modo geral, as principais razões para o sentimento de otimismo são o fato de o novo governo representar uma mudança ao que vinha sendo feito (70%) e a confiança de que políticos e empresários envolvidos em escândalos de corru-pção continuem presos (42%). Há ainda 38% de entrevistados que nutrem esperanças na aprovação de reformas que o país precisa.
Embora haja um viés predominantemente otimista em relação ao ciclo político que se inicia, uma parte dos brasileiros teme que haja retrocessos. Entre os pessimistas, as principais alegações são de que o novo governo não dará prioridade aos anseios da população mais pobre (68%) ou de que haverá aumento da intolerância e do preconceito na sociedade (64%) e também de que as refor-mas necessárias para a economia não serão aprovadas (48%).
Indagados sobre os principais temores com relação ao novo governo, 40% citam o risco de perder direitos trabalhistas e previdenciários. Há ainda 39% de entrevistados que temem que o novo presidente não consiga reunir o apoio do Con-gresso para governar com tranquilidade e 35% que demonstram preocupação com o risco de o desem-prego continuar elevado. Outra informação é que apenas 24% dos brasileiros consideram que a demo-cracia corre perigo com o novo governo, ficando em oitavo lugar no ranking.
Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, os próximos gestos do governo ao apresentar diretrizes e políticas públicas serão importantes para avaliar se haverá manutenção do apoio da população ao governo. “Além de convencer os cidadãos e os setores produtivos da economia de que o país está empenhado em iniciar um novo ciclo de desenvol-vimento econômico, é importante que o novo governo esteja afinado politicamente para aprovar reformas necessárias e realistas. O sucesso econô-mico do governo depende da capacidade de articular suas ideias e proposições”, afirma Costa.
Metodologia
Foram entrevistadas 702 pessoas de ambos os sexos e acima de 18 anos, de todas as classes sociais, em todas as regiões brasileiras. A margem de erro é de 3,7 pontos percentuais para um intervalo de con-fiança a 95%. Baixe a ínte-gra da pesquisa em https://www.spc-brasil.org.br/pesquisas.

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